sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O que fazer em 2 dias em: El Calafate

A ideia desse assunto veio quando constatei que na grande maioria das minhas viagens eu passei de dois a três dias em determinada cidade. O fato é que dois dias podem não ser muito, mas, com disposição e organização, creio ser possível aproveitar intensamente a estadia em um lugar. O primeiro lugar escolhido para essas dicas é El Calafate, na Patagônia Argentina.


Localização
A cidade fica na Patagônia Argentina, dista mais ou menos 700Km de Ushuaia, sobre a margem do Lago Argentino. É um lugar pequeno, com cerca de 20 mil habitantes e uma falta absoluta de mulheres (segundo os guias locais). O clima é frio, seco e ventoso. A cidade virou ponto turístico porque é a mais próxima do Glaciar Perito Moreno, um dos maiores (senão o maior) do mundo.

Sobre a cidade
O nome da cidade tem origem em uma frutinha típica da região, colhida dos arbustos que crescem em todos os lugares por ali. A frutinha lembra o blueberry, mas não sei dizer se é exatamente a mesma coisa.
A cidade é pequena. Tem uma longa avenida principal, onde fica praticamente tudo o que você precisa: hotéis, restaurantes, lojas, agências de turismo, locadoras de carros. (Quase) Impossível se perder.


Onde ficar
A rede hoteleira é boa, chegando à cidade você verá hotéis por todos os lados. Nós ficamos no Sierra Nevada Hotel, um lugar aconchegante, com vista para o lago, acomodações muito boas, limpas, sempre com um cheirinho agradável e com internet disponível de graça aos hóspedes.

Quando ir
Aconselho o verão. Os dias são longos, anoitece próximo das 22h e é possível desfrutar dos passeios nos glaciares, a principal atração. Durante o dia, apesar do vento é possível usar manga curta (a média de temperatura em janeiro é de 18,2C). À noite esfria bastante.

O que fazer em 2 dias:

1) A grande atração é o Glaciar Perito Moreno: fica a cerca de 80Km de El Calafate, dentro do Parque Nacional de Los Glaciares, chega-se por estrada asfaltada. Caso você viaje até El Calafate sem que seja através de pacote fechado, o melhor é contratar um passeio em uma das várias agências de turismo da cidade. Ou alugar um carro. O Glaciar é lindo e para quem não gosta de caminhar não há problema. Você desce do ônibus, faz uma trilha rapidinha por caminho totalmente demarcado e lá está ele: uma visão rara e grandiosa. Em tempos de aquecimento global, talvez o melhor seja visitar esse tipo de atração enquanto ainda é possível vê-la, muito embora os comentários sejam de que este glaciar específico não está diminuindo.


2) Trekking no Gelo: No Parque, é possível fazer pelo menos dois passeios diferentes. Um passeio de barco, que chega pertinho do Glaciar ou uma caminhada no gelo sobre o glaciar.
Optamos pela caminhada, que dura cerca de 1 hora. Você coloca grampões e segue com um grupo e um guia caminhando sobre o glaciar e ouvindo a história. Não é possível caminhar sem guia, porque é preciso saber onde pisar ou a queda pode ser bem feia.

3) Saborear o sorvete patagônico: muito bom
4) Comprar geleia de calafate em uma das inúmeras lojinhas de artesanato local
5) Visitar o Museu Regional de Calafate: ele não fica na rua principal, mas é fácil de ser encontrado, basta perguntar no hotel. A visita dura cerca de 1 hora e é possível conhecer um pouco mais sobre a história da região além de ver material arqueológico.
6) Caminhar até o fim da cidade (não é uma caminhada tão longa assim) e sentir-se perdido no fim do mundo (a sensação de deserto te dá uma real visão de fim do mundo, maior do que a que você sentirá em Ushuaia).
7) Sentar ao sol à beira do Lago Argentino e sentir o ventinho que deve vir do pólo sul batendo no rosto.


8) Para quem for ao Perito Moreno e ainda sentir vontade de ver outros glaciares, pode utilizar o segundo dia para um passeio de dia completo a outros glaciares. É um passeio de barco que passa pelos Glaciares Upsala e Spegazzinni. O passeio também pode ser contratado em uma agência de viagens local.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Censuraram a vovozinha

O Brasil é visto aos olhos do mundo como um país liberal. Mas esse mesmo país no qual as mulheres desfilam pelas praias com seus biquinis minúsculos e no qual adolescentes de 12 anos "ficam" ou "se pegam" em festinhas de garagem, rejeita um comercial de TV em que uma avó sugere que a neta (adulta) faça sexo. O comercial em questão é das sandálias Havaianas e, honestamente, da forma como o diálogo foi colocado não parece nem um pouco ofensivo.

O enredo polêmico é o seguinte: Ao verem o ator Cauã Reymond em um restaurante, o diálogo entre avó e neta se desenrola mais ou menos assim:

Avó - Você tinha que arrumar um rapaz assim.
Neta - Não sei, casar com artista deve ser chato.
Avó - Mas quem falou em casamento? Estou falando em sexo.

Abaixo o vídeo: 


Lógico que a dita rejeição do público pode ser uma jogada de marketing. O comercial continua disponível no YouTube e a própria atriz que interpreta a avó avisa, em novo comercial, que ele foi retirado devido às críticas, mas que continua disponivel na internet. Até porque, modernamente falando, ele é totalmente possível. Para quem ainda não sabe, acabou-se a era das vovozinhas que ficavam em casa tricotando e cuidando de netos. Graças a Deus, hoje as avós fazem ginástica, viajam, navegam na internet, namoram, tem o direito de achar garotões bonitos e, principalmente, conseguem conversar com suas netas sobre quase qualquer assunto. Em um país que está envelhecendo, inserir o idoso na sociedade e entender que ele pode apreciar o mesmo que um jovem não é nem uma questão de respeito ao próximo. É uma necessidade do mercado de consumo.

O que posso dizer apenas é que para um país que se considera super-democrático e que assegura a liberdade de expressão no capítulo dos direitos fundamentais da Constituição, essa suposta rejeição do público e a abertura de um processo no Conar (conselho que regulamenta a publicidade) contra o anúncio é no minimo intrigante. Será que somos assim tão hipócritas?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sobre não saber o que se quer

Existe um texto que circula na Internet, chamado "Wear Sunscreen" que teve tradução do Pedro Bial há uns 3 ou 4 anos e virou febre na época de Natal daquele ano. Eu sempre preferi o original em inglês. O texto foi uma coluna publicada no Chicago Tribune em 1997 e, mais tarde, foi transformado em música. A lógica do texto é trazer uma série de conselhos para a vida, como se fosse um discurso de formatura para quem está está saindo da escola e entrando na vida. Gosto do texto inteiro, mas uma das partes que particularmente me chama a atenção é o trecho abaixo.

Don't feel guilty if you don't know what you want to do with your life. The most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don't.

Numa tradução não literal (de uma não especialista em inglês), seria algo como "não se sinta culpado se você não sabe o que quer de sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheci não sabiam aos 22 anos o que queriam. Algumas das pessoas mais interessantes que eu conheci ainda não sabem aos 40".

Quanto mais envelheço, e principalmente nessa época do ano em que inscrições para o vestibular estão abertas, mais acredito ser cruel um adolescente de 17 anos ter que escolher a profissão que quer para o resto da vida, sem nunca ter trabalhado e sem ter experiência nenhuma do mundo prático.

Há coisas que você vai fazer por anos até que um dia você acorda e percebe que não nasceu para fazer aquilo. Eu, por exemplo, não sei viver sem prazos. Realmente me sinto perdida sem eles, é como se estivesse navegando sem saber onde vou chegar. Então, em qualquer atividade onde eu não tenha metas e datas bem definidas me perco. Talvez seja uma das razões pelas quais me adaptei tão facilmente à advocacia. O advogado convive diariamente com metas e prazos, "sem choro, nem vela". Perdeu, azar o do seu pobre cliente. Só que eu não me conhecia suficientemente aos 16 anos, quando tive que escolher uma profissão para saber disso. Com 16 anos, eu sabia (e posso reafirmar porque mantenho meu diário da época) apenas:

  • que eu odiava hospitais, então não podia ser médica, enfermeira, bioquímica ou dentista;
  • que eu não podia ser professora (o que excluiu todos os cursos na área do magistério), porque ia ganhar muito pouco e aí não poderia viajar;
  • que eu não queria ser advogada porque era muito tímida e advogados precisam falar;
  • que eu não podia ser jornalista porque era muito tímida e jornalistas precisam falar;
  • que eu não podia fazer nada na área comercial porque não vendia nem rifa;
  • que eu não poderia ser juíza porque não seria capaz de decidir sobre a vida das pessoas;
  • que eu escrevia bem;
  • que eu ia bem na escola em todas as matérias, exceto educação artística;
  • que eu era muito descoordenada em qualquer esporte para cursar educação física;
  • que eu queria fazer um curso de 4 anos, pra poder me formar jovem e comprar um carro;

Então, falando sério, que capacidade tinha eu para decidir que curso fazer? Eu cheguei a fazer um psicotécnico e o resultado foi "é, realmente você está indecisa". Tenho consciência de que nem todos os adolescentes são como eu era, mas são muito poucos aqueles que escolhem uma profissão para a vida inteira aos 17 anos. Então, se eu pudesse deixar um legado para a humanidade (embora eu não esteja tão velha assim pra pensar que seja meu único legado) eu diria para não escolher uma profissão ao terminar o 2º grau. Trabalhe, faça inglês e vá cuidar de crianças por um ano no exterior ou se tiver que escolher, escolha qualquer coisa, mas não tenha medo de trocar com 2 anos cursados. Aliás, não tenha medo de mudar nunca, se for para fazer algo que gosta. Para algumas pessoas, a ficha vai cair com 20 anos. Para outros vai cair só depois dos 30, 40, 50. Mas talvez as pessoas mais fascinantes sejam mesmo aquelas que não sabem o que querem.

sábado, 12 de setembro de 2009

Chuva que não acaba mais

Chove há 5 (cinco) dias praticamente sem parar não só em Porto Alegre, mas em todo o estado do RS. Claro que isso faz com que a maioria das pessoas esteja de péssimo humor. Mas se serve como alento, nem Porto Alegre, nem nenhuma cidade gaúcha estão entre as mais chuvosas do mundo. Minha lista não é científica, mas talvez a quantidade de dias de chuva dessas cidades possa nos fazer pensar que somos felizes.

1) Lloró, pequena cidade da Colômbia, é provavelmente a cidade mais chuvosa do mundo, em quantidade de precipitação (a média é de 13.300 mm por ano). Tutunendo, cidade que localiza-se no mesmo departamento tem uma média de 280 dias de chuva por ano.

2) Bergen, na Noruega, é uma cidade linda, mas com uma média de 250 dias de chuva por ano também é tida como a mais chuvosa da Europa.

3) Seattle (EUA) é conhecida como uma cidade em que chove muito. Na realidade, não chove muito em quantidade, tanto que a cidade não consta de estudo que listou as 10 cidades mais chuvosas dos Eua. A questão é que Seattle apresenta nada mais, nada menos, que uma média de 226 dias nublados ou chuvosos por ano. O recorde em dias consecutivos de chuva da cidade é de 33, em 1953.

4) Vancouver (Canadá) é bastante próxima a Seattle, também fica na costa do pacífico, junto ao litoral. A cidade tem fama de chuvosa, mas possui uma média de apenas 166 dias de chuva anuais. O problema é que entre novembro e março, não é incomum que haja 20 dias consecutivos com alguma quantidade de chuva. Constatei isso pessoalmente quando fiz intercâmbio lá há alguns anos. Em praticamente todos os dias ao menos garoava. E se havia um dia de sol, no dia seguinte você tinha uma certeza: iria chover.

5) Cherrapunji (Índia), é detentora de dois recordes em matéria de chuva: a maior quantidade de chuva em um único ano (22.987 mm em1861) e a maior quantidade de chuva em um único mês (9.299,96 mm em julho de  1861). Os recordes são antigos, mas pelo que se sabe a cidade continua chuvosa. Outra cidade indiana, Mawsynram, disputa com Cherrapunji o título de mais chuvosa da Ásia.

6) Ketchikan, Alasca (EUA). Se você ficou impressionado com os 33 dias de chuva consecutivos de Seattle, ainda não viu nada. Em Ketchikan há um recorde 101 dias consecutivos de chuva, também em 1953. Para quem nunca ouviu falar da cidade, é a quinta mais populosa do Alasca (7.368 habitantes em 2007) e a cidade mais ao sul do estado americano. Acho que não é difícil entender porque tem pouco mais de 7 mil habitantes.

7) Calçoene, no Amapá, município na região do Oiapoque, com 7 mil habitantes e com uma precipitação média anual de 4.165 milímetros é a cidade mais chuvosa no Brasil. Segundo estudo da Embrapa, entre janeiro e junho, são registrados mais de 25 dias de chuva por mês.

Enfim, depois disso estou bem mais animada com meus 5 dias de chuva!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Caminhar, caminhar e caminhar


O mapa da caminhada


A primavera chegando
A bifurcação

Partimos com nossos amigos do Grupo de Caminhadas Moreira (GCM) saindo da Casa do Alecrim, em Canela, com o objetivo de alcançar o Rio Santa Cruz (de onde veríamos a face norte do Vale da Ferradura), em um trajeto denominado Passo Valentim-Rio Santa Cruz.

Chegar na Casa do Alecrim é a parte fácil. Basta pegar a estrada que leva ao parque do Caracol e seguir por ela, mesmo quando o asfalto termina. A Casa está a esquerda de quem vai, bem em frente à Capela Santa Cecília. Foi ali que deixamos os carros.

Juntamos mochilas, lanches e máquinas fotográficas e partimos, seguindo a estrada que inicia em frente à capela (ponto A do mapa). O caminho escolhido não é o tradicional. Portanto, se você decidir fazer o mesmo, esqueça a placa indicativa do Vale que existe em frente à Casa do Alecrim. Siga a estrada que inicia na capela. Se quiser o caminho fácil, esqueça tudo o que vai ler e siga as indicações das placas.

Após cerca de 6 Km, você verá uma ponte, que acompanha um córrego à esquerda. Impossível chegar de carro até ali, só caminhando mesmo. Atravessamos a ponte e seguimos até o final dessa estradinha. Ali, viramos à esquerda e continuamos. Se seguíssemos reto, dali a uns 9 Km chegaríamos ao Vale da Ferradura. Caminhada para bravos, principalmente se considerarmos que ainda havia o retorno! Mas seria o caminho mais fácil e a vista, dizem, recompensa.

Por isso mesmo, optamos por seguir a indicação de um morador do local. Após caminhar mais ou menos 6 Km, passamos por uma casa com uma pequena igreja ao lado (identificada por uma cruz a frente). Mais uns 400m e chegamos a uma bifurcação à direita, bem em frente a uma casa verde. Seguimos por ali, sempre reto. Passamos por duas cercas e chegamos a um ponto mais úmido, onde a estradinha se transformava em trilha mesmo. Segundo as indicações, se seguíssemos por ali mais um pouco chegaríamos ao rio pelo alto, de onde veríamos uma cascata. É possível descer, porém, não é uma descida fácil, segundo os moradores. Dado o avançado da hora, decidimos retornar antes de alcançar esse pedaço. Acabamos caminhando uns 20Km no total. Com muita alegria chegamos novamente à Casa do Alecrim, onde nos esperava um café com bolo e biscoitos. Destaque para o chá de sabor cítrico que é o segredo da proprietária. Adorei.

Da caminhada duas lições:
- Existe uma entrada, pouco antes de São Fracisco de Paula (na estrada entre Canela e São Chico) que nos levaria mais ou menos ao ponto
- Dificilmente se consegue chegar nesses pontos mais desconhecidos sem informação dos moradores locais (no final da caminhada, nossos amigos conseguiram essas informações, mas isso já no retorno). Só pelos mapas da internet não foi possível chegar.

A esse ponto, você pode pensar que o passeio foi uma indiada. DE MODO ALGUM. Pra quem pertence a um grupo de caminhadas e adora isso, o importante é caminhar com os amigos, ouvir o som dos pássaros, dos córregos, (tá, bom ajudamos a alimentar mosquitos também), sair do barulho da cidade, ter o contato com a natureza, desestressar e encontrar gratas surpresas. Enfim, caminhar é isso, então cumprimos nosso objetivo e voltamos com baterias recarregadas. Da próxima vez chegamos lá!

sábado, 29 de agosto de 2009

Trilha: Caminho de Itupava

O Caminho de Itupava é uma trilha pouco conhecida pelos gaúchos, mas eu poderia chamá-la de "Caminho Inca Paranaense". Fizemos a trilha em 2007, com o GCM (Grupo de Caminhadas do Moreira). Foi um programa tipicamente turístico: juntaram-se 17 pessoas, alugou-se um micro-ônibus e aproveitamos um feriadão para a viagem. Saímos de Porto Alegre em uma sexta-feira, cedinho da manhã, viajamos durante a sexta, chegando a Curitiba no final da tarde. Descansamos à noite em um hotel, porque afinal de contas foram mais de 700 Km.

A trilha foi feita no sábado. Sobre ela, falo a seguir. No domingo, no final da manhã iniciamos a viagem de retorno, chegando em Porto Alegre em torno das 22h. Muitos diriam que foi a legítima indiada... Viajar 1400Km para caminhar 20km? Bom, eu diria que ainda houve um agravante. Na viagem de volta, algumas pessoas tiveram um probleminha intestinal, provavelmente devido a algo que comemos na noite anterior. Foi um retorno tragicômico. Mas estávamos entre amigos e ainda acredito que tudo foi diversão. Hoje quando o grupo se reencontra, lembramos e rimos muito desse momento.

Mas vamos ao que interessa, a trilha!

1) O que é o Caminho de Itupava?
O Caminho do Itupava é uma trilha histórica que ligava Curitiba a Morretes. Durante mais de três séculos foi a principal (senão a única) ligação entre o litoral e o planalto paranaense. Acredita-se que a trilha tenha sido aberta por índios e mineradores e calçada com pedras por escravos. Antes de existir a ferrovia a trilha era um meio de desenvolvimento econômico, inclusive, por ela trafegava a produção de uma região para a outra.

O interessante (e é por isso que a chamei de Caminho Inca Paranaense) é que trilha ainda conserva intacto parte do calçamento original. Ali você vai encontrar parte da natureza da Serra do Mar, riachos, pequenas quedas d'água, bromélias, pássaros e ainda terá uma aula da história paranaense, conhecendo a ferrovia e as ruínas da antiga Casa do Ipiranga.

2) Como chegar?
O ponto de partida é a cidade de Curitiba. Se está de carro ou em um micro-ônibus como nós, você deve seguir até Quatro Barras (cidade da Região Metropolitana de Curitiba). É uma cidade pequena, dificilmente você se perderá. Siga pela rua principal, e mais para frente, siga as placas indicativas de Borda do Campo, um bairro desta cidade. Siga pela avenida principal do Bairro, até o final. A trilha começa um pouco adiante do ponto final da linha de ônibus Borda do Campo (caso tenha que perguntar esse é um bom ponto de referência).

Você pode optar por fazer a trilha partindo de Porto de Cima (que é a chegada para quem parte em Quatro Barras), mas não nos recomendaram fazer isso, pois nesse caso subiríamos ao invés de descer, o que seria muito mais desgastante.


3) Qual a distância, duração e o grau de dificuldade da trilha?
A trilha tem aproximadamente 20 Km. Nós não estávamos com muita pressa (a não ser no finalzinho, quando começou a chover). Então partimos em torno das 9h da manhã e terminamos em torno das 17h, parando para piquenique. Quanto ao grau de dificuldade, eu diria que é médio. A trilha é praticamente toda calçada, porém, as pedras são bastante lisas e irregulares, então é muito fácil escorregar. Praticamente todas as pessoas do nosso grupo levaram ao menos um tombo, mas sem grandes arranhões. Existem alguns pontos, na segunda metade, próximo à Estação do Cadeado com descidas e degraus que exigem um pouco mais de atenção.

4) Pode acampar na trilha?
Em teoria não é permitido acampar na trilha. É o que nos disseram na entrada e também o que se lê nos sites de referência. Nós não acampamos. Mas vimos pessoas acampadas durante nossa passagem. Eu não arriscaria.

5) Existe infra-estrutura de apoio?
Não muita. É muito difícil você se perder na trilha, ela é quase totalmente calçada e bem marcada. Obviamente não há banheiros. Porém, são 20Km e se você se machuca lá pelo Km 10, não tem jeito, tem que caminhar. Para emergências, é possível resgate através da estrada de ferro que passa em pelo menos dois pontos da trilha. No final da trilha, há um centro de visitantes onde é você obtém informações para retornar, banheiro e eventual auxílio.

6) E pra quem vem de longe, onde ficar?
Nós viemos de Porto Alegre e passamos a primeira noite em Curitiba. Assim, como Porto Alegre, Curitiba esvazia nos feriados prolongados, então, é possível conseguir hotéis por bons preços (creio que até por R$ 90 o casal). Na segunda noite, dormimos em uma pousada em Morretes. Recomendo visitar a bela cidadezinha e comer o tradiconal Barreado (prato típico da região, (é uma carne cozida em panela de barro por cerca de vinte horas, o que acaba por desfiá-la, servida com arroz e farinha de mandioca).

7) Quais as principais atrações no caminho?
Existe um roteiro recomendado que pode ser utilizado como guia. Porém, falo brevemente dos pontos que mais me impressionaram, ilustrados pelas fotos a seguir.
  • O caminho em si, com seu calçamento antigo e irregular. Realmente é uma trilha, você não vai ter nenhuma dúvida disso.
  • As bromélias, com seu colorido avermelhado em contraste com o verde da vegetação.
  • As pontes, riachos e quedas d' água.
  • As ruínas da Casa do Ipiranga - construída para ser a residência do engenheiro chefe da linha de trem.
  • As ruínas da antiga hidrelétrica da qual se vê duas cachoeiras que formam uma grande piscina natural, usada para banho por visitantes.
  • Caminhar pela linha férrea ainda em atividade e vislumbrar um trem de carga passando com muitos, mas muitos vagões (não contamos, mas acho que eram uns 40).
  • Chegar à Estação do Cadeado, depois de uma descida não muito fácil e descansar no local (ou aproveitar para caminhar mais um pouco pela linha férrea).
  • Passar pelas pontes suspensas.
  • Se for verão tomar um banho nas cachoeiras ou nas prainhas.
  • Terminar a trilha, depois de muito caminhar e sentir dor nas pernas, mas também aquela sensação de bem estar por ter conseguido.






A trilha reserva cenários como esse

Mais da metade do caminho da trilha é composto desse tipo de calçamento

Como a trilha cruza a ferrovia, nos deparamos com um comboio de trens

Esse é o Santuário do Cadeado, ponto de descanso, mais para o final da trilha

No detalhe, a ferrovia e um dos caminhantes descendo a escada para o Santuário do Cadeado

Uma das quedas d'água do caminho


O melhor site de referência para o Caminho de Itupava é o altamontanha.com. Tem informações bem mais completas que esse humilde blog.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A extinção das cartas

Em primeiro lugar, quero dizer que não sou ninguém sem Internet, porque afinal de contas foi o meu "ganha-pão" durante mais de dez anos. Além disso, é fantástico descobrir qualquer coisa sobre filosofia grega ou sobre como manter uma horta num apartamento em minutos. Meu marido jamais teria aprendido a cozinhar sem a Internet e nós jamais teríamos viajado para Urubici se não tivesse descoberto a cidade na Internet. Enfim, eu poderia falar durante horas sobre isso, mas não é o objetivo.

O fato é que recebi recentemente (e com muita surpresa) aqui no blog a mensagem do Lauro, um amigo do qual não ouvia falar há muitos anos.

Nos anos 80, época onde Internet era algo inimaginável (eu sei que já existia, mas a Era "pré-WWW" no meu universo era algo inimaginável), havia algo chamado Correio da Amizade em revistinhas de histórias em quadrinhos. Creio que quando tinha uns 13 anos enviei o meu nome para o tal Correio e ele foi publicado. Recebi algumas cartas de amigos e troquei cartas com vários deles, de todo o país, durante algum tempo. Algumas dessas amizades duraram por toda a minha adolescência e essa pessoa que agora me encontrou foi, sem dúvida, a mais longa delas.

Eu falava dias atrás que não se trocam mais cartas, o que em grande parte facilitou a vida de todo mundo. Você manda um e-mail em dois minutos ao invés de escrever em papel, colocar em um envelope, digitar três linhas de endereço mais o remetente, selar, ir ao correio e esperar durante um mês pelo resposta. E-mail é grátis e você recebe retorno rápido e sem praticamente qualquer interferência humana.

Nós não nos surpreendemos mais de conversar com pessoas que estão em Belém ou no Japão. Na verdade nós conhecemos e descartamos pessoas com um clique. Mas nos anos 80, receber cartas de Belém, Teresina ou do interior de São Paulo, para uma adolescente que morava no interior do RS era algo muito, mas muito legal. Nós sabíamos menos sobre o mundo do que qualquer criança alfabetizada hoje e tínhamos curiosidade de saber como era em outros lugares. É provável que estas cartas tenham influenciado o fato de eu continuar gostando de escrever ao longo dos anos. E, acho que os e-mails superficiais que enviamos hoje escritos em miguxês, nos fizeram perder um pouco disso. Você não passava o trabalho de ficar na fila do correio e pagar um selo com a sua mesada para escrever duas frases em uma carta. Você pensava durante dias sobre o que iria escrever. Às vezes comprava até papel de carta. Então não adianta, cartas escritas à mão têm um encanto que e-mails e SMSs não conseguem reproduzir.

Quando era criança, algumas pessoas se lamentavam por não existirem mais bondes. Outra vez eu li uma crônica (não me recordo mais onde) em que autor lamentava que não houvesse mais o leiteiro, a deixar o leite e o pão na porta de casa de manhã cedinho. Claro que é mais prático você comprar o pão fresquinho na padaria. Imagino que o leite deveria azedar no calor e o pão gelar no inverno. E claro que ônibus são muito mais adequados ao nosso ritmo de vida que os bondes. Mas havia certo encanto. Digo o mesmo com relação à substituição de cartas por e-mails, de e-mails por sms, de sms por twitter... tudo isso aproximou as pessoas e fez você reencontrar seus velhos amigos, mas acabou-se a poesia.

PS: Se o Lauro estiver lendo, escreva pro e-mail do blog (coisasdaane@gmail.com), quero seu contato também!

sábado, 15 de agosto de 2009

A Mostra de Arte Francesa no MARGS

O programa do mês, aqui em Porto Alegre, é visitar a Mostra "Arte na França 1860 - 1960: O Realismo" no MARGS. A mostra está aberta até 30/08 e o ingresso é 1Kg de alimento não perecível. Imperdível pelos seguintes motivos:

* Não é todo dia que temos uma exposição de arte de alto nível na cidade.
* É uma boa oportunidade para você aprender um pouco sobre arte.
* É um programa que você pode fazer só, com seu sobrinho de 7 anos, com sua avó ou com toda a família.
* O ingresso é muito pouco e você ainda ajuda quem necessita de alimento.

Obviamente, que na visita, você não verá apenas obras desse período. Verá também obras do próprio Margs e outras bem contemporâneas. Mas a obra mais visitada por todos, sem dúvida, é "As Meninas", de Renoir. Não sou grande conhecedora de arte, mas consigo entender porque certos artistas se tornaram tão cultuados.
Do mesmo modo, nas pinturas "retratos", muitas vezes, parece que o retratado está olhando para você. Os olhos tem um brilho e uma luz que apenas os bons conseguem retratar. E com relação às paisagens, elas também apresentam um jogo de luz e sombra que "qualquer um" não pinta.

Repare na reprodução da obra ao lado. Talvez seja algo que só tenha transparecido aos meus olhos, mas olhando a menina que rema tanto pela direita, quanto pela esquerda, pareceu-me que ela continuava olhando para o meu lado. As próprias cores das ondas do rio, parecem variar conforme a luminosidade. Gostei. Mais do que das meninas.

Então, se consegui animá-lo, não perca a oportunidade. Mas se for nos finais de semana, dê preferência para para o turno da manhã ou início da tarde. Chegamos umas 14h e ficamos uns dez minutinhos na fila da entrada apenas. Tinha gente, mas ainda era possível enxergar os quadros. Quando saímos, a fila estava imensa e já estava bem mais difícil se movimentar lá dentro. A visitação de terças a domingos, das 10 às 19 horas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

José Saramago, o Twitter e o Miguxês

José Saramago, um dos mais célebres escritores do nosso tempo, disse em recente entrevista para O Globo que os 140 caracteres do Twitter a refletem a "...tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido." Não sou assim tão radical com relação ao Twitter. Até tenho minha conta lá e acho que ele é ótimo para chamar a atenção para alguns assuntos. Basta colocar o link pro assunto e quem tiver interessado clica e lê. Tenho usado para divulgar os posts do blog, inclusive.

Porém, Saramago sabe o que diz. Os jovens (e muitos adultos também) tem preguiça de escrever. Não tenho dúvida de que o Twitter se popularizou justamente por causa dos tais 140 caracteres. Poucos tem talento para escrever mais do que isso hoje. Não se escrevem mais cartas. Aliás, muitos dos meus amigos têm preguiça até de escrever e-mails. Então, o Twitter é o único meio de você receber notícias (monossílabas) deles.

Mas muito mais grave do que o Twitter, é o tal do miguxês. O miguxês é uma espécie de dialeto da lingua portuguesa, utilizado principalmente por crianças e adolescentes na Internet ou em celulares, que consiste em suprimir caracteres dos textos ou trocá-los por fonemas da linguagem falada (há quem diga que as origens remontam à época do Movimento Xuxista). Se você não captou o que estou falando, visite o Dicionário Português-Miguxês. Em miguxês, uma frase como "Hoje está muito frio e chuvoso." viraria "hj tah mtu friu i xuvosu......".

O problema é que desse modo, além de escrever pouco, eles se habituam a escrever errado. Se você escreve "axo" no lugar de "acho" ou "xatu" no lugar de "chato" diariamente, vai chegar o momento em que terá que escrever um texto formal ou mesmo uma redação para o vestibular, e vai escrever desse modo. Professores, inclusive, reclamam dos textos escritos por seus alunos em miguxês que crêem que escrever desse modo seja a coisa mais normal e correta do mundo. Agora, imagine pré-adolescentes de hoje no mercado de trabalho daqui a 10 anos. O garoto vai enviar uma correspondência comercial, mais ou menos assim:

aih meu xXxapah!!!

somus 1 empreza d representassoes i temus em nossu kadru apenas profissionais altamenti kapacitadus na area d informatica i disenvolvimentu d softwares...motivu pelu kau manifestamus nossu interessi em representah-lus...kom exclusividadi...na cidadi d portu alegre......

kasu haja interessi por parti d sua empreza...kolocamu-nus a disposissaum p novus kontatus...em ke possamus detalhah nossa proposta......

agradecemus antecipadamenti a atenssaum......

vlw i t+,

fulanu d tau


E aí, sou obrigada a concordar com Saramago: estamos ladeira abaixo rumo ao grunhido.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os Parques da Califórnia

Quando se fala em parques na Califórnia, muita gente pensa em DisneyLand. No entanto, o estado americano oferece muito mais do que apenas parques temáticos. Existe uma diversidade enorme de paisagens entre o norte e o sul do estado. Viajei pelo estado em 2003 e trago boas recordações de três parques nacionais que lá visitei, cada qual no seu estilo e completamente diferente do outro. Então, para quem for viajar pra lá e quiser conhecer lugares pouco conhecidos entre nós, brasileiros, que fogem um pouquinho do tradicional, seguem algumas dicas.

Dica geral número 1: consiga um carro. Se não tiver companhia nativa, alugue um. Dificilmente você conseguirá visitar os parques sem veículo próprio, já que o transporte público interestadual nos Eua é muito ruim. Com um bom mapa, você consegue se achar relativamente fácil nas estradas. Existem bons mapas rodoviários do estado nos EUA que podem sem adquiridos em qualquer papelaria.

Sobre os parques:

1. Joshua Tree National Park
É um parque localizado a sudoeste da Califórnia. Fica a cento e poucos quilômetros de Los Angeles e sua principal característica é estar localizado em dois desertos: Colorado e Mojave. Eu nunca havia estado em um deserto antes, então, o que posso dizer é que não me pareceu tão seco, quanto eu imaginava. A umidade média fica em torno de 25%. A temperatura no outono é bem agradável, entre 10º e 29º C. Dizem que no verão chega a 40º C.

O nome do parque, Joshua Tree, é devido a predominância de uma árvore com esse nome na vegetação. A vegetação é composta basicamente de um arbusto semelhante a capim, cactus e essa árvore.


Para percorrer os muitos quilômetros do parque (nós nem chegamos a percorrer tudo, porque ele é enorme), você vai precisar de carro. Durante o nosso passeio, também encontramos alpinistas escalando rochas e mesmo pessoas acampando. Há quem diga que o parque é excelente para observação de pássaros, mas creio que seja necessário algum conhecimento mais profundo do assunto. Também é possível percorrer trilhas, algumas guiadas, dependendo da época do ano e do horário.

Existe um passe que você pode comprar para o carro e todos os seus ocupantes. Pelo que sei, o passe vale por 7 dias, então você paga em torno de US$ 15 e poderia entrar e sair quantas vezes quisesse por 7 dias.

Na minha opinião, mesmo que você não seja alpinista ou não goste de caminhar, o parque vale a visita pela paisagem peculiar. Ainda não encontrei nada parecido em outro lugar.

2. Sequoia & Kings Canyon National Park
Quando visitei o Sequoia & o Kings Canyon (são dois parques "grudados"), fiquei com torcicolo. Isso, porque você passa muito tempo olhando para cima nesses parques. São os parques que abrigam as Sequóias gigantes, árvores com até 100 metros de altura muito, mas muito antigas.


Nesse parque está o que se acredita ser o ser vivo mais antigo do planeta: uma árvore chamada General Sherman, que, acredita-se possa ter 2.700 anos.

Além das Sequóias, que realmente impressionam devido à altura e largura do tronco (algumas tem mais de 100 metros de altura e 30 metros de diâmetro no caule), o parque oferece aquelas atrações básicas de parques: camping, trilhas, contato com a natureza.

Os dois parques são enormes, chegam a ocupar 1,635.14 km2. Visitando o parque, você também consegue entender porque é tão difícil controlar os incêndios na estação mais seca: com todo aquele tamanho e tanta madeiras, realmente é uma tarefa hercúlea apagá-los. Você percebe, em várias das árvores, inclusive, marcas de incêndios em seus troncos. O diâmetro do caule as ajuda a sobreviver.

Outra atração do Kings Canyon é uma rocha chamada Moro Rock. Existe uma trilha (curtinha) que leva você ao topo da rocha, contornando-a através de degraus "cavados" na rocha. A vista é incrível, especialmente no final da tarde.

O Sequoia National Park fica próximo da cidade de Visalia, aproximadamente a 370Km sudeste de San Francisco.


3. Yosemite
Você chega a Yosemite dirigindo aproximadamente 3.5 horas a partir de San Francisco. A paisagem do parque é muito interessante, há um contraste entre rochas, águas e árvores. Parece ser um lugar bastante utilizado no verão dos californianos para camping e finais de semana ao ar livre. Chama a atenção as muitas placas alertando para as pessoas não deixarem comidas expostas, por causa dos ursos. Não, não tive o prazer de encontrar nenhum. Eu fui no outono, acho que estavam todos hibernando.

Vi muita gente escalando as rochas, parece ser uma atividade bastante concorrida. Dizem que há 1300 km de trilhas para "hiking". Tentador para quem gosta.

Igualmente, na entrada no parque, para carros paga-se uma taxa válida por 7 dias (aproximadamente US$ 20).



Dica final: Se pretende ir, não deixe de visitar o site dos Parques Nacionais dos EUA, lá você encontra mapas dos parques e das estradas com todas as direções. Muito útil.