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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

La Paloma

La Paloma é um balneário uruguaio feito para famílias, localizando-se cerca de 228 Km norte de Montevideo e 689 Km sul de Porto Alegre. Digo que foi feito para famílias porque é um lugar tranquilo, com algumas praias de mar calmo e outras de mar mais agitado, próprias para surfistas.

Para chegar a partir do Brasil, deve-se pegar a BR 471 até chegar ao Chuí, dali pegue a rodovia 9 até Rocha e depois continue 28 quilômetros pela rodovia 15 até chegar a La Paloma.

O lugar é calmo, mas tem alguns restaurantes e um pouco de comércio. Fora de temporada, não existem muitas opções de hospedagem, mas há pelo menos dois hotéis, facilmente visíveis do centro: o Bahia  e o Viola. O point, fora da estação, pareceu ser uma sorveteria, a única aberta em outubro.

Existem duas principais atrações, fora a praia: subir no farol e observar as baleias. O farol, com seus 143 degraus, é a construção que mais aparece quando você chega ao lugar. Vale a pena a visita, pois a vista lá de cima é incrível.

A outra atividade é procurar as baleias. Nós as vimos pela primeira vez nos molhes do porto. Parecia haver 2 ou 3 nadando para o sul. As fotografias não ficaram muito boas, mas elas estavam lá (tente encontrá-la na foto ao lado). Disseram-nos que a espécie de baleias encontrada por ali é a franca austral, diferente das baleias encontradas no Brasil. Aliás, os molhes são bastante visitados nas tardes de domingo tanto para pesca, como para observação das baleias.

Sobre as praias, existem as de mar mais calmo, localizadas mais próximas da bahia e do farol (mais a esquerda do farol) e as de mar mais agitado. La Pedrera, point de surfistas é uma parte de La Paloma, tem um povoado próprio, mas é minúscula. Passamos por lá em um mês de janeiro anos atrás e agora, em outubro. Posso dizer que em janeiro é quase inviável transitar nas ruas estreitas, mas em outubro o lugarzinho pareceu bom para um final de semana tranquilo.

No domingo à noite, havia uma banda de rock tocando no canteiro central da cidade, em frente a um enorme osso de baleia que parece representar o balneário. Som em volume adequado pra quem queria ouvir, sem atrapalhar quem não queria ouvir.
Se você for a La Paloma em janeiro ou fevereiro, será bem difícil conseguir hospedagem sem reserva. Passamos por isso há algum tempo. Lembro que queriam nos cobrar US$ 60 a diária em um hotel que sequer ventilador de teto tinha. Fora de temporada os preços baixam bastante, consegue-se hospedagem na faixa dos US$ 35-40 para o casal.

Existem muitas opções de aluguel para esta época, mas a maioria dos hotéis e pousadas fecha durante o ano. Também há opções de aluguel de casas e cabanas.

Quanto aos restaurantes, fora de temporada havia o La Ballena, na avenida principal, pequeno e bem decorado, com comida e preços bem razoáveis.

Indico o local como ponto de passagem para quem está indo para Montevideo ou Punta del Este ou para passar um feriadão com paz e silêncio, mas com relativo conforto, infra-estrutura e segurança.

sábado, 16 de outubro de 2010

Dia e noite em Cabo Polônio

Amigos sempre nos diziam que Cabo Polônio era um lugar único. Depois da visita, tendo a concordar com a afirmação. Talvez não seja um lugar único, mas é um dos poucos lugares em que você consegue ficar quase  afastado da civilização. Mas chega a ser um lugar onde você fica sem comunicação ou sem nenhuma espécie de energia elétrica. Consegue-se relativo conforto e até banho quente. Aí vão as dicas pra quem quiser ser aventurar.

Como chegar
Você não vai a Cabo Polônio com seu carro, a menos que ele seja uma caminhonete 4x4. Existem duas opções de acesso:

1) Por Valizas: Você deve deixar o carro na Barra de Valizas, senão a caminhada é maior. Não há estacionamento pago e coberto, mas fora de temporada você consegue deixar o carro em uma das vagas próximas da praia. Dali nos disseram que são cerca de 8Km de caminhada pela praia, mas olhando parece mais.

Lembre-se que, durante essa caminhada, você passará por praias desertas, sem nenhuma estrutura de apoio.

2) Com veículos próprios: Existe um ponto facilmente visível na estrada de onde saem os caminhões de transporte para Cabo Polônio. O valor do transporte fica em torno de R$ 15 (ida e volta). Existem horários fixos fora da temporada. O último sai às 19h30min. Para retornar, os horários fixos são às 6h, às 11h, às 14h, às 16h, às 18h e às 20h. No entanto, se existem passageiros, os caminhões saem conforme vão se preenchendo. No verão, com certeza eles são mais frequentes.

São 7Km pelo areal, com direito a muitos solavancos. Você pode fazer esse trajeto a pé também, mas não deve ser nada fácil caminhar 7Km por dunas e areia fofa. Não recomendo. Depois, o veículo anda mais uns 2Km pela praia até chegar no que se chama de vila de Cabo Polônio, onde é o ponto final. O trajeto completo dura entre 20-30 minutos.

Você pode deixar o carro no estacionamento improvisado em torno desse local onde se pega o transporte. Não dá pra dizer que ele será vigiado, mas como é na entrada de um parque, pelo menos há guardas florestais durante a noite e bastante movimento durante o dia. Como o Uruguai ainda é um lugar tranquilo em relação a furto de automóvel, creio que dá pra confiar.

Infra-estrutura
Esse é o ponto que gera mais curiosidade em quem pretende ir a Cabo Polônio. Primeiro: há telefone. Os públicos são de ondas curtas, movidos a energia solar. Raridade. Mas fique calmo, porque há sinal de  celular.

Não há energia elétrica pública, exceto no farol. Observamos que os moradores, pousadas e restaurantes possuem algum tipo de energia: solar, eólica ou geradores. Obviamente, os geradores são ligados no final da tarde e desligados em torno das 10h30min da noite, fora da temporada. Não sei dizer se no verão ficam até mais tarde.

As pousadas são simples. Ficamos no que dizem ser a melhor delas, a La Perla del Cabo, fone (598) 470. 5125, e Mariemar, fone (598) 470.5164 A diária saiu R$ 80 para o casal, em um quarto pequeno, mas bem limpo, com banheiro privativo, banho bem quente e café da manhã. O único problema é que o vaso sanitário não tinha tampa, o que para nós, mulheres, é um problema. A pousada também tem uma localização excelente: a beira-mar e próxima ao farol e ao ponto de observação dos lobos-marinhos.

Nas pousadas, normalmente se serve janta (a parte), mas comer não me pareceu um problema. Há alguns restaurantes improvisados, que servem peixes, massas e até omelete de algas.

Existem outras pousadas mais econômicas, um hostel e também é possível ficar em casas de moradores locais, dizem que se consegue até preços de US$ 10 nessas acomodações mais simples.

Não há muito o que fazer de noite. Na nossa pousada, ao desligar o gerador, exatamente às 10h30min da noite, reinava o silêncio absoluto.

Venta muito à tarde e o vento é frio. Fomos em outubro e precisei de blusão de lã e casaco. Pra caminhar e aproveitar a praia, o melhor mesmo parece ser o período da manhã.

O que fazer em Cabo Polônio
1) Visite o farol. Você pode subir os 132 degraus e avistar o povoado inteiro, pagando R$ 1,50. A vista é linda.

2) Caminhe pelo povoado. É uma sensação única, pois não há ruas ou pátios de residências próprios. Você caminha por onde quer, seguindo apenas sua orientação e desviando das galinhas e pássaros do caminho. Aliás, quase fomos atacados por um casal de quero-queros que cuidava do seu ninho, supostamente enterrado no chão por onde estávamos passando.

3) Caminhe pela praia deserta até as dunas. Não é uma caminhada muito longa e Cabo Polônio ainda é dos poucos lugares em que você consegue subir nelas e ficar de bobeira apreciando a vista em total silêncio e privacidade.
4) Se estiver quente o suficiente, curta a praia sem ser incomodado por NENHUM vendedor.

5) Para quem gosta, é possível surfar em Cabo Polônio.

6) Observe os lobos marinhos. Eles ficam nas pedras próximas ao farol e também em três pequenas ilhas que se avista dali.

7) Passe uma noite em Cabo Polônio. Saímos para a rua em torno da meia-noite para observar as estrelas. O céu é muito, mas muito diferente do céu da cidade. A única luz disponível nesse horário é a que vem do farol. Uma experiência diferente de tudo o que você está acostumado.

    quinta-feira, 12 de março de 2009

    Litoral do Uruguai

    No ano passado fiz uma série de posts sobre o Uruguai. Como todos sabem, gosto muito do país e do litoral deles a partir de Punta del Diablo para o sul. Nesse ano, meu amigo Davi e a esposa foram passar férias lá e fizeram alguns vídeos que mostram um pouquinho daquele litoral. O segundo vídeo é muito interessante: mostra um pouquinho das estradas e povoados de Chuy até Punta del Este. Você pode conferir no blog Nerds on.

    domingo, 30 de março de 2008

    Colônia do Sacramento, o Centro Histórico

    Caso alguém decida ir até Colônia (eu particularmente acho que vale a pena dar uma esticadinha até lá se você for até Montevidéo) seguem os principais prédios históricos a serem visitados.

    Basílica do Santíssimo Sacramento
    É a principal igreja da cidade que conserva a arquitetura portuguesa original do século XIX. Foi recuperada em 1957, portanto, a arquitetura e as paredes de pedra são originais, o restante é recuperado.

    Portón de Campo (ou a porta de entrada da cidade)
    Era a porta de entrada da cidade, na época que era uma fortificação. Ali, também há o que restou da antiga muralha que protegia a antiga Colônia do Sacramento

    Ruínas do Convento de São Francisco e Farol
    O convento foi construído em 1694 e destruído por um incêndio em 1704. O que restou aparece na foto. Já o farol foi construído entre 1845-1857. É permitida a entrada, porém, as escadas para ascender são estreitíssimas e cabem no máximo umas 10 pessoas lá em cima, de modo que é preciso ter paciência e esperar a sua vez de subir. A vista recompensa, é possível avistar Buenos Aires lá de cima em um dia ensolarado.

    Resgate Arqueológico da Casa do Governador
    É preciso usar a criatividade para imaginar como seria nos tempos antigos. O que aparece ali no chão são as estruturas da antiga residência que foi destruída em 1777. Placas explicativas tentam guiar a visita pelo que restou dos "cômodos".

    Casa de Nacarello, Casa do Almirante Brown e Casa do Vice-Rei
    Duas dessas casas hoje são museus. A Casa do Vice-Rei nada mais é hoje do que as antigas ruínas do que parece ter sido uma casa portuguesa relativamente suntuosa no passado. A Casa de Nacarello é uma construção portuguesa do século XVIII, que procura demonstrar como viviam os antigos moradores da cidade e a Casa do Almirante Brown abriga o Museu Municipal. A construção original é de 1795.

    Não aparecem nas fotos, mas devem ser visitados:

    Museu do Azulejo
    Casa contruída pelos portugueses entre 1740-1760. Expõe uma coleção de antigos azulejos portugueses, franceses, catalãos e os primeiros confeccionados no Uruguai.

    Museu Português
    Não consegui visitá-lo, pois a cada dia da semana determinados museus não abrem e no dia em que estivemos em Colônia este museu não abriu. O prédio é uma construção portuguesa do século XVIII, com espessos muros de pedra de até 90 cm de espessura.

    Existem ainda os museus espanhol e indígena. Para visitar os museus, adquire-se um ingresso apenas que dá direito a visitar todos eles. O preço é simbólico, não chega a 3 reais.

    As fotos dos lugares que coloquei aqui podem ser vistas no álbum.

    sábado, 22 de março de 2008

    Colônia do Sacramento

    Pra finalizar as dicas sobre o Uruguai, vou falar de Colônia do Sacramento, nossa última parada turística nessa viagem de início de ano.

    Como quase todo mundo, ouvi falar de Colônia pela primeira vez lá pela 4a série, quando começamos a estudar a história do Rio Grande do Sul. Então pra relembrar: Colônia do Sacramento era um ponto estratégico para os portugueses porque ficava situado às margens do Rio da Prata. Como eles tinham interesse que suas colônias se estendessem até ali, fundaram uma fortificação. Lembrem que Colônia do Sacramento é um ponto bastante próximo de Buenos Aires, tanto que é possível vislumbrar do outro lado do rio a grande cidade.

    Os espanhóis não gostaram muito dessa história e acabaram tomando a fortificação. Mais tarde, na época de Dom João VI, o Uruguai pertencia ao Brasil, de modo que Colônia voltou pras mãos portuguesas pra finalmente sair delas com a independência uruguaia.

    O resultado desse "toma lá, dá cá" foi uma cidade histórica com arquitetura parte espanhola, parte portuguesa. Existe uma rua, "A Calle de Los Suspiros" (nenhuma alusão a de Veneza) que foi conservada historicamente como nos idos do século XVII justamente pra mostrar as duas arquiteturas convivendo de forma harmoniosa. A foto deste post é dessa rua.

    A parte histórica de Colônia não é grande. Pra quem gosta de caminhar pode ser percorrida tranquilamente à pé em um dia. Pra quem não gosta de caminhar, existe uma casa que aluga
    bicicletas, triciclos motorizados e umas motinhas que mais lembram as mobiletes do passado. Aliás, essas motinhas são o meio de transporte preferido dos habitantes da cidade: em determinadas ruas você vê todas elas estacionadas alinhadas. E sem cadeado.

    Dicas pra quem quer ir:

    - Colônia dispõe de boa rede hoteleira e pousadas. Nós ficamos no Hotel de la Ciudad, localizado próximo ao centro histórico, na Av 18 de Julio e pagamos 45 dólares a diária, com café da manhã. Se você dispensar o café eles fazem por menos. Não é preciso fazer reserva, encontramos hotel bem fácil.
    - Como a cidade parece viver do turismo, também existem muitos restaurantes. Os que ficam no centro histórico são super bonitinhos, mas também mais caros. Aí vale a sua opção: quem quer pagar menos, basta procurar fora do centro histórico. Agora, quem quer sentir o clima do lugar, vale a pena jantar ao menos uma vez no centro histórico.
    - Existe uma feira de artesanato com boas opções de souvenirs, principalmente azulejos e cerâmicas pintados à mão.
    - Colônia possui um centro de informações turísticas localizado na Gral. Flores que é a avenida principal do centro. Ali se pode conseguir um mapa do centro histórico, o que facilita bastante uma visita "auto-guiada".
    - Colônia também têm "praias de rio". Não são lindas, mas possuem águas rasas e calmas. Praticamente uma piscina infantil. Vale uma visita.

    Sobre o centro histórico, aguarde o próximo post.

    segunda-feira, 10 de março de 2008

    Montevideo

    Antes de viajar pro Uruguai, em dezembro, procurei na Internet por vários sites sobre o país e seus pontos turísticos.

    Sobre Montevideo, o que encontrei foi muita informação sobre prédios históricos e edifícios históricos. Diga-se de passagem que o Uruguai é um país com 3 milhões de habitantes sendo que mais da metade deles vive em Montevideo. Quando chegamos lá, no entanto, não foram os prédios e edifícios históricos que mais nos chamaram a atenção, mas sim a imensa avenida de 19 Km que vai desde a entrada da cidade (se você vem pela Ruta 9 ou 10) até o porto.

    Dica básica número 1 pra quem vai: se decidir passar a virada do ano em Montevidéo, esqueça o centro da cidade no dia 31/12. Parece que é tradição por lá os jovens irem pro centro beber, dançar e atirar água em quem passa. Tivemos que desviar determinadas ruas por conta disso.

    Esqueça também qualquer super festa de reveillon na praia. Montevideo é como Porto Alegre na virada do ano: você terá dificuldades pra encontrar um lugar aberto pra jantar. Encontramos um único, na Av. 18 de Julio, que parece se orgulhar de não fechar nunca suas portas, em nenhum horário do dia, seja ele santo ou não.

    Não é que não existam festas. Elas existem. Porém, os nativos nos contaram que são super fechadas, em clubes, apenas para os mais abastados. No passado, cada bairro fazia a sua festa, com fogos. Porém, há alguns anos a coisa ficou meio violenta e decidiram suspender tudo. Nos juraram de pés juntos que não haveria fogos de artifício.

    O centro na virada do ano também não é uma boa opção: lá pelas tantas as pessoas mal-encaradas começam a atirar bombinhas nos seus pés. Diante desse quadro, optamos por passar a virada no terraço do Hotel Embajador, um quatro estrelas em uma rua próxima do centro. Decidimos que na virada do ano e diante do calor de quase 40 graus, nós podíamos nos dar ao luxo de ficarmos hospedados num lugar melhorzinho).

    O hotel tem cerca de 12 andares, então o terraço está entre os prédios mais altos por ali. Ficamos um tempo conversando com uma família de Tocantins que tinha vindo de lá de carro e iria até Buenos Aires. Até a meia-noite realmente não parecia que haveria qualquer sinal de festa, mas exatamente a meia-noite os fogos começaram. Não barulhentos como os nossos, e nem perto do que imagino que seja um espetáculo numa grande cidade, mas eram vários sinalizadores coloridos em vários pontos da cidade (tínhamos uma visão 360 lá). Então foi interessante, sim. Melhor do que eu esperava.

    Se você tiver 24 horas em Montevideo, não deixe de fazer isso:
    - passear pela "rambla" à pé, especialmente em Pocitos, Punta Carretas ou Playa Ramirez;
    - assistir a um pôr-do-sol no Rio de La Plata
    - visitar a catedral
    - passear pela 18 de Julio e ver os prédios históricos
    - ir ao Mercado del Puerto e almoçar por lá, pois há ótimos restaurantes

    Mais dicas sobre Montevideo encontrei por acaso no blog Idas e Vindas.

    sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

    Piriápolis - II

    Demorou, mas saiu a segunda parte do post sobre Piriápolis. Culpa do trabalho, passei três dias em Sampa essa semana.

    Sobre Piriápolis, o que eu realmente achei mais bacana de se fazer foram as visitas aos três cerros.

    Cerro San Antonio


    Esse é o cerro de mais fácil acesso. Para quem não tem carro é possível pegar um teleférico. Para quem tem carro é possível chegar ali facilmente, fica na própria cidade de Piriápolis, próximo ao centro. E pra quem gosta de caminhar e não se importa em subir uma boa ladeira, também é possível ir à pé. Fui de carro pra melhor apreciar o pôr-do-sol dali - a essas alturas os leitores desse blog já devem ter se dado conta que eu tenho uma certa admiração pelo alvorecer - mas passei por um cara que estava subindo correndo o que significa que é perfeitamente possível subir caminhando.

    No alto do cerro vislumbra-se toda Piriápolis, cujo traçado os mais românticos poderiam dizer que se assemelha ao de um coração. Você poderá tirar suas próprias conclusões pela foto.

    Na primeira vez que estive em Piriápolis, em 2001, uma senhora nos explicou que se eu levasse uma pedrinha lá do cerro pra casa ajudaria a trazer um marido. Eu levei a pedrinha, porque afinal de contas não custava tentar. Tempos depois a minha bolsa foi roubada junto com a pedrinha e eu casei, exatamente nessa ordem. Então se é verdade ou não eu não sei, mas por via das dúvidas resolvi agradecer pela graça alcançada na capela de San Antonio que fica no alto do cerro. Quando voltei minhas amigas solteiras não gostaram muito de saber que eu não havia trazido pedrinhas pra elas.

    Cerro Del Toro

    Esse é o segundo cerro de mais fácil acesso. Recebe este nome porque na sua entrada existe uma fonte de água que jorra da estátua de um touro. Exige uns 20 minutos de subida por uma trilha de nível médio. A caminhada não é longa, mas como existe subida através de pedras em alguns pontos, não é todo mundo que se arrisca.

    O visual lá em cima compensa. Como diz um dos bons sites sobre a cidade: "En la cima un cuadro maravilloso de luz y sombra, de verde y de agua, de azul y de arena impregna nuestra retina de majestuosa poesía."

    Cerro Pan de Azucar

    O nome deve estar lhe lembrando algo, não ? Honestamente, não sei se o nome foi imitação ou homenagem ao nosso Pão de Açúcar. O que sei é que alguém teve a idéia de construir uma torre no alto do cerro. Torre esta, na qual você pode inclusive entrar e subir os quase 100 degraus que levam ao topo.

    Sobre o cerro que abriga a torre, con 389 metros é o terceiro em altura de todo o país, dá pra acreditar? E eu que achava que no RS é que não existiam grandes altitudes.

    Para escalar o morro, leva-se cerca de 3 horas (ida e volta), considerando-se, obviamente, pessoas normais, que não vão nem muito lentas, nem muito rápidas. Não é necessário nenhum tipo de equipamento especial e a trilha é bem sinalizada, com setas pintadas nas pedras, no entanto, subir não é para qualquer um, exige fôlego e, sobretudo, muito cuidado pra não escorregar nas pedras.

    A visita ao Cerro Pan de Azucar foi um dos pontos altos da nossa viagem por várias razões. Primeiro, porque a vista realmente é linda. Segundo, porque realmente é uma trilha pra quem gosta de aventura. E terceiro, porque quando estávamos lá em cima o tempo começou a enfeiar. Bom, começamos a descer, com todo o cuidado, porque pedra molhada é pedra lisa. Parece que o nosso anjo da guarda estava por lá, porque no exato momento que terminamos a descida despencou o maior aguaceiro que vi no ano. Jorrava água e mesmo no plano, nós ainda tínhamos no mínimo 1Km pra caminhar. Esse Km foi mais longo que toda a trilha, peixinhos poderiam nadar nos meus tênis depois disso. Mas aventureiro que se preze tem que aguentar né...

    Abaixo a colagem das fotos da aventura.

    terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

    Piriápolis - I

    Como Punta del Este estava lotada de gente (era final de dezembro) e os preços estavam um pouco além do nosso orçamento, decidimos ir até Piriápolis, procurar algum lugar para passar os próximos 3 dias da nossa viagem. Eu havia passado rapidamente por lá uma vez há alguns anos e tinha achado um lugar bastante simpático e mais aconchegante que Punta. Eu não estava errada.

    Quando chegamos lá, fomos direto ao Centro de Hotéis da cidade. Lá, fomos super bem atendidos, dissemos o que estávamos procurando e mais ou menos o quanto queríamos gastar e fomos encaminhados pro Hotel Budapest, uma hosteria 3* na qual pagamos 800 pesos (R$ 80) pela diária, com café da manhã. O lugar é um hotelzinho pequeno, mas bem familiar, somos atendidos pelo proprietário e sua irmã que são super simpáticos e atenciosos.

    Imagino que Piriápolis já tenha vivido no passado dias melhores. Quando Punta se tornou "o point" perdeu glamour. Digo isso, porque existem várias construções antigas na cidade. Ela fica a aproximadamente 40 Km de Punta, em direção ao sul, por uma estrada mão-dupla super bem conservada. O prédio que mais chama a atenção é o Gran Hotel Argentino, construção de 1930. Logo que chegamos, fiquei bastante curiosa a respeito da história do hotel. O próprio hotel que paramos descobrimos depois, é bastante antigo, pertenceu ao avô do atual proprietário.

    A história do balneário é bem interessante. Um desses visionários do passado, Francisco Piria, chegou àquela região onde nada havia, comprou (ou usucapiu) as terras e loteou-as pra revender em Buenos Aires e Montevideo como terrenos de veraneio. Tudo isso no início do século XX. Não contente com isso, foi criando infra-estrutura para que o local se tornasse mesmo um balneário. Construiu dois hotéis, o maior deles esse hotel que ficou pronto em 1930 e até hoje parece ser a maior construção da cidade, linha de trem e etc.

    Piria reservou um lote, mais afastado do Rio de La Plata para sua família, onde construiu um castelo para ser sua residência de veraneio. Infelizmente, quando Piria faleceu, velhinho, com mais de 80 anos, ninguém manteve o que ele havia construído em Piriápolis. O filho mais velho, seu natural sucessor foi assassinado logo em seguida e os outros três filhos não tinham o menor interesse no lugar. O castelo acabou, depois de muita briga, nas mãos de sua amante que ele havia registrado como filha antes de falecer (Piria era viúvo, então). Só que quando isso ocorreu ele já havia sido completamente saqueado.

    Esse castelo é hoje um museu aberto à visitação, com muitos documentos sobre a história do lugar. Ele foi reconstruído na medida do possível, porém, fala-se que era um lugar muito rico com pisos de mármore e estátuas de bronze e, obviamente, essa riqueza não foi recuperada.


    Voltando para o presente, hoje Piriápolis é um lugar tranqüilo e agradável pra quem deseja passar alguns dias de férias. A praia é de rio, porém está tão próxima do mar que o gosto já é salgado (os mapas do início do século passado atestavam que ali era Oceano Atlântico... sabe como é, as pessoas chegavam lá, provavam a água e era salgada, então era mar).

    Não encontramos muitos brasileiros por lá. Os freqüentadores são, em sua maioria, os próprios uruguaios. É comum a praia encher lá pelo final da tarde, depois das 6h. E as pessoas ficam até após o pôr-do-sol, que em dezembro ocorre em torno das 9h da noite. Aliás, o pôr-do-sol de Piriápolis é lindíssimo !

    Um post apenas não é suficiente pra contar tudo, de modo que no próximo falarei mais sobre os lugares pra visitar e as trilhas.

    segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

    Parque Santa Tereza


    Não confunda o parque com o forte. O forte está localizado no Parque (um pouco antes da entrada pra quem vem pela estrada), mas são coisas diferentes.

    O Parque Santa Tereza é um imenso parque com área pra camping, aluguel de cabanas e várias praias. Tem, inclusive, alguns lugares para observação de aves marinhas e baleias, mas acho que nessa época do ano as baleias estão longe. É área militar, mas você vai se lembrar disso apenas quando encontrá-los pelo caminho.

    O mais engraçado da nossa ida ao parque foi que nos disseram que era apenas 4 Km de caminhada pela praia e estávamos lá. O que é verdade. O que não imaginávamos era o tamanho do parque. Creio que caminhamos mais uma hora até chegar à Capatacia, que é a entrada "oficial" por onde os carros chegam. Lá existe um "sombráculo"e um "invernáculo" muito bonitos, com várias plantas e o ruído dos pássaros.

    Após uma breve parada na Capitacia, fomos andando pelo parque em direção ao forte. Outra pernada. Durante uma parte do caminho topamos com pica-paus nas árvores... pra quem lê isso aqui pode parecer bobagem, mas eu não estou acostumada a ver pica-paus todos os dias, ainda mais 3, 4 reunidos. Então paramos para observá-los. Fotografar foi bem mais difícil.

    Existe ainda um mini-zoo e área pra piquenique no parque. Isso sem contar nas praias: Moza, do Barco, das Achiras... a maior área de camping está próxima a Playa de la Moza.

    Foi um passeio bem agradável, acho que vale passar um dia no parque. É possível fazer isso no mesmo dia em que for visitar a Fortaleza de Santa Tereza. O que percebi é que os turistas vão muito na Fortaleza, mas no parque só os nativos mesmo. Mas as praias de mar mais próximas do Brasil e que não parecem exatamente o litoral do RS, estão ali.

    quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

    Punta del Diablo

    Nossa primeira parada no Uruguai foi Punta del Diablo. O nome do lugar parece assustador, mas é só o nome que assusta mesmo. Acredito que seja um lugar que só agora esteja sendo descoberto como destino turístico. Até onde ouvimos, o nome "Punta del Diablo" se deve ao relevo da costa que se assemelha a um tridente.

    Você tem basicamente três coisas pra fazer em Punta del Diablo: ir à praia ou surfar, pois pra quem pratica surf parece ser um bom lugar. A terceira opção não agradaria a todo mundo, mas é caminhar. Nós decidimos ir, pela beira da praia, até o Parque Santa Tereza, que fica a uns 4 Km de distância. Tudo bem, com 4 Km de caminhada você chega no parque, mas dali até chegar às áreas mais nobres é outra bela caminhada, que deixo pra relatar depois.

    Se quiser ficar em Punta del Diablo...
    • Não espere luxo. Não existem hotéis e pelo que vi existe uma hosteria apenas. Nós não fomos com nada reservado, chegamos lá e alugamos uma cabana. Existem muitas, todas bastante simples.
    • Não é recomendável ir sem reserva em janeiro ou no carnaval.
    • Não existem ruas asfaltadas em Punta del Diablo. Pra falar a verdade, existe uma rua principal e ruelas nas quais passa no máximo um veículo de cada vez.
    • Quando nós estivemos lá (dezembro) havia apenas um restaurante bom aberto, o Don Quijote, que é uma rede de restaurantes no Uruguai. Tentamos, no primeiro dia, um outro, menorzinho, na rua principal, mas não agradou. E o preço nem era melhor do que o Don Quijote.
    • Contato com a natureza é a palavra-chave para aproveitar o lugar.
    Se quiser mais informações sobre o que fazer no lugar e onde ficar dê uma olhada no site Portal del Diablo.

    domingo, 3 de fevereiro de 2008

    Uruguai - As Fortalezas de Santa Tereza e São Miguel

    As primeiras atrações turísticas quando você chega de carro ao Uruguai pelo Chuy são essas duas fortalezas. São Miguel localiza-se a uns 8Km do Chuy e Santa Tereza a uns 20 Km. Para o primeiro é preciso sair da Ruta 9 e virar à direita após a fronteira. Já o segundo é possível avistar da própria estrada, a esquerda de quem vai em direção ao sul.

    Santa Tereza é bem maior e está em melhor estado de conservação que São Miguel, então caso tenha tempo para visitar apenas um deles, eu indicaria Santa Tereza. São Miguel é menor e eu diria que mais "simpático". Justamente por ser menor, ele também fica bem melhor nas fotografias, pois é possível enquadrá-lo quase inteiro. Juntamente com São Miguel, é possível visitar o Museu Indígena. Já Santa Tereza fica no parque que leva o mesmo nome e que também vale uma visita.



    Originalmente, Santa Tereza foi construído pelos portugueses. No entanto, foi tomado pelos espanhóis em 1763 e foram eles quem terminaram a construção e aumentaram as proporções do forte. São Miguel, pelo contrário, foi construído originalmente pelos espanhóis, porém, foram os portugueses quem terminaram a construção. Mais tarde, São Miguel também passou para o domínio espanhol. Os dois fortes caíram no esquecimento por todo o século XIX e nos idos dos anos 30 do século passado iniciou-se a restauração.

    Apesar da semelhança, eu diria que ambos vale a pena visitá-los. Você se sente um pouco viajante na história ao entrar nos aposentos: capela, cozinha, dormitórios, estábulos, armazém, enfermaria e etc. Chamou a atenção em Santa Tereza uma coisa: enquanto os soldados dormiam em um dormitório coletivo, o capelão possuía aposentos próprios, junto à sacristia da capela. O que me fez pensar que bom mesmo era ser padre naquela época.

    quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

    Uruguai de carro

    No final do ano passado, viajamos de carro pelo litoral uruguaio, seguindo de Porto Alegre até Colônia do Sacramento. É um passeio bem bacana de se fazer, especialmente em épocas de duplicação da BR-101, em que uma viagem até Bombinhas pode levar 11 horas como ocorreu com alguns amigos. Com 11 horas de viagem em direção ao sul, você praticamente chega em Montevidéo.

    Antes de sair nós fizemos apenas um planejamento básico dos lugares que gostaríamos de conhecer e quantos dias pretendíamos ficar em cada lugar. A viagem teve muitos pontos altos, mas não conseguimos cumprir o planejado, então achei por bem passar no blog a nossa experiência pra quem pretende fazer a mesma coisa, pra que não caia nas mesmas roubadas que nós caímos.

    Boas razões para ir ao Uruguai

    • A estrada é boa e tranquila. Você só vai pegar movimento de Porto Alegre à Rio Grande e isso se for em dia de semana. Nós viajamos no dia 25/12 e a estrada estava super calma. De Rio Grande em diante é uma tranquilidade só.
    • O limite de velocidade na maioria das estradas è 110 Km no Uruguai
    • Segurança. No hotel que ficamos em Piriápolis eles deixavam a porta aberta durante à noite. Sem ninguém na portaria.
    • A gorjeta nos restaurantes é opcional, como deveria ser sempre, diga-se de passagem.
    • O leite, o iogurte, o sorvete e a carne deles são melhores que o nosso, não tem como comparar.
    • Comprinhas no Chuy.
    • Pra quem não gosta de tomar café da manhã no hotel, é possível optar por diária sem café da manhã, mais em conta.
    • Os uruguaios não têm a mania de colocar o som a todo volume na beira da praia, cada carro competindo com o outro pra ver quem tem o som melhor.
    Coisas não tão boas no Uruguai

    • Você vai gastar mais do que pra ir pra Santa Catarina. De Porto Alegre à Rio Grande são 5 pedágios, totalizando mais ou menos R$ 30.
    • As praias de mar do Uruguai têm águas frias. Mas não peguei nenhum dia em que a cor da água estivesse escura. Nas de rio, especialmente em Montevidéo e Colônia, a água é quente até demais.
    • Pra quem gosta de buffet livre, esqueça. O Uruguai não é o lugar.
    • As estradas são excelentes, mas você paga por isso. Cada pedágio custa em média $ 44 pesos (R$ 4,40).
    • É praticamente impossível chegar sem reserva em qualquer que possua praia de mar (de Punta del Este até Punta del Diablo) no período de janeiro ou fevereiro e conseguir um lugar bom, bonito e barato pra ficar. Em La Paloma queriam nos cobrar 90 dólares por um 2* que nem sequer ventilador de teto tinha. Não ficamos.
    • Os cafés da manhã dos hotéis e pousadas não se comparam com os do Brasil. São bem ruinzinhos, só café com pão e geléia mesmo. Às vezes, rola um suco de laranja.
    IMPORTANTE: Pra atravessar a fronteira de carro, tem que fazer um seguro antes de sair do Brasil, que eles chamam de Carta Verde. Se não fizer, você não passa. Tem mais: o veículo tem que estar no nome do motorista. Se não estiver, tem que ter uma autorização firmada em cartório pelo proprietário.

    Alguns preços

    Jantar pra 2 pessoas: aproximadamente 30 reais, tomando refrigerante e pedindo um prato "normal": uma carne com guarnição ou massa.
    Sorvete (diga,se de passagem, O SORVETE): 4,50 reais, dois sabores e bem servido.
    Diária em hotel: Varia conforme o lugar e a época do ano. Em Montevideo, ficamos em um 4* muito bom por aproximadamente 100 reais, mas se consegue hotel até por 40. Em Piriápolis, ficamos em um 3* simples, mas aconchegante por 80 reais a diária. Em Punta del Este não havia nada por menos que 150 dólares. Não ficamos.
    Cabanas para alugar em Punta del Diablo, aproximadamente 80 reais
    Gasolina: mais ou menos o mesmo preço do Brasil (deve-se pedir nafta).
    Pras meninas: é possível encontrar roupas com preços bem acessíveis.

    Em geral, os outros preços regulam com os do Brasil.

    Coisas Imperdíveis de se fazer na minha opinião

    • Em Montevidéo, apreciar um pôr do sol à beira-rio.
    • Subir o Cerro San Antonio em Piriápolis. A vista é linda.
    • Provar o sorvete da Arlecchino em Punta.
    • Caminhar no calçadão de Punta e se sentir chique.
    • Visitar a catedral de Montevideo. É muito bonita.
    • Se você tiver fôlego e gostar desse tipo de aventura, subir o Cerro Pan de Azucar em Piriápolis.
    • Visitar o Forte de Santa Teresa.
    • Tomar um banho no Rio da Prata.
    • Visitar Colônia do Sacramento, cidade histórica que a gente ouve falar muito nos tempos de escola.
    • Passar uma tarde em Cabo Polônio, a praia onde não há eletricidade ou água encanada (essa ficou pra próxima, pra nós).
    Nos próximos dias, vou falar das cidades e praias que visitamos e suas atrações.