segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Confusão do ENEM

De toda essa confusão com as provas do ENEM uma coisa é cristalina de tão clara: falta planejamento da execução. Sei que foram diversas irregularidades, mas duas saltam aos olhos:

1) é inconcebível que ninguém tenha se dado conta de revisar a prova e verificar que havia duas questões iguais;

2) é inconcebível que não houvesse uma orientação padrão para os fiscais dos procedimentos a serem adotados em todos os locais de prova, caso alguma irregularidade fosse encontrada durante a aplicação da mesma.

Digo isso, porque ouvi dizer que em alguns lugares os fiscais tomaram a liberdade de dar aos alunos uma hora a mais para resolver a prova. Em outros, não. Em matéria do UOL, uma aluna disse que foi instruída a "anotar os erros que encontrasse no verso do cartão de respostas".

Ora, se em alguns dos lugares alunos tiveram uma hora a mais, logicamente tiveram um benefício que não foi estendido a todos. É uma decisão que não caberia a fiscais. E anotações no verso de cartão de resposta podem caracterizar identificação de prova, para os corretores, quer dizer, a pessoa ainda corre o risco de ser eliminada por uma má orientação.

O ENEM custou aos cofres públicos quase R$ 200 milhões e sou capaz de apostar como a prova será anulada (ou pelo menos o primeiro dia dela). O pior é que duas medidas simples poderiam ter evitado a catástrofe. Primeiro, um simples revisor poderia ter lido a prova após a impressão. Outro revisor, poderia ter conferido o gabarito. Segundo, os organizadores deveriam divulgar aos locais de prova ou colocar no próprio caderno de questões qual seria o procedimento em caso de problemas com questões da prova. O normal num concurso é ninguém reclamar na hora e se entrar com recurso depois. O que não é possível é conceder a alguns alunos privilégios que outros não terão.

Não é preciso ser muito inteligente pra saber que haverá uma enxurrada de alunos e pais de alunos recorrendo ao Judiciário e aos seus órgãos auxiliares (Defensoria, Ministério Público) lamentando a oportunidade perdida e, talvez, até usando a prova para conseguir a vaguinha na universidade pública no tapetão. Isso sem contar o custo com eventual reaplicação de prova. E agora, quem vai pagar a conta?

domingo, 31 de outubro de 2010

Fim de tarde no Taim

Algumas vezes, as viagens nos trazem gratas surpresas que não foram planejadas. Retornando do Uruguai pelo Chuí, passamos no final de tarde pela Reserva do Taim e captamos o momento da foto ao lado.

Até onde sei não existe um roteiro de visita turística ecológica à reserva, pois o objetivo principal é proteger o ecossistema e estudá-lo. Mas se você desacelerar e parar no acostamento (não existem muitos pontos de parada e, em tese, a velocidade máxima é de 60Km, embora poucos respeitem), vai conseguir ver capivaras, muitas aves, tartarugas e, quem sabe, até jacarés.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

La Paloma

La Paloma é um balneário uruguaio feito para famílias, localizando-se cerca de 228 Km norte de Montevideo e 689 Km sul de Porto Alegre. Digo que foi feito para famílias porque é um lugar tranquilo, com algumas praias de mar calmo e outras de mar mais agitado, próprias para surfistas.

Para chegar a partir do Brasil, deve-se pegar a BR 471 até chegar ao Chuí, dali pegue a rodovia 9 até Rocha e depois continue 28 quilômetros pela rodovia 15 até chegar a La Paloma.

O lugar é calmo, mas tem alguns restaurantes e um pouco de comércio. Fora de temporada, não existem muitas opções de hospedagem, mas há pelo menos dois hotéis, facilmente visíveis do centro: o Bahia  e o Viola. O point, fora da estação, pareceu ser uma sorveteria, a única aberta em outubro.

Existem duas principais atrações, fora a praia: subir no farol e observar as baleias. O farol, com seus 143 degraus, é a construção que mais aparece quando você chega ao lugar. Vale a pena a visita, pois a vista lá de cima é incrível.

A outra atividade é procurar as baleias. Nós as vimos pela primeira vez nos molhes do porto. Parecia haver 2 ou 3 nadando para o sul. As fotografias não ficaram muito boas, mas elas estavam lá (tente encontrá-la na foto ao lado). Disseram-nos que a espécie de baleias encontrada por ali é a franca austral, diferente das baleias encontradas no Brasil. Aliás, os molhes são bastante visitados nas tardes de domingo tanto para pesca, como para observação das baleias.

Sobre as praias, existem as de mar mais calmo, localizadas mais próximas da bahia e do farol (mais a esquerda do farol) e as de mar mais agitado. La Pedrera, point de surfistas é uma parte de La Paloma, tem um povoado próprio, mas é minúscula. Passamos por lá em um mês de janeiro anos atrás e agora, em outubro. Posso dizer que em janeiro é quase inviável transitar nas ruas estreitas, mas em outubro o lugarzinho pareceu bom para um final de semana tranquilo.

No domingo à noite, havia uma banda de rock tocando no canteiro central da cidade, em frente a um enorme osso de baleia que parece representar o balneário. Som em volume adequado pra quem queria ouvir, sem atrapalhar quem não queria ouvir.
Se você for a La Paloma em janeiro ou fevereiro, será bem difícil conseguir hospedagem sem reserva. Passamos por isso há algum tempo. Lembro que queriam nos cobrar US$ 60 a diária em um hotel que sequer ventilador de teto tinha. Fora de temporada os preços baixam bastante, consegue-se hospedagem na faixa dos US$ 35-40 para o casal.

Existem muitas opções de aluguel para esta época, mas a maioria dos hotéis e pousadas fecha durante o ano. Também há opções de aluguel de casas e cabanas.

Quanto aos restaurantes, fora de temporada havia o La Ballena, na avenida principal, pequeno e bem decorado, com comida e preços bem razoáveis.

Indico o local como ponto de passagem para quem está indo para Montevideo ou Punta del Este ou para passar um feriadão com paz e silêncio, mas com relativo conforto, infra-estrutura e segurança.

sábado, 16 de outubro de 2010

Dia e noite em Cabo Polônio

Amigos sempre nos diziam que Cabo Polônio era um lugar único. Depois da visita, tendo a concordar com a afirmação. Talvez não seja um lugar único, mas é um dos poucos lugares em que você consegue ficar quase  afastado da civilização. Mas chega a ser um lugar onde você fica sem comunicação ou sem nenhuma espécie de energia elétrica. Consegue-se relativo conforto e até banho quente. Aí vão as dicas pra quem quiser ser aventurar.

Como chegar
Você não vai a Cabo Polônio com seu carro, a menos que ele seja uma caminhonete 4x4. Existem duas opções de acesso:

1) Por Valizas: Você deve deixar o carro na Barra de Valizas, senão a caminhada é maior. Não há estacionamento pago e coberto, mas fora de temporada você consegue deixar o carro em uma das vagas próximas da praia. Dali nos disseram que são cerca de 8Km de caminhada pela praia, mas olhando parece mais.

Lembre-se que, durante essa caminhada, você passará por praias desertas, sem nenhuma estrutura de apoio.

2) Com veículos próprios: Existe um ponto facilmente visível na estrada de onde saem os caminhões de transporte para Cabo Polônio. O valor do transporte fica em torno de R$ 15 (ida e volta). Existem horários fixos fora da temporada. O último sai às 19h30min. Para retornar, os horários fixos são às 6h, às 11h, às 14h, às 16h, às 18h e às 20h. No entanto, se existem passageiros, os caminhões saem conforme vão se preenchendo. No verão, com certeza eles são mais frequentes.

São 7Km pelo areal, com direito a muitos solavancos. Você pode fazer esse trajeto a pé também, mas não deve ser nada fácil caminhar 7Km por dunas e areia fofa. Não recomendo. Depois, o veículo anda mais uns 2Km pela praia até chegar no que se chama de vila de Cabo Polônio, onde é o ponto final. O trajeto completo dura entre 20-30 minutos.

Você pode deixar o carro no estacionamento improvisado em torno desse local onde se pega o transporte. Não dá pra dizer que ele será vigiado, mas como é na entrada de um parque, pelo menos há guardas florestais durante a noite e bastante movimento durante o dia. Como o Uruguai ainda é um lugar tranquilo em relação a furto de automóvel, creio que dá pra confiar.

Infra-estrutura
Esse é o ponto que gera mais curiosidade em quem pretende ir a Cabo Polônio. Primeiro: há telefone. Os públicos são de ondas curtas, movidos a energia solar. Raridade. Mas fique calmo, porque há sinal de  celular.

Não há energia elétrica pública, exceto no farol. Observamos que os moradores, pousadas e restaurantes possuem algum tipo de energia: solar, eólica ou geradores. Obviamente, os geradores são ligados no final da tarde e desligados em torno das 10h30min da noite, fora da temporada. Não sei dizer se no verão ficam até mais tarde.

As pousadas são simples. Ficamos no que dizem ser a melhor delas, a La Perla del Cabo, fone (598) 470. 5125, e Mariemar, fone (598) 470.5164 A diária saiu R$ 80 para o casal, em um quarto pequeno, mas bem limpo, com banheiro privativo, banho bem quente e café da manhã. O único problema é que o vaso sanitário não tinha tampa, o que para nós, mulheres, é um problema. A pousada também tem uma localização excelente: a beira-mar e próxima ao farol e ao ponto de observação dos lobos-marinhos.

Nas pousadas, normalmente se serve janta (a parte), mas comer não me pareceu um problema. Há alguns restaurantes improvisados, que servem peixes, massas e até omelete de algas.

Existem outras pousadas mais econômicas, um hostel e também é possível ficar em casas de moradores locais, dizem que se consegue até preços de US$ 10 nessas acomodações mais simples.

Não há muito o que fazer de noite. Na nossa pousada, ao desligar o gerador, exatamente às 10h30min da noite, reinava o silêncio absoluto.

Venta muito à tarde e o vento é frio. Fomos em outubro e precisei de blusão de lã e casaco. Pra caminhar e aproveitar a praia, o melhor mesmo parece ser o período da manhã.

O que fazer em Cabo Polônio
1) Visite o farol. Você pode subir os 132 degraus e avistar o povoado inteiro, pagando R$ 1,50. A vista é linda.

2) Caminhe pelo povoado. É uma sensação única, pois não há ruas ou pátios de residências próprios. Você caminha por onde quer, seguindo apenas sua orientação e desviando das galinhas e pássaros do caminho. Aliás, quase fomos atacados por um casal de quero-queros que cuidava do seu ninho, supostamente enterrado no chão por onde estávamos passando.

3) Caminhe pela praia deserta até as dunas. Não é uma caminhada muito longa e Cabo Polônio ainda é dos poucos lugares em que você consegue subir nelas e ficar de bobeira apreciando a vista em total silêncio e privacidade.
4) Se estiver quente o suficiente, curta a praia sem ser incomodado por NENHUM vendedor.

5) Para quem gosta, é possível surfar em Cabo Polônio.

6) Observe os lobos marinhos. Eles ficam nas pedras próximas ao farol e também em três pequenas ilhas que se avista dali.

7) Passe uma noite em Cabo Polônio. Saímos para a rua em torno da meia-noite para observar as estrelas. O céu é muito, mas muito diferente do céu da cidade. A única luz disponível nesse horário é a que vem do farol. Uma experiência diferente de tudo o que você está acostumado.

    sexta-feira, 8 de outubro de 2010

    4 horas em Curitiba

    Se você tiver apenas quatro horas em Curitiba um dos lugares mais interessantes pra se visitar é o Jardim Botânico. O lugar é lindíssimo e muito bem cuidado. Além disso, não há custo para visitação.

    No nosso caso, tínhamos um intervalo entre uma conexão e outra de aproximadamente quatro horas. Como o aeroporto de Curitiba é em São José dos Pinhais, ficaria um pouco caro pegar táxi para ir até o Jardim e retornar ao aeroporto (dá mais ou menos uns R$ 80 por trecho).

    Porém, existe um serviço de micro-ônibus que sai do aeroporto e passa por alguns pontos no centro de Curitiba. O valor da passagem é R$ 8 e a viagem dura em torno de 30 minutos. Além disso, em dias úteis, o intervalo a cada viagem é de 20 minutos. E ele é bastante pontual.

    Descemos na primeira parada, a rodoviária. Lá facilmente encontramos um táxi que nos levasse até o Jardim Botânico por menos de R$ 10.

    Para retornar ao aeoroporto, tomamos novamente um táxi no Jardim, mas pedimos para que nos levasse ao Shopping Estação que é o último ponto do micro-ônibus antes de retornar ao aeroporto. É um shopping bem bonitinho, construído em uma antiga estação de trem. Ainda deu tempo de uma visita relâmpago nele. Igualmente gastamos uns R$ 10.

    Como já disse o lugar é lindo. Os gramados e flores são muito bem cuidados. A construção que aparece nos cartões-postais de Curitiba é uma estufa, que abriga plantas da floresta atlântica brasileira.

    Além disso, o Jardim Botânico conta com um espaço bem interessante chamado de "Jardim das Sensações", lago, um espaço para exposições, quadras esportivas e um velódromo.

    Com relação ao Jardim das Sensações cabe um comentário: é uma trilha de 200 metros de extensão que você pode percorrer de olhos vendados, sentindo as plantas com as mãos, e aspirando seu perfume. Mesmo que não queira vendar os olhos, o lugar oferece uma sensação de calma e paz raras na cidade grande.

    Visitas: diariamente, das 6 h às 21 h (no verão) e das 7 h às 20 h (no inverno).

    domingo, 3 de outubro de 2010

    Os últimos passeios em Foz

    Pra terminar os posts sobre Foz, seguem outros passeios que você pode aproveitar para fazer por lá.

    Parque das Aves
    Este parque privado fica em frente ao Parque Nacional das Cataratas. Você pega o mesmo ônibus para chegar lá (Aeroporto-Parque Nacional). A diferença é que deve descer na penúltima parada.

    Lá são encontradas aves tropicais coloridas que voam em amplos viveiros integrados à floresta. Os visitantes têm a oportunidade de entrar nesses viveiros para conhecer de perto a vida das aves. Além delas, há jacarés, sucuris, jibóias, sagüis e borboletas.

    Site Oficial: http://www.parquedasaves.com.br/v2/br.htm

    Mesquita Muçulmana
    Para quem se interessa por conhecer uma cultura diferente, faça uma visita à mesquita. É recomendável que você agende antes, para receber explicações e ter uma visita completa. Nós fomos num sábado pela manhã e só conseguimos ver o templo, que é belíssimo e tirar algumas fotos. Se você passa por perto à noite, a iluminação dele, inclusive, chama a atenção. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 9h às 18h.

    Para chegar lá, Você pode pegar no Terminal Central qualquer ônibus onde esteja escrito "Ponte de Amizade" ou "Conjunto C" e descer na primeira parada após o Supermercado Big. Siga pela rua do Big por umas três quadras, vire à esquerda e depois a direita e você estará no templo.

    Templo Budista
    Não chegamos a visitá-lo, pois é um pouco afastado da cidade, mas nos aconselharam a ir de táxi ou pelo menos ir com a linha de ônibus "Porto Belo" até a Vila Porto Belo e depois pegar um táxi, já que a vizinhança não parece ser muito amistosa. O templo fica aberto à visitação de terça à domingo das 9h às 17h (domingo fecha mais cedo).

    Marco das Três Fronteiras
    Você pode visitar o marco tanto no lado brasileiro, como no lado argentino. Fomos aconselhados a visitar pelo lado argentino, que dá uma melhor visão dos três marcos: o brasileiro, o paraguaio e o próprio argentino. Mas depois visitamos também o brasileiro e não achei muita diferença. Na foto ao lado, você vê o marco brasileiro e lá, bem ao fundo, o argentino. O paraguaio está escondido à direita na foto.

    Você pode aproveitar para visitar o marco argentino quando for visitar o lado argentino das cataratas. Se estiver de carro, entre na cidade de Porto Iguaçu e peça indicações. Se estiver de ônibus, igualmente, peça indicações na rodoviária, pois você precisará pegar um ônibus local. O ônibus que vem do Brasil não passa por lá.


    Para visitar o marco do lado brasileiro, você pode pegar no Terminal de Transporte Urbano (TTU) o ônibus "Porto Meira" e descer no final do ponto. Ainda terá que caminhar um pouquinho, peça informações ao cobrador.

    O lugar é meio ermo, não vá à noite. Na volta ainda tivemos que andar um pouco mais para pegar um ônibus que passa mais frequentemente, pois fomos avisados alguns ônibus só vão até esse ponto do marco se tiver gente para desembarcar ali.

    Passeio de Helicóptero
    Esse é para os mais afortunados, pois o passeio é curto e caro, mas deve ser muito bonito. Você verá as cataratas pelo lado de cima. A partida do passeio fica bem em frente ao Parque das Aves. Se for de ônibus desça na mesma parada.

    Para terminar, quero responder à dúvida da Paula que postou um comentário aqui dias atrás, sobre a facilidade ou não de ir de carro para o lado argentino.

    Você consegue chegar de carro até o parque, não é difícil, mas dentro do parque não consegue circular com ele. Terá que deixar no estacionamento antes da entrada.

    As indicações são claras, basta seguir a placa que indica a Argentina na Rodovia das Cataratas. Siga sempre por aquela estrada e preste atenção às placas.

    domingo, 26 de setembro de 2010

    Compras no Paraguai

    Garimpei algumas dicas sobre compras no Paraguai, para quem quiser aproveitar a viagem em Foz para umas comprinhas.

    1) Não é necessário contratar um serviço de táxi ou de transporte privado para ir às compras em Ciudad del Leste, no Paraguai. Existe um ônibus que passa seguidamente, ao custo de R$ 3,30 a passagem. Não tente compará-lo com o ônibus que vai para a Argentina, por favor.

    Esse ônibus não pára no TTU (o terminal central de Foz). Então, você pode pegá-lo em frente ao Mac Donalds da Av. Jorge Schimmelpfeng (que é uma continuação da Av. das Cataratas) ou na Av. Juscelino Kubitschek. É importante pegar este ônibus e não outro, porque este cruza a Ponte da Amizade. O final da linha é logo depois da fronteira. Fomos desaconselhados a cruzar a ponte a pé, muito embora seja mais rápido.

    2) Evite ir a Ciudad del Leste nas quartas, sábados e feriados, dias reconhecidos como pertencentes aos sacoleiros. Fomos em uma segunda-feira e foi relativamente tranquilo, se é que Ciudad del Leste pode ser considerada tranquila.

    3) Optamos por não levar máquina fotográfica. A confusão é grande e você pode facilmente perdê-la ou sofrer um furto.

    4) Cuide do que vai comer. Vende-se churrasquinho, frutas e toda espécie de coisa pelas ruas. Eu não arriscaria. Como já comentei em outro post, encontramos um Burguer King barato e limpinho lá. Também há restaurantes com um aspecto bem limpo, normalmente nos chamados shoppings, que nada mais são do que galerias de lojas. Dizer shopping seria forçar um pouco.

    5) Você pode comprar seus produtos em lojas de departamentos, como a Monalisa e também nos camelôs ou nas galerias. Eu não compraria eletrônicos de camelôs, procuraria comprar em lojas de certo nome. O mesmo vale para perfumes e bebidas. Você encontra bons preços de eletrônicos, mesmo em lojas. Já para perfumes e cosméticos, o preço basicamente é o mesmo do free shop de Porto Iguaçu na Argentina.

    6) A cota atual ou limite de isenção é de US$300 e só pode ser usado uma vez a cada 30 dias.

    7) Os preços são sempre em dólares, mas lojas e camelôs aceitam reais.

    8) Em geral as lojas abrem às 7h e fecham por volta das 17h.

    9) Uma última dica: tenha paciência. O lugar é caótico, o trânsito é resolvido no grito, quase não há espaço nas calçadas para caminhar e você será assediado por vendedores ambulantes a cada passo que der nas ruas. Eles chegam a acompanhar você por quadras (aliás, tivemos que entrar numa galeria pra fugir de um). É muito pior do que qualquer lugar de comércio que você já tenha ido. Então, esteja preparado.

    10) Pra finalizar: observe um pouco a sua volta e você verá cenas engraçadas. A primeira foi uma ambulante que andava com um cesto de maçãs na cabeça e sua bolsa da grife Dolce Gabbana a tiracolo. A segunda foi a resposta de uma vendedora que pediu pra trocar uma nota de 10 dólares que havíamos dado em pagamento. Quando perguntamos se a nota era falsa, ela respondeu: "amigo, você está no Paraguai. Aqui não importa se é falso ou verdadeiro".

    domingo, 19 de setembro de 2010

    Passeios em Itaipu

    A maioria das pessoas que visita Itaipu faz apenas o passeio panorâmico. Se você nunca fez é interessante fazê-lo ao menos uma vez para conhecer a usina, mas o passeio não é muito bonito, nem empolgante, a menos que o vertedouro esteja aberto. O vertedouro é a estrutura mais conhecida da usina, por onde é escoada a água em excesso que chega ao reservatório durante o período de chuvas. Normalmente é o que aparece nas fotos e vídeos que você encontra de Itaipu. O que pouca gente sabe é que ele fica fechado 90% do tempo. Só é aberto em época de cheia. Então, esqueça aquelas imagens de água vertendo numa imensa onda, porque será exceção você ver essa imagem. Ainda, assim, descrevo os passeios que fizemos em Itaipu, pois alguns deles são bem legais.

    Como chegar:
    A alternativa mais barata é o transporte público. O ônibus que chega à usina é o "Conjunto C" (tanto faz se norte ou sul) que você pega no TTU, o terminal integrado. A linha é meio demorada, especialmente à noite. Descobrimos, inclusive, que depois de determinado horário a linha dificilmente chega até ao ponto de ônibus da usina, quer dizer, faz a volta antes. O conselho se fizer algum dos passeios noturnos é cuidar para pegar o ônibus que passa mais ou menos às 21h20min. Quando tem iluminação noturna (sextas e sábados), ele passa no ponto e chega incrivelmente rápido no centro.

    Se não quiser confiar no ônibus, é melhor marcar com algum motorista de táxi antes. Não existe ponto de táxi na usina e os motoristas não vão até lá esperar passageiro.

    Um táxi do centro até Itaipu deve sair em torno de R$ 40 (preços de agosto de 2010).

    Os passeios:

    Visita Panorâmica: A visita tem cerca de 1h30min de duração e costuma haver saídas de hora em hora. Primeiro, assistimos a um vídeo institucional de 20 minutos. Depois, embarcamos em um ônibus de 2 andares, daqueles em que a parte de cima é aberta. A visita tem duas paradas para observação: a primeira na represa, a segunda no lago. Como já falei acima, é uma visita interessante, mas não chega a empolgar.

    Na foto ao lado você observa as unidades geradoras de energia. Por cada cano branco daqueles passa 700 mil litros de água por segundo que movimentam as turbinas da usina.

    Iluminação da Barragem: Ocorre apenas nas sextas e sábados às 20h (21h no horário de verão). Subimos no mesmo ônibus de dois andares da visita panorâmica. Um detalhe importante: se for inverno e você optar por ir no andar superior, leve casaco. Venta muito com o ônibus em movimento e você não conseguirá aproveitar o passeio se estiver com muito frio. Somos levados até a barragem para observar o espetáculo das luzes. Assistimos a um vídeo e depois disso, ao som de uma música, a iluminação vai sendo acesa. Quando a música termina, a barragem está totalmente iluminada. Bonitinho, mas eu esperava mais.

    Depois disso, voltamos para o ônibus e ele dá mais uma volta pela usina para observar mais de perto a iluminação. O roteiro é semelhante ao da visita panorâmica, mas um pouco mais curto. Todo o passeio leva cerca de 1h.


    Refúgio Bela Vista: Foi o passeio que mais gostei em Itaipu. O refúgio foi criado nos anos 70 para receber os animais “desalojados” pela construção da usina. Ali hoje, Itaipu pesquisa a produção de mudas florestais, plantas medicinais, a reprodução de animais silvestres em cativeiro e a recuperação de áreas degradadas.

    O que vemos no passeio na verdade é uma pequena parte do refúgio, já que os animais estão soltos por uma área de mais de  1.000 hectares. O passeio sai da sede de Itaipu em um veículo similar a um trenzinho que sacode pra caramba quando entra nas ruas com calçamento. Mas faz parte da diversão.

    Quando chegamos à sede do refúgio a primeira coisa que chama a atenção é o telhado das construções. Ele é inclinado e todo coberto com grama. Isso porque é muito quente em Foz no verão e pesquisas demonstram que cobrir o telhado com vegetação ajuda a diminuir a temperatura no interior das construções.

    Acompanhados por uma bióloga vamos percorrendo a trilha dos animais, onde vemos uma amostra dos animais que vivem nos 1000 hectares do refúgio. Na realidade, os animais que estão ali já são velhos ou possuem algum probleminha que tornaria a vida deles soltos pela mata inviável. Por este motivo eles são cuidados e podem ser observados ao longo da trilha. Eles não ficam em jaulas, ficam em espaços bem maiores do que ficariam em um zoológico. Encontramos uma jaguatirica, corujas, um casal de furões, aves, jacarés, um tamanduá, macacos, um veado, 2 onças, entre outros animais. A ideia do refúgio é que eles sejam observados, mas sem domesticá-los, para que não percam seus instintos naturais, pois alguns deles serão novamente soltos quando tiverem condições de caçar.

    O passeio dura cerca de 2h30min e agrada bastante tanto as crianças como adultos que gostam do contato com a natureza.


    Pólo astronômico: Este é um passeio novo e não é exatamente turístico, mas pra quem não está acostumado a frequentar lugares do tipo é uma excelente opção para ter um contato inicial com astronomia. O lugar reúne planetário e observatório astronômico e, neste passeio, você tem a oportunidade tanto de assistir a uma sessão de planetário, quanto de olhar em um telescópio. O mais interessante é fazer o passeio noturno, que inicia às 19h (no inverno) e tem cerca de 2h de duração (no nosso caso foram 2h30min).

    A noite em que fomos não estava muito propícia para observação, pois era lua cheia e o céu não estava muito limpo. O melhor período para observar planetas é quando a lua não está tão brilhante no céu. No início da noite seria em períodos de lua crescente. Mesmo assim, fizemos algumas atividades:

    1) Assistimos um vídeo sobre a história da astronomia.
    2) Fizemos uma observação do céu a olho nu, à noite, deitados em cadeiras de praia, com algumas explicações sobre as estrelas e astros que víamos.
    3) Cada membro do grupo pôde observar a lua no telescópio (naquela data não era possível observar os planetas).
    4) Assistimos à sessão do planetário, segundo explicações, um dos poucos programas adaptados para o céu brasileiro existentes.

    Gostei do passeio, as explicações foram muito bacanas e geraram um conhecimento que não se perde. Uma pena não termos pegado uma noite mais propícia.

    Para valores das entradas, descontos e isenções, consulte o site www.turismoitaipu.com.br. O Ecomuseu estava fechado durante a nossa visita, por este motivo não falamos nada sobre ele.

    sexta-feira, 10 de setembro de 2010

    As Cataratas do Iguaçu - lado argentino

    Você só fará uma visita completa as Cataratas do Iguaçu se visitar o lado argentino. Posso dizer isso com convicção, pois na primeira vez em que estive lá, há cerca de 10 anos, visitei apenas o lado brasileiro. Achei a visão linda, mas o que me impressionou mesmo foi quando cheguei pertinho da Garganta do Diabo, no lado argentino desta segunda vez. A trilha argentina faz com que você veja a Garganta do lado de cima e ali você consegue ter a noção exata da quantidade de água que cai. E é muita, como se pode observar na foto ao lado.

    Mas vamos do início. Para chegar ao lado argentino, você pode contratar algum passeio em Foz ou optar pelo ônibus de linha. A vantagem de optar pelo passeio particular é que você não precisa se preocupar com nada: não precisa trocar reais por pesos, não precisa descer na fronteira para fazer a entrada na Argentina, não precisa trocar de ônibus e ainda tem a vantagem de ser acompanhado por um guia que sabe das manhas para não ser atropelado por milhões de pessoas e pegar as melhores fotos. Fizemos o nosso passeio com o Roberto (e-mail: crsmaha@hotmail.com). Ele leva apenas grupos pequenos de até 6 pessoas e faz o passeio completo: Parque das Cataratas argentino, Porto Iguaçu com o marco das 3 fronteiras e, ainda, parada no Free Shop de Porto Iguaçu na volta.

    Se optar pelo ônibus de linha e você estiver hospedado em um dos hotéis da Av. das Cataratas, pode pegá-lo ali. O ônibus também passa pela Av. Juscelino Kubitschek, aquela que fica próxima ao TTU. O conforto nem se compara ao ônibus que vai para o Paraguai. Tem ar condicionado, poltronas confortáveis e até balinha oferecida pelo motorista. Ele passa de 30 em 30 minutos e você precisa cuidar apenas o último horário de retorno que é às 18h30min. Vai precisar também descer na fronteira e levar sua carteira de identidade original e sem rasuras ou passaporte. Não vale carteira de motorista, nem aquelas carteiras de conselhos profissionais, como da OAB. O custo em agosto de 2010 era de R$ 3,00.

    Esse ônibus lhe deixa na estação rodoviária de Porto Iguaçu. Lá mesmo, você pega outro ônibus que vai direto ao parque. Esse ônibus passa em intervalos de 15 minutos. É importante trocar reais por pesos quando chegar a Porto Iguaçu ou antes de sair de Foz, pois não são aceitos reais para pagamento da entrada do parque. Dentro do parque, nas lanchonetes, são amplamente aceitos.

    Dentro do parque argentino, a locomoção é feita através de um trem. São três estações: Cataratas, Central e Garganta. Aconselho a pegar o trem na Estação Central. É mais rápido caminhar pela trilha que leva até esta estação do que esperar para pegar o trem na estação Cataratas e descer na Central. São cerca de 700m e você caminha por uma trilha com calçamento que passa no meio de um bosque.

    Conselho que para nós deu muito certo: vá primeiro na Trilha da Garganta do Diabo. Pegue o trem na Estação Central e procure ser dos primeiros a descer. Se não for dos primeiros, é mais negócio esperar uns 15 minutos no bar antes de entrar na trilha. Como conseguimos descer primeiro e somos rápidos, conseguimos boas fotos. Depois da descida do trem, você vai precisar caminhar cerca de 1Km pela trilha até a Garganta. A trilha é toda em passarela suspensa com estrutura de metal. O chão é todo "furado".

    O parque todo é muito bonito e todas as trilhas oferecem bonitas visões sob diferentes ângulos, mas a Garganta realmente impressiona pelo volume de água. A água é tanta que, dependendo do volume, forma uma névoa que torna difícil enxergar lá embaixo.

    De volta ao trenzinho e desembarcando na estação central, você pode percorrer as outras duas trilhas que não exigem barco: o Circuito Superior e o Circuito Inferior. Como o nome diz, a primeira é um circuito que vai passando por diversos saltos, todos pelo seu lado superior. A segunda, que possui várias escadas, vai passando por vários saltos pelo seu lado inferior. Essa trilha também leva até o passeio de barco que chega pertinho das quedas. Esse passeio também é oferecido no Brasil, mas dizem que o passeio argentino é mais emocionante. O meu atual estado de saúde não me permitiu fazer esse passeio (ele tem algumas restrições, como grávidas e cardíacos, porém, é liberado para crianças de qualquer idade), mas o Juliano fez e adorou.

    As outras três trilhas do parque são na Isla San Martin que é uma ilha dentro do próprio parque. No entanto, o acesso se dá apenas por barco (sem custo) a partir da trilha do circuito inferior. Esse barco se toma no mesmo local das saídas para o passeio do Macuco. O trajeto é curtinho, mas tem um porém: a ilha passa a maior parte do tempo fechada. Se as águas sobem um pouco, eles já fecham. Nós não conseguimos fazer essas trilhas por isso. E o pior é que não tem um aviso bem visível na entrada do parque alertando sobre isso.


    Dicas Finais:

    • Conselho importantíssimo: chegue cedo ao parque, de preferência antes das excursões se quiser aproveitar e tirar boas fotos. O parque argentino é bem mais movimentado que o brasileiro.
    • Às mulheres: Nem pense em usar qualquer coisa de salto que você não vai conseguir andar nas passarelas. Elas são parecidas com a foto ao lado.
    • É proibido alimentar os quatis e você deve tomar muito cuidado para se alimentar ao ar livre, na presença deles. Vi um quati pular em uma senhora para roubar sua empanada e um grupo de quatis roubarem um pacote de salgadinho. Apesar da cena engraçada isso é um perigo para os bichinhos: além de não ser o tipo de alimentação mais recomendada para estes animais, eles se tornam obesos e  ficam sem forças para fugir dos predadores naturais.

    domingo, 5 de setembro de 2010

    Trilha do Poço Preto no Parque das Cataratas

    Ainda no lado brasileiro do Parque Nacional das Cataratas há um passeio relativamente leve e bastante interessante de ser feito para quem gosta de apreciar a natureza: a Trilha do Poço Preto.

    O início do passeio é na primeira parada do ônibus que circula por dentro do Parque Nacional brasileiro. O ingresso é a parte e ele só pode ser feito com guia. Primeiramente, percorrem-se 9Km de trilha por dentro da mata até o Rio Iguaçu. Essa trilha pode ser percorrida a pé ou de bicicleta (fornecida por eles) e é bem leve,
    quase que totalmente plana ou com descida. Existe uma pequena subida de pouco mais de 1 Km apenas lá pelo Km 5.

    Optamos por percorrer de bicicleta e não nos arrependemos. A trilha é na verdade uma estradinha de chão e o passeio de bicicleta foi mais divertido do que caminhar 9Km. Além do mais, caminhando levaríamos quase 2 horas, enquanto de bicicleta, levamos 1 hora e 15 minutos. E fomos devagar.

    No final dessa trilha, embarcamos num pequeno barco para um passeio pelo alto do rio Iguaçu, passando pelo Arquipélago das Taquaras. Não  gosto muito de passeios de barco, pois enjoo bastante, mas esse foi ótimo. O rio nesse ponto é calmo e nesse dia, pela ausência de vento, estava ainda melhor. Conseguimos observar vários pássaros e jacarés (foto ao lado). Descobrimos, ainda, porque a trilha tem esse nome. De barco, alcançamos um ponto chamado de Poço Preto, um buraco redondo, na verdade uma falha geológica, mas que parece um poço mesmo dentro do rio, com 27m de profundidade e que torna a água naquele ponto mais escura.

    Depois disso, o passeio oferece ainda a possibilidade de você remar num caiaque por cerca de uns 800m (acho) no Rio Iguaçu, até o ponto em que o barco atraca. Não se preocupe, pois o barco e o guia permanecem por perto durante todo o tempo. Por fim, atracamos no ponto da Trilha das Bananeiras e percorremos mais uns 1.200m na mata até o ponto do ônibus.

    Ficamos sabendo que ali que, embora improvável, é possível, inclusive, avistar onças. Um grupo que passou por ali dias antes viu uma dupla. Os biólogos dizem que são irmãos e que um deles está com algum tipo de problema físico, de modo que o outro de certo modo o protege, o que é incomum com onças, que são animais solitários.

    Nosso guia nos dá ainda um conselho caso nos deparemos com uma: jamais correr, pois o animal está acostumado a perseguir a presa em movimento, é nessa situação que ele é melhor. O conselho é ficar parado com os braços para cima, para parecermos maiores e gritar. A onça não reconhecerá os gritos como os de nenhum animal a que ela está acostumada e provavelmente fugirá.

    De bicicleta, o passeio todo durou pouco menos de 3h. Se fosse a pé duraria mais de 4h, segundo o guia. Enfim, é uma atividade interessante, divertida, e, sem ser nada radical, ainda agrega conhecimento sobre a natureza.