domingo, 6 de janeiro de 2013

1 ano e 10 meses

Nos últimos dois meses a linguagem do pequeno deslanchou de vez. Ele passa o dia inteiro feito um papagaio repetindo tudo o que a gente fala. Repete sem parar expressões como "bate bumbum" ou "não pode" ou "ador desligado" (ventilador desligado) ou "dodói tá bom" ou "dodói da mamãe tá bom". A mais bonitinha dessas expressões é "luia no céu" (lua no céu).

Ele já fala expressões de 3 ou 4 palavrinhas, o que já pode caracterizar frases simples. Creio que o máximo de complexidade que ele atingiu foi "dodói caiu na rua", para se referir que ele caiu na rua e com isso fez dodói.

Estão também começando a surgir as palavrinhas mais educadas como "culpa" e "obigada" (desculpa e obrigada). Elas surgem muitas vezes espontaneamente, sem que a gente peça pra ele dizer. Também surgem espontaneamente os beijinhos. Quando eu vejo, está ele agarrado nas minhas pernas, distribuindo beijinhos.

Parece que meu guri não vai ser muito fã do sol. Várias vezes quando sai na rua ele comenta "sol tá quente" e "não, sol", meio que pedindo para que ele vá embora. Então, pára na sombra e diz "esse bom".

Impressionante também como já nessa idade ele começa a manifestar sua opinião. Se o programa de TV não agrada, ele diz "esse chato" ou "esse ruim". Se eu dou água, ele pede "ota água", que é como ele chama o refrigerante que fica na geladeira (e que eu não dou mais que uns 6 goles).

Também não parece muito fã de praia ainda. Ele vai, brinca um pouco na areia, brinca um pouco na água e pede "simboia" (se embora). Mas gosta bastante de meter a mão no balde de água com roupa de molho. E ajuda a varrer o chão.

O fascínio pela máquina de lavar roupa aos poucos perde espaço para o fascínio por todo e qualquer tipo de ventilação. Tudo pra ele é "ador": ventiladores de teto, de chão, os cataventos do Parque Eólico e os splits. E ele pára para admirar todos eles, onde quer que estejam.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

1 ano e 8 meses

Esse mês houve um baita aumento no número de palavrinhas que o guri fala. Ele também passou a repetir mais o que a gente fala. E para qualquer coisa agora é "esse é mamãe" ou "esse é papai" ou "esse é nono" ou ainda o "esse titio". Ou seja, qualquer, mas qualquer objeto mesmo tem que pertencer a alguém.

Por essa razão, torna-se tarefa difícil ficar descalça na sala de casa. Daqui a pouco lá vem ele, carregando meu sapato e dizendo "esse mamãe". Mas carros, só podem pertencer ao papai ou ao nono. Pra ele, mamãe não tem carro, só sapato, brinco e relógio.

Aliás, deve ser já o efeito da testosterona o fascínio que um carro exerce sobre ele. É capaz de ficar horas sentado no banco dianteiro mexendo na direção, no câmbio, no rádio e nos piscas. Fica realizado girando a direção e dizendo "brummmmm". E não é fácil enganá-lo pra tirá-lo de lá, não. Se eu digo, vamos voltar pra pegar a chave do carro, quando ele chega em casa procura a chave até encontrar e me dá pra voltar pra garagem.

Desisti de fazê-lo dormir a noite inteira em sua cama. Azar, quando crescer ele aprende. Podem me crucificar todas as educadoras de crianças, mas eu não podia mais aguentar o olhar dos vizinhos de cima e de baixo no dia seguinte com o choro a 1h da manhã. O de cima, sequer me cumprimenta (ele sempre foi chato mesmo) e o de baixo olha pro guri com jeito de "vou te esfolar criança". Depois dizem que mulher sozinha é que tem mau humor. Pra desmentir mais esse mito, meus dois vizinhos são homens de meia idade e moram sozinhos.

Por sinal, dias atrás o vizinho de baixo me veio com um conselho "que a criança chora porque vai dormir muito cedo". Na realidade, com o horário de verão, o guri vai dormir lá pelas 21h30min, o que não é exatamente cedo pra uma criança de 1 ano e 8 meses. Mesmo indo dormir mais tarde, tem um determinado horário na madrugada que ele acorda. Volta a dormir de novo, mas inevitavelmente acorda e se agita. Lógico que fiquei com vontade de perguntar "por um acaso você tem filhos?", mas apenas dei uma risadinha e suspirei.

Aliás, a idade está me deixando sem paciência pra dar explicações. Pense o que quiser e entre com uma medida cautelar contra mim quem se sentir incomodado. Pelo menos não vou ter custo com advogado.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Passeio no Pampa Safari

 Um passeio que pode ser bem interessante para crianças na região metropolitana de Porto Alegre é o Pampa Safari, em Gravataí. O parque tem uma área de 320 hectares, com mais de 2.000 exemplares de animais. Esses animais são observados "in natura", ou seja, não ficam em jaulas. Por esse motivo, o caminho é percorrido no carro, não é possível descer. Em algumas ocasiões você pode ter que parar para esperar que uma ema desocupe a estrada.

Existem zebras, camelos, hipopótamos, cervos, flamingos, emas, avestruzes, capivaras, antílopes, lhamas, macacos-prego, búfalos, cisnes e pavões.

O custo da entrada do parque é por veículo, ou seja, não importa quantas pessoas estão dentro do automóvel, o custo será o mesmo. Há um custo diferenciado para micro-ônibus.

Depois que o "safari" termina, é possível estacionar o carro e visitar o chamado museu ao ar livre, com locomotivas e trens antigos, bondes que circulavam em Porto Alegre e tanques de guerra. Também há uma pracinha, uma mini-fazendinha e alguns jardins, um deles com uma enorme estátua de Buda e outro com uma de dinossauro.

Quando menina, visitei o parque e fiquei um pouco desapontada apenas com o estado em que se encontra. As locomotivas e bondes estão se deteriorando, velhos e enferrujados. A infra-estrutura da lancheria também é um pouco precária. Há apenas biscoitos e salgadinhos prontos, embora se possa pedir que seja feito um cachorro-quente ou uma torrada. Creio ser mais agradável e divertido para as crianças programar um piquenique (há umas poucas mesas próximas à pracinha) do que esperar pela lanchonete.

De qualquer modo, as crianças se divertem vendo os bichos e com o playground da pracinha. Como eles vivem muito fechados em apartamentos, pelo menos podem aprender a reconhecer determinados bichos e que esses não têm botão de liga e desliga. Mesmo o meu pequenino, que tem 1 ano e meio, gostou bastante do "bambi" que ele chama de "bei". Juntando a criançada num piquenique, então, dá pra passar uma tarde divertida e com custo baixo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Ugun

Com 1 ano e 7 meses, o fascínio do meu bebê voltou-se quase que exclusivamente para o objeto que ele chama de "ugun". Trata-se da máquina de lavar roupa. O guri é louco por ela, se deixar fica horas olhando-a lavar, enxaguar e centrifugar. Se está desligada, ele quer pegar a roupa e colocar lá dentro, porque, segundo seu raciocínio, assim, ela voltará a funcionar.

Agora ele consegue não apenas subir, mas descer a escada, segurado pela mão. Está começando a atinar também que pode subir a escada com os dois pés. Até então, ele dava um passo, colocava o pé no mesmo degrau e só então subia o outro.

Estamos tentando fazer com que aprenda a pilotar um triciclo, mas ele não tem paciência pra ficar muito tempo sentado nele. Prefere empurrar. Prefere, na verdade, qualquer brincadeira que envolva rua e corrida. E está aprendendo a chutar a bola. Pega suas duas bolas e se encaminha pra porta quando quer sair.

Não percebi grande evolução silábica no mês. Uma meia dúzia de palavras novas apenas. Algumas ele fala uma vez e depois nunca mais, como "pota" (porta). A pediatra diz que nos meninos isso é assim mesmo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

1 ano e meio

É inacreditável como o tempo voa quando você tem uma criança pra cuidar. Parece que foi ontem que eu cheguei em casa com um bebezinho de 49cm. Hoje esse bebezinho é um bebezão com quase o dobro desse tamanho.

Nos últimos dois meses, os dentes se multiplicaram. Há dois meses, ele tinha apenas 6 dentes. Agora já são 11. Já apontaram 3 dos 4 pré-molares, o que faz com que as mordidas estejam cada vez mais perigosas. Qualquer hora, um dedo meu será arrancado.

No último mês, adquiriu a habilidade de subir escadas quase sozinho. Basta segurá-lo por uma das mãos agora e ele praticamente vai. O resultado é a resistência em utilizar o elevador. Um dos comportamentos indesejados que tem se intensificado, aliás, é a chamada birra. Não adianta mais apenas fingir que estou indo embora. Quando ele quer ficar em determinado lugar, muitas vezes grita e se joga no chão, o que é meio caminho para o castigo. Não tenho muita paciência pra esse tipo de comportamento. Havendo possibilidade, quando isso acontece ele vai pra casa e fica sentado, pensando no que fez. E incrivelmente ele fica sentado.

Por outro lado, ele é uma criança super carinhosa, que chega, abraça a gente, faz carinho, pula nas nossas pernas. E na escolinha dizem que é "super educado" e come sozinho sem fazer sujeira. Difícil de acreditar. Em casa ele até come sozinho, mas em regra, dou uma colher na sua mão, ele fica remexendo a comida, mas come mesmo quando eu lhe dou com a minha colher. Talvez até comesse sozinho, porém me falta paciência para esperar por enquanto.

Andei lendo em sites que espera-se que a criança aos 18 meses possua um vocabulário de cerca de 50 palavras e seja capaz de juntar duas palavras, como "quero colo". Meu filho ainda não tem essa habilidade frasal. Diz apenas uma palavra para expressar o que quer. Ultimamente a palavra preferida tem sido "bua" (rua).

Contei as palavras que diz e não consegui somar as 50 também. Creio que fale umas 30, contando com os sons ininteligíveis, como "adita" que parece se referir a canetinha (hidrocor), que ele adora, e "dish" (lixo). Talvez não fale porque não lhe interessa, uma vez que entende praticamente tudo e tem boa memória. No supermercado, é capaz de encontrar cenouras, batatas e bananas quando eu peço para me mostrar, dizendo "aí" ou "ali". Dias atrás, eu estava guardando a roupa limpa (minha, dele e da casa) e pedi para que segurasse uma toalha de rosto. Para minha surpresa, ele pegou a toalha e levou para o banheiro, colocando-a no armário no exato lugar em que eu guardo as toalhas de rosto.

A sabedoria popular diz que meninos são mais enjoados pra falar que meninas. Estou começando a achar que é verdade, entretanto, por via das dúvidas, vou questionar a pediatra sobre isso na próxima consulta.

domingo, 16 de setembro de 2012

Desfecho

Espero que esse post encerre o assunto que iniciei aqui e depois continuei aqui.

O fato é que, não conformada com as duas opiniões anteriores, marquei com uma terceira médica mastologista, essa bastante conhecida e conceituada. Fui atendida inicialmente por seu assistente que já me adiantou que eles creem que "a melhor cirurgia é aquela que não necessita ser feita".

De cara, senti mais confiança. Graças aos céus havia encontrado alguém que entendia que uma cirurgia só deveria ser feita em casos imprescindíveis. Foi solicitado novo exame, com um radiologista que trabalha no mesmo serviço que essa médica.

Então, durante o exame, a revelação: nada foi encontrado. O nódulo havia simplesmente desaparecido. Há tempos que eu já não o sentia, mas como no último exame a radiologista havia dito que ele continuava lá, não questionei o diagnóstico.

Qual o mistério? Não se sabe. O radiologista que me examinou por último disse que um nódulo categorizado como IV-b não desaparece espontaneamente, então, ele acredita que houve um erro de categorização no primeiro exame. Mas IV-b ou não, ele sumiu.

Não quero aqui que pensem que devemos duvidar de todos os diagnósticos médicos, porém, no meu caso, a dúvida e a minha resistência em operar algo que havia sido biopsiado como benigno acabou me livrando de uma cirurgia, de uma anestesia e de todas as suas possíveis implicações. Então, a lição que fica é a de não aceitar o primeiro diagnóstico, pesquisar e encontrar alguém com que você realmente se sinta confortável.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Aprendendo a usar o peniquinho

Talvez ainda seja muito cedo para tirar as fraldas de uma criança de 1 ano e meio, mas o meu gurizinho começou a dizer "cocô" quando fazia o número 2. Então, achei que poderia orientá-lo a ir pro peniquinho antes de fazer isso.

No início foi muito difícil. Ele odiou o peniquinho, não queria sentar nele de jeito algum. Nem a musiquinha ajudou.

Então, deixamos lá num canto e sempre perguntávamos antes do banho se ele queria usá-lo (pra ele o líquido e o sólido são a mesma coisa: cocô).

Depois de mais ou menos uma semana, ele pediu para sentar no vaso de gente grande. Seguramos ele lá e ele começou a pelo menos fazer o xixi antes do banho lá. Depois disso, começou a fazer nos dois lugares: no vaso e no penico. Ultimamente tem anunciado quando faz o xixi na fralda e se perguntamos se quer fazer no peniquinho, ele faz força e o xixi vem. Claro que a maioria do xixi ainda fica na fralda, mas ele já está adquirindo a consciência de que existe um lugar pra fazer aquilo.

Também já vínhamos fazendo o seguinte depois do cocô: eu tirava a fralda e o levava comigo até o banheiro para que ele me visse despejar o número 2 no vaso sanitário e dar a descarga. Esse procedimento exerce, por incrível que pareça, fascínio numa criança de 1 ano.

Então, hoje, pela primeira vez, consegui com que fizesse o número 2 no peniquinho. Ele ficou muito faceiro com isso.

Não pretendo tirar a fralda ainda, vou esperar mais para o verão, mas se ele já consegue entender o que deve usar, creio que não será tão difícil.

domingo, 19 de agosto de 2012

1 ano e 5 meses

Impressionante como ao longo do último mês, meu filhote fez vários avanços silábicos. Claro, ele só fala aquilo que lhe interessa, mas é bonitinho de vê-lo se comunicando.

Aprendeu a dizer "esse" para o objeto que está escolhendo. Também diz "aqui" ou "ali" para mostrar onde está determinada coisa ou pessoa. Já fala direitinho "papai" e "mamãe". Também diz "mãe" e atira objetos no chão apenas para dizer "caiu".

Ele tem palavras (embora não corretas) para mostrar o que quer: "adi" significa "abre", "muma" significa "arruma", "ninina" é "menina" e "au" seguido de um abano é "tchau".

"Din don" é o balanço da pracinha. Ele ama ir pra pracinha. Pega a chave, corre pra porta e diz "din don". Não sei como ele aprendeu, mas sobe sozinho no escorregador. Quando chega lá em cima, senta direitinho. O único problema é escorregar propriamente. Ele ainda se desequilibra pra escorregar e a gente tem que ficar de olho.

Também aprendeu a dizer "cocô" quando enxerga sua fralda suja. Aliás, quando faz cocô, ele chega perto da gente e anuncia. O próximo passo é fazê-lo dizer isso antes de sujar a fralda.

Não sei se com todas as crianças é assim, mas o espertinho testa cada vez mais seus limites. Se antes ele parava quando a gente dizia "não", agora ele sabe que é "não", mas faz mesmo assim, encarando. Obviamente que ele aprendeu o significado da palavra castigo. Não tem sido muito eficiente deixá-lo sentado num cantinho, como as psicólogas orientam, já que ele é muito inquieto. Mas colocá-lo no quarto e fechar a porta por 1 minuto, tem ajudado bastante. Ele volta bem comportado.

Essa coisa do castigo, aliás, tem-me feito passar por situações embaraçosas na rua. Nós o ameaçávamos dizendo que se fazia algo errado era "pá". Pois agora, na rua ou no supermercado, quando eu olho bem séria, ele imita o "pá" batendo na perninha. As pessoas devem pensar que o coitado é espancado em casa.

Ele está naquela idade em que faz escândalos, esperneando quando contrariado. Hoje mesmo, na rua fez dessas. Quando faz isso, não cedo para ele ficar quieto. Eu o retiro do lugar onde está falando baixo, mas bem sério. Não sei se é o melhor remédio, mas sempre odiei criança birrenta e prefiro os olhares de reprovação do que filho mal-educado.

A questão toda é que o mau humor e sua birra são na maioria das vezes em casa. Na pracinha, ele brinca direitinho, não tira brinquedo das outras crianças, fica ao lado, esperando a sua vez. Sabe repartir os brinquedos. Quando quer brincar com algo, ele dá uma coisa sua em troca. O problema é que ele simplesmente não gosta de voltar pra casa, como se o lugar em que mora fosse o consultório do dentista.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Honrarias olímpicas

Seguindo o exemplo do post de 2008, fecho aqui o balanço de Londres com os vencedores nas categorias do blog:

Medalha "já não vi esse filme antes?": para seleção masculina de futebol - sem comentários adicionais.

Medalha "já não vi esse filme antes? - parte 2": para Fabiana Murer e o vento que não a deixou passar de 4,55m.

Medalha "eu continuo sendo o cara": para Usain Bolt que parece não ter percebido o tal vento e quebrou todos os recordes olímpicos  das provas em que participou.

Medalha "eu não sou mais o cara": para César Cielo que dominou a prova dos 50m da natação nos últimos quatro anos e deixou pra perder justo na olimpíada.

Medalha "a injustiçada da olimpíada": para a pobre esgrimista coreana Shin A. Lam que perdeu uma luta em que faltava um segundo para o fim (houve 3 reinícios, que levam mais do que 1s e o cronômetro permaneceu travado) e ficou sentada na pista por mais de 40 minutos, aos prantos.

Medalha "escolhendo adversário": para a seleção feminina da Noruega de handball que se fez de morta, classificando-se em 4o na chave e derrotou o Brasil, que tinha sido 1o nas quartas de final quando este chegou a estar a frente por diferença de 6 gols.

Medalha "a gente veio pra semifinal": pra delegação de natação brasileira que parou quase inteira nas semifinais.

Medalha "o chorão da olimpíada": para o dominicano Félix Sanchez, de 37 anos que ganhou os 400m com barreira e chorou desconsoladamente no pódio

Medalha "cena marcante": para a troca de número de identificação entre Kirani James e Oscar Pistorius (o atleta amputado, que corre com próteses) na semifinal dos 400m rasos. Nesse caso, o vencedor

Medalha "a persistência é a alma do negócio": Pra seleção de basquete da Lituânia (já falei deles aqui em 2008), a única seleção que conseguiu fazer alguma frente pro basquete dos EUA, por algum tempo.

Medalha "sem pudor": pra atleta tcheca flagrada tirando a calcinha em pleno estádio olímpico.

Medalha "se fazendo de morto", para os quartos colocados que saíram campeões ao final: feminino do Brasil no vôlei, handball feminino da Noruega, Arthur Zanetti (que tinha sido quarto na classificatória).

Medalha "batendo na trave" (alguns de novo): pros brasileiros Thiago Pereira, Bruno Fratus, Diogo Silva, Thiago Camilo, Maria Suelen e Marilson dos Santos. Todos ficaram em quarto ou quinto.

A frase mais cliché: "A ficha não caiu..." - dita por todos os brasileiros que ganharam uma medalha.

Segunda frase mais cliché: "Não sei o que aconteceu." - dita por quase todos os brasileiros que perderam.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pitaco olímpico

Tenho bem mais interesse por esporte olímpico do que de futebol, então, apesar de não ser especialista, sinto-me habilitada para dar meus pitacos aqui de quatro em quatro anos.

Quem costuma acompanhar Olimpíada sabe que sempre se falou no baixo número de medalhas trazidas pelos atletas brasileiros relacionando tal fato à falta de investimento no esporte olímpico e à falta de infra-estrutura de treinamento.

Creio que esse mito foi definitivamente derrubado. Nunca se investiu tanto em esporte no país como no último ciclo olímpico, os sites de notícias não param de anunciar. O problema é que não basta só dinheiro. É necessário dinheiro bem empregado. Como somos campeões da modalidade de mau uso do dinheiro público, por que seria diferente no esporte? Nesse ano, foi montada uma superestrutura para os atletas em Londres. A pergunta é: de que adianta superestrutura dias antes dos jogos?

Iniciativas como bolsa-atleta são interessantes, mas o maior volume de dinheiro deveria ser investido mesmo em educação. E quando falo em educação, falo em escolas com infra-estrutura decente e não onde faltam até mesmo vidros e portas. Escolas que tenham computadores, mas também tenham quadras esportivas e ofereçam esportes como atividades extraclasse aos alunos. Aliás, que ofereçam outras atividades pra quem também não gosta de esporte, como música. Isso sim, traria a transformação social que se almeja, porque colocaria foco na cabeça de crianças e adolescentes que hoje estudam em um turno e no outro ficam por aí. E desse volume de gente é que uns poucos se sobressairiam e aí, sim, teriam apoio pra fazer disso uma profissão.

Mas isso é sonho.

A realidade é que tivemos bons e maus exemplos nesses últimos jogos. Não vou falar aqui de atleta que amarela, porque em toda seleção há atletas que falham. O nosso problema é ter poucos atletas bons o bastante pra ganhar medalha. Se o volume fosse maior, a falha de um ou de um time, não teria tanto peso.

Talvez seja cedo para dizer, mas me parece que o boxe está fazendo bom uso do investimento. Saltamos de nenhuma representatividade para 2 medalhas e outras tantas quartas de final. O judô parece ter feito uma preparação adequada e também teve resultados bem mais significativos, principalmente no feminino, do que em outros jogos.

Já não se pode dizer o mesmo da natação. Creio que o único nome novo com representatividade surgido nos últimos quatro anos (apesar de não ganhar medalha) foi Bruno Fratus. Quase a totalidade da delegação piorou seus tempos pessoais nessa olimpíada. Isso só pode significar uma coisa: preparação mal feita, afinal a maioria dos atletas costumam melhorar marcas pessoais nos jogos. Se quase uma delegação inteira piorou é porque algo está errado.

Ginástica é um caso a parte. Existe uma richa na confederação da categoria formada pelos atuais dirigentes, que defendem que o monopólio do esporte permaneça com determinados clubes (como o flamengo) e os antigos, que defendiam a manutenção de uma seleção permanente. Quando houve a mudança de dirigentes, os técnicos estrangeiros foram embora, o que pode explicar a questão da ausência de renovação na seleção feminina. Aliás, achei muito legal a medalha de ouro não ter saído de um desses clubes de peso (lembrem-se que os irmãos Hypólito e Jade Barbosa são atletas do flamengo) e sim de um atleta que há bem pouco tempo só recebia apoio da prefeitura de sua cidade. Mostrou que o atleta pode ser vencedor, apesar da sua confederação. Antes da competição iniciar quem entende de esporte sabia que se alguém tinha alguma chance na ginástica era o Zanetti e não o Hypólito.

Lembro que uma vez Oleg, o ucraniano que treinava a seleção feminina de ginástica, ter dito que não se fazia uma seleção de ginástica com 5 meninas boas, já que as lesões no esporte são muito comuns. Países como a China tinham 100 em condições, de modo que uma ginasta poderia ser substituída às vésperas da competição sem grande prejuízo. Talvez seja uma lição que a gente tenha que aprender em vários esportes.