domingo, 31 de maio de 2009

Dicas Úteis para Iniciantes no Trekking

Essas dicas são direcionadas para quem não tem experiência em trilhas, mas tem vontade de iniciar. Algumas são bastante óbvias, mas é sempre bom relembrar.

  • Se é a primeira vez que fará uma trilha e não faz exercícios com regularidade, não inicie por aquela de 20Km e um dia inteiro de caminhada. Trilhas fáceis para iniciar são as do Parque do Itaimbezinho (principalmente a Trilha do Vértice que é um pouco maior) ou as do Parque da Ferradura, em Canela. No Parque da 8 Cachoeiras, em São Francisco de Paula também existem opções de trilhas fáceis e curtas. A da nascente do Rio do Sinos que falei aqui recentemente já pode ser considerada de nível médio.
  • Não faça maluquices. Se for sozinho ou com alguém que também não conhece a região procure informação antes de se aventurar: a distância que vão percorrer, se há sinal de celular,
  • Acorde com as galinhas e saia cedo, especialmente no inverno. Não espere o anoitecer pra voltar. Quando estiver anoitecendo é bom você estar bem longe de mata fechada ou de qualquer região desconhecida. O site Trilhas e Aventuras traz um modelinho para estimativa de tempo de caminhada. Achei difícil de calcular por esse modelo sem um GPS, pois você tem que saber quanto em metros vai subir e descer durante a trilha.
  • Gaste 5 minutos antes e 5 minutos após a trilha para um alongamento nas pernas e braços. Pode parecer bobagem, mas ajuda a reduzir as famosas dores musculares pós-trilha.
  • A regra é respeitar a natureza. Lembre-se: a mata é o habitat dos bichos que ali estão, você é o invasor. Se encontrar algum animal selvagem no caminho, não mexa com ele. Mas isso é bastante incomum. Já vi cobras, aranhas, urubus, mas nunca cruzei com pumas ou gatos selvagens.
  • É comum você chegar em pontos onde parecem existir duas trilhas a seguir e você ficar em dúvida. Nesse caso, procure sempre seguir pela trilha mais marcada. Se errar, não se preocupe: normalmente as trilhas "alternativas" não seguem muito longe e logo diminuem. Conheço pessoas que no caminho de ida costumam empilhar pedras ou mesmo colocar galhos em determinada posição para auxiliar na volta. Se lhe der mais segurança, faça isso. Só não vale deixar lixo no caminho.Um calçado confortável é fundamental. Se tiver condições, invista em um tênis ou bota de caminhada. Os tênis para trekking normalmente tem o solado dentado. E as botas pra trekking são aconselháveis porque protegem o tornozelo. Apesar das mulheres darem preferência pro bonito, é melhor investir em algo que seja macio. De preferência de cor escura, pois você vai certamente sujá-lo. É possível encontrar bons tênis e botas pra trekking por R$ 150. Mais dicas sobre calçados pra trekking você encontra aqui.Evite usar calçado novo. Se comprou sua bota de trekking, amacie-a. Não espere para estreá-la naquele trekking em que vai caminhar o dia inteiro.
  • Não leve bolsas ou mochilas que fiquem viradas para frente. É bem mais difícil manter o equilíbrio com elas. Use mochila nas costas e leve o estritamente necessário. Quanto mais peso você carregar mais vai se cansar e mais difícil será manter o equilíbrio. Lembre-se: é proibido carregar na mochila peso superior a 10% do seu peso.
  • Nas trilhas mais difíceis, algumas pessoas carregam "poles" ou bastões. Eles também ajudam a manter o impulso e o equilíbrio, mas não são indispensáveis. Você também pode improvisar com galhos que encontrar no caminho.

O que vestir
  • Não existe uma regra do que usar, mas as roupas também devem ser confortáveis e maleáveis. Calças de ginástica como as de supplex e abrigos de tactel são bons porque secam rápido. Em geral, tecidos sintéticos de poliéster como TacTel, Micromattique, Coolmax, Dry-Fit( ou outro "Dry"), além de secarem rápido, protegem mais dos raios solares que as de algodão. Esse tipo de roupa, no entanto, tem um custo um pouco mais elevado. Se não tiver condições de adquirir não há problema. Já fiz muita trilha com calça de moletom e camiseta de algodão. Mas aí é bom levar uma muda de roupa na mochila.
  • Sempre que ando na mata dou preferência para calças, mesmo no verão. Elas não vão evitar que você seja picado por uma cobra, mas sempre são uma proteção a mais contra os insetos e contra os galhos e pedras que vão lhe arranhar.
  • É sempre bom carregar uma capa de chuva. Ela não mantém você totalmente seco, mas pelo menos ajuda a manter a temperatura do corpo em caso de chuva. E a capacidade que o tempo tem de mudar constantemente em nosso país não pode ser ignorada.
Lanche
  • Leve água. Pode ser nessas garrafinhas com bico dobrável que são encontradas nas lojas de R$ 1,99 ou um cantil.
  • Não exagere no que vai levar para lanche. Dê preferência para alimentos que lhe dêem alguma energia e não ocupem muito espaço como sanduíches, barrinhas de cereal, chocolates. Salgadinhos costumam provocar sede e você estará levando quantidade limitada de água, então melhor evitar. Frutas só em potes plásticos. Soltas na mochila elas costumam amassar e sujar o que está lá dentro.
Acessórios

Indispensável: protetor solar e repelente de insetos. Sou alérgica a insetos, então para mim repelente é fundamental. Para você talvez outro item seja mais importante. Lanterna e canivete podem ser úteis também. E um kit de primeiros socorros básico (pode ser um apenas para todo o grupo, não precisa cada integrante carregar o seu). Outros acessórios que podem ser úteis:

  • Muda de Roupa (no mínimo um par de meias e uma camiseta limpos e secos)
  • Chapéu ou Boné
  • Óculos de Sol (com cordinha, pois é muito fácil perder no caminho)
  • Lanterna Pequena
  • Canivete
  • Relógio
  • Capa de Chuva leve
  • Papel higiênico
  • Uma toalha (não precisa ser grande, mais para secar o suor e limpar as mãos)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Trilha da Nascente do Rio dos Sinos em Caraá



Para quem mora na região de Porto Alegre, Vale do Sinos, Serra ou Litoral gaúcho, uma das trilhas proximas e mais características é a da Nascente do Rio do Sinos. Característica porque realmente é uma trilha, com pouco trecho de estrada e quase todo pela mata mesmo. Quem aprecia trilhas não muito fáceis, mas que também não necessitem de corda durante todo o tempo, vai se divertir.

Como chegar
Caraá fica a pouco mais de 100 quilômetros de Porto Alegre. Você pode seguir pela BR-290 até a entrada de Santo Antônio da Patrulha. Lá, pegue a RS-030. Você também pode ir por Gravataí, diretamente pela RS-030 (a chamada estrada velha). Entre à esquerda no supermercado Nacional, sentido Caraá, e rode 38 quilômetros pela estrada de chão até chegar ao início da trilha. Existe uma única placa que diz indica a trilha a 6 Km. Pouco após essa placa você terá que deixar o carro. Nós deixamos depois da ponte de madeira que segue essa placa.

Distância
Aproximadamente 6Km de ida e volta que são percorridos em 4 ou 5 horas, dependendo de quantas paradas se faz para fotos ou lanche ou banho.

E se precisar de guia?
Entre em contato com a prefeitura de Caraá pelo fone (0xx51) 3615-1324. Como nós estávamos em um grupo grande, contratamos um, o Wagner, por indicação da prefeitura. Ele foi muito atencioso e preocupado com a segurança do grupo. Levou, inclusive, corda adicional para o ponto mais difícil. Há grupos que percorrem a trilha sem guia. Mas se você está num grupo maior o custo é baixo, então, eu recomendaria.

Dificuldade
De modo geral a trilha tem um nível de dificuldade médio. No início, você anda pela mata e precisa ter cuidado apenas com as teias de aranha no alto. Em seguida, quando as pedras começam a ficar mais úmidas, precisa ter algum cuidado para não escorregar. Quanto mais próximo da nascente, mais úmido fica. Havia, no nosso grupo, uma menina de 7 anos que adorou a caminhada.

Nós fomos em uma época de profunda seca, mais um pouco e "adeus" cascata. Assim, foi possível fazer uma caminhada seca, ou seja, não molhamos calçados. Mas quando o rio está mais cheio, certamente será necessário cruzar alguns córregos.

O que você vai ver
No início da trilha, você passa por duas casas de aluguel da região, a do Ivan e a segunda, na beira do penhasco. A trilha é estreita, mas plana. Dependendo da época do ano, encontra-se amoras nos arbustos do caminho.

São três cachoeiras. Logo no início da mata, há a primeira que é bem pequena. É preciso sair um pouquinho para a direita da trilha para alcançá-la. Se você olhar muito para baixo, corre o risco de cruzar o córrego e não enxergá-la.

Após essa primeira cachoeira começam as pedras e a trilha começa a acompanhar o córrego, à esquerda. Há alguns pontos mais difíceis de passar, mas nada que apavore. Aqui já é possível tocar a água cristalina do que irá se transformar no Rio dos Sinos.

Após mais ou menos 1 hora de caminhada alcança-se a segunda cachoeira, de aproximadamente 20 metros. Ela não é tão alta como a última, mas na minha opinião foi a mais bonita, talvez porque fosse a com maior volume de água. Também é um local bom de parada para descanso e banho (se for verão).

Logo após a segunda cachoeira vem a parte mais difícil. É uma longa e íngreme subida. Existem algumas cordas para auxiliar (na verdade sem as cordas seria bem complicado). Mas depois daquela descida da Pedra Furada, até que não achei das piores, porque é um trecho bem curtinho. O mais difícil é descer, porque você não enxerga direito onde está pisando.

Depois dessa parte difícil, caminha-se mais uns 40 minutos e tudo parece fácil. Enfim, chega-se ao ponto conhecido como Nascente do Rio do Sinos. É uma queda d'água de aproximadamente 100 metros com água bastante gelada. Alguém comentou que a sensação de molhar os pés era de umas 300 agulhas, então, a frase não é original, apenas copiei. No nosso grupo, houve quem se aventurasse a molhar os pés. Banho, ninguém.

Início da trilha é por essa estrada, fácil, plana.

A primeira cachoeira

Dá pra acreditar que é o Rio dos Sinos?

A segunda cachoeira

Enfim, o objetivo: a nascente do Rio dos Sinos

sábado, 9 de maio de 2009

Trilha da Pedra Furada

A Trilha da Pedra Furada é a mais famosa de Urubici. É uma trilha com duração aproximada de 5 horas e deve ser percorrida com guia pelos seguintes motivos:

1) Em alguns pontos é muito difícil encontrar a trilha.
2) A parte final é bastante difícil.
3) O tempo em Urubici muda muito. Você pode ter tempo ensolarado e, num piscar de olhos, a névoa cobrir tudo e você não enxergar a trilha o suficiente para retornar.

Para encontrar indicações de guia, você deve procurar a Secretaria de Turismo do Município. É fácil de encontrar, fica na avenida principal, ao lado da Igreja. O nosso foi o Iran (só existem 3 guias "oficiais" na cidade) que confessou já ter feito a trilha umas 200 vezes e com todas as condições possíveis de tempo e temperatura.

A trilha inicia-se no Morro da Igreja. Deixa-se o carro no primeiro estacionamento (junto a porteira de entrada da Aeronáutica) e caminha-se um pouquinho pelo asfalto. O final do “corrimão” da curva do asfalto marca o início da trilha. Eu jamais encontraria sozinha!

O guia comentou conosco que a trilha subdivide-se em três momentos distintos e fui obrigada a concordar:




Esse seria o final da primeira parte
Caminho dos Aromas: No início da trilha se vê muito pouco. A umidade constante da região faz com que os arbustos fechem a trilha, então você caminha envolto por muitas árvores e arbustos e sem poder pisar muito a sua esquerda (existe um precipício desse lado). Ao término dessa parte do caminho você se depara com a visão das pirâmides (eu sei, a foto não ajuda). Caminha-se uns 30-40 minutos nesse trecho.
Caminho das Pedras: A segunda parte é bem “trilha”. Muitas pedras, um pouco de subida, um pouco de descida, mas sem grandes dificuldades. Chega-se a “beira do abismo” durante o caminho das pedras e se consegue avistar o Morro da Igreja, em dia claro.
O arco da pedra furada foi tudo o que conseguimos enxergar.Pedra Furada propriamente dita (eu prefiro batizar como Caminho dos Sobreviventes). Essa é a parte mais difícil da trilha. É quando descemos pelo paredão até a Pedra. Existe trilha definida, mas pense em você descendo por uma parede com pedras e caraás úmidos para se apoiar. É isso. A notícia boa é que essa parte passa rápido. Depois disso é mais mata fechada e pedras - uma mistura dos caminhos dos aromas e das pedras. Essa é a parte mais longa da trilha, ou se não for, é o que parece ser. Mas enfim, depois disso você finalmente chega na pedra furada. Então cada um faz seu ritual. Há quem diga que o arco é mágico e que é uma passagem para outra dimensão. Bom, eu não encontrei a tal dimensão. Apenas muita névoa. Mas fiquei imaginando como seria em um dia ensolarado.


A volta foi definitivamente mais tranquila. Primeiro por saber por onde estava passando. Segundo, porque não tivemos a descida do paredão apenas subida. Subidas são definitivamente mais fáceis, foi preciso só força nas pernas e braços para uma quase-escalada.

As fotos não ficaram nada boas por causa do dia completamente enevoado. Infelizmente, era nosso último dia na cidade. Talvez seja uma boa desculpa para voltar. Acho que não fiquei tão traumatizada para não desejar percorrer a trilha novamente.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Trilha do Morro Campestre

Um dos passeios mais interessantes que fizemos em Urubici não aparece nos guias das atrações turísticas. Pelo menos não da forma como fizemos. Deixamos a cidade caminhando, seguindo pelo que chamo de direção 2 (virando à esquerda no semáforo da cidade, pela perspectiva de quem está indo para a BR-282). Caminhamos pela zona rural, seguindo pela estrada de terra por cerca de 8Km. No meio do caminho, apreciamos as macieiras carregadas, as plantações de tomate, os animais, as pequenas propriedades e seus açudes. O dia estava lindo o que tornava tudo mais encantador.



Estrada para o Morro Campestre. No alto, à direita, a pedra que caracteriza o morro
Ao visualizar a placa que dizia Rio Sete Quedas, dobramos à esquerda, mas acabamos desistindo da trilha, como já expliquei, mesmo depois de ter passado no meio de um rebanho (eram uns 20 animais, não sei se isso se qualifica como rebanho) que insistia em ficar no meio da estrada.

Voltando à estrada, caminhamos mais 2Km até chegar à porteira de uma propriedade que dizia "Fazenda Morro da Cruz". Esperamos a chegada de uma família para nos certificar de que era ali mesmo e entramos. Como é propriedade privada, paga-se R$ 2 para subir até o Morro Campestre (ou Morro da Cruz, como os nativos o chamam).


Visão do alto do morro

É possível subir os 1.500m que restam de carro, se você tiver um 4x4. Carros comuns que tentaram subir desistiram e foram a pé. Para nós, 1500m de subida eram nada perto do que já havíamos caminhado. Subida forte, mas curta. Até que finalmente chegamos ao alto do Morro Campestre. A visão da zona rural de Urubici é impressionante, como vocês podem ver na imagem ao lado. E a pedra é muito peculiar. Lembra um pouco a Pedra Furada, muito embora seja bastante menor. Consegue-se inclusive "escalá-la".

A Cruz


A parte final da trilha

A foto em forma de cruz ao lado nos rendeu boas gargalhadas. Quando estávamos no topo, chegou uma família, com uma menina que ficou decepcionada porque a cruz que ela havia visto da estrada havia sumido. A "cruz" era a foto ao lado.

Depois da exploração, retornamos. Então percebemos o quanto as pessoas que moram nesses povoados do interior continuam hospitaleiras, mesmo nos tempos de hoje. Recebemos duas ofertas de caronas para a cidade. Uma, inclusive, de um grupo de cavalgada. Agradecemos e preferimos continuar nossa aventura.

De volta à cidade, paramos na padaria próxima à pousada. Afinal, depois de todo esse exercício eu merecia um brigadeiro.

Não vou dizer que não cansamos, afinal foram devem ter sido 23km ao todo. Começamos a caminhar em torno das 9h da manhã e paramos as 17h da tarde. Mas foi divertido. Fica a dica de programa alternativo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Urubici - Atrações Turísticas

Para percorrer as principais atrações turísticas de Urubici, você tem apenas três direções possíveis:

Direção 1: Morro da Igreja e Pedra Furada, Serra do Corvo Branco, Gruta de e Cavernas do Rio dos Bugres



Na direção 1 você está na rua principal da cidade. Se você veio de Lages, pela BR-282 na única sinaleira existente vai virar à esquerda. Se veio de São Joaquim ou pela Serra do Rio do Rastro, vai virar à direita. Siga 10 km pela estrada de chão (que em breve será asfaltada).

Morro da Igreja e Pedra Furada
Já falei aqui que são a atração máxima da cidade. É possível, ainda, percorrer uma trilha que leva até a Pedra Furada.

Cascata Véu de Noiva
Fica no caminho para o Morro da Igreja. Bem sinalizada, você segue a placa indicativa e anda não mais de 300m em estrada de chão. A cascata fica em propriedade particular e cobra-se R$ 1 pela visitação. Há uma tirolesa no local para os mais aventureiros. Não é a cascata mais bonita, mas vale a visita.


Serra do Corvo Branco
Se você não virou à direita para subir o Morro da Igreja e seguiu reto, vai andar por cerca de 20Km de estrada de chão pela zona rural de Urubici. Essa estradinha (bem ruim nos km finais) termina na Serra do Corvo Branco. O lugar é bem bonito, você está rodeado de paredões, mas o que mais chama a atenção é a estrada que liga Urubici e a cidade de Grão Pará. Ela é comparável à Serra do Rio do Rastro, mas menos extensa e mais íngreme e sinuosa. Subir ou descer em dia de chuva e névoa deve ser realmente uma aventura. É de fazer inveja a muitos circuitos de Fórmula 1.

Cavernas do Rio dos Bugres
A estrada é a mesma do Morro da Igreja, porém, você dobra à esquerda bem antes de chegar ao Morro da Igreja. Fique atento à placa indicativa, pois ela está meio escondida e não há outro ponto de referência. Depois de virar à esquerda, ande aproximadamente uns 8Km até um moinho. Ao lado direito desse moinho, há uma porteira, você deve abrir e percorrer mais uns 600m. A distância total do centro é de 11Km.

Reza a lenda que as cavernas foram escavadas pelos índios (por isso o nome "bugres"), servindo de abrigo contra o frio. Elas parecem muito mais tocas de insetos do que propriamente cavernas. São curtinhas, baixas e se interligam. Para apreciar, melhor levar uma lanterna, elas realmente são muito escuras.



Direção 2: Morro do Campestre e Rio Sete Quedas
Na direção 2 você está na rua principal da cidade. Se você veio de Lages, pela BR-282 na única sinaleira existente vai virar à direita no semáforo. Se veio de São Joaquim ou pela Serra do Rio do Rastro, vai virar à esquerda. Siga pela estradinha de chão por cerca de 8Km. A primeira atração será o Rio Sete Quedas



Rio Sete Quedas
A única forma de visitar as Sete Quedas é através de uma trilha, em uma propriedade particular. A entrada é exatamente onde está a placa indicativa, seguindo uma estradinha que passa por uma casa verde de madeira. Os carros são deixados no final da estrada.

Não tenho muita informação sobre a trilha porque desistimos no início, quando me deparei com a imagem ao lado, bem na pedra que eu teria que pisar. Alguém se arrisca a dizer que cobra é? A princípio achei que fosse não-venenosa, mas quando a foto ficou pronta, fiquei na dúvida. Ela parece ter aquelas fossetas que as venenosas têm.

Uma pessoa da região nos indicou um modo de ver ao menos parte da trilha, seguindo pela estradinha (à esquerda da trilha) e atravessando uma cerca por entre o capim. Ali não há trilha mesmo e o capim é bastante alto, mas conseguimos chegar em uma das quedas. Segundo informações de um pessoal que estava fazendo a trilha (com botas altas de borracha e guia nativo), essa queda é a quarta: existem duas para cima e 3 para baixo (sim, eu também tentei ficando entender onde estaria a sétima).

Aqui você obtém mais informações sobre essa trilha

Morro Campestre
Fomos a pé desde o centro de Urubici e batizamos o caminho como "Trilha do Morro Campestre".


Direção 3: Cascata do Avencal, Inscrições Rupestres e mirante da cidade

Localizam-se todas na estrada que liga a Serra do Rio do Rastro e São Joaquim a Urubici (SC-430).

Cascata do Avencal
Se você vem para Urubici por São Joaquim, ainda na estrada, cerca de 5km antes de chegar à cidade encontrará a entrada para a visão de cima Cascata do Avencal. Fica em um parque, onde se pode fazer tirolesa, arborismo e outras atividades recreativas. Paga-se uma taxa de R$ 3, mas no dia em que fomos não havia ninguém para cobrar. Não exige esforço físico, o carro fica estacionado pertinho e há dois mirantes muito bons para fotografias.

A visão de baixo da cascata é um pouco mais difícil de ser encontrada. Fica a 2Km da cidade, à direita de quem vem de Urubici e à esquerda de quem ainda não chegou à cidade. Como ponto de referência, há um ponto de ônibus e 3 casinhas de madeira no lado contrário da estrada de onde se deve entrar. Dirige-se pela estradinha por mais alguns km e você encontra várias placas dizendo que se trata de propriedade particular, mas que a passagem até a cascata é permitida.

Quando a estradinha acaba, existe uma trilha, relativamente fácil de ser percorrida e praticamente sem possibilidades de você se perder no caminho. São cerca de 20 minutos de caminhada. Grande parte da trilha é sobre as pedras e elas se tornam bastante escorregadias próximo à cascata, mas mesmo que você decida não se arriscar na parte final, é possível aproximar-se bem e conseguir boas fotos.



Mirante

É a atração mais visível para quem chega a Urubici vindo de São Joaquim, especialmente num dia de sol como o que tivemos a sorte de encontrar. Impossível passar pela estrada e não encontrar.

Inscrições Rupestres
A foto não mostra muito, porque realmente não consegui uma boa imagem, mas pouco antes de chegar à cidade (menos de 2km), na mesma estrada do Mirante (logo após ele) você encontra uma placa indicativa das inscrições. São sinais nas rochas, feitos por povos antigos em lugares considerados sagrados, com aproximadamente 4.000 anos. Li em algum lugar que o melhor horário para visitação no período da tarde, no entanto, fomos no período da manhã. Talvez por isso eu não tenha achado muito interessante.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Urubici - Parte 1

Urubici localiza-se na serra catarinense e é tido como o município mais frio do Brasil. É um lugar pequeno, com cerca de 10 mil habitantes, mas encantador para quem aprecia belezas naturais e turismo rural. O potencial turístico do município começou a se desenvolver há pouco mais de 10 anos, então, já existe uma boa estrutura de pousadas, mas pouco comércio e restaurantes.

Quatro dias em Urubici foram suficientes para ver a maioria das atrações e fazer algumas trilhas. Para quem gosta de trekking, aliás, Urubici oferece farta programação. Para quem não gosta, a boa notícia é que se chega até a grande maioria das atrações com o carro também. Mas prepare-se para uma faxina completa nele na volta. Os atrativos localizam-se na área rural e você vai andar por muita estrada de chão.

Como chegar:
Vindo de Porto Alegre, você tem algumas rotas possíveis:

1) A mais curta, com 371Km é também a que está em piores condições. Não recomendo. Por esta rota, você vai pela BR-116/RS-239 ou pela RS-020 até Taquara e pela mesma estrada até São Tainhas. Depois RS-453 até Cambará do Sul. A partir dali é estrada de chão até São José dos Ausentes e São Joaquim. E estrada muito, mas muito ruim. Em São Joaquim, rodovia asfaltada novamente até Urubici (SC-430).

2)Uma rota alternativa é seguir pela BR-101 e subir a Serra do Rio do Rastro (SC-438). Me parece uma rota um pouco mais complicada, porque é preciso entrar em Criciúma (SC-446) e passar por várias cidadezinhas. Dá uns 450 Km no total. Com as obras da BR-101 pode ser uma má alternativa. Se alguém tentar, pode enviar depois um comentário pro blog.

3) A rota que escolhemos foi pela BR-116 até São Leopoldo, depois pela RS-122 até Caxias do Sul e de lá novamente pela BR-116, passando por Vacaria e seguindo até Lages. Em Lages, é possível pegar a BR-282 até Urubici ou ir por São Joaquim. Por São Joaquim a paisagem é mais bonita e a estrada é melhor, mas são 40Km a mais. Por Lages são 457 Km de Porto Alegre até o destino final. A estrada está em boas condições, mas você vai pagar por isso: R$ 24 em 4 pedágios na ida e R$ 26.40 em 5 pedágios na volta. Levamos cerca de 6 horas.

Onde ficar:
Via de regra não é necessário efetuar reserva prévia. Existem várias pousadas no município, tanto na área urbana quanto na rural. Nós fizemos reserva porque não queríamos perder nosso maravilhoso sábado de sol procurando lugar para ficar. Ficamos na pousada Café no Bule, super bem localizada, numa travessa da rua principal. Sem luxo, mas bem aconchegante e com uma cama com ótimo colchão. O que percebemos é que quem chega cedo não encontra dificuldades para hospedagem. Quem deixar pra procurar depois das 18h em um sábado, pode se dar mal. Se for na alta temporada então (julho), só com auxílio do Centro de Informações Turísticas (pelo menos foi o que nos disseram).


O que é IMPERDÍVEL:
Se você tiver um dia apenas em Urubici e esse dia for de sol, a primeira coisa que você precisa fazer é ir até o Morro da Igreja, que com seus 1.828 m, é o ponto mais alto habitado do sul do Brasil. Lá estão instalados equipamentos do CINDACTA II, que controla o espaço aéreo da Região Sul e adjacências. Mas o mais importante é que é de onde se tem a melhor visão a Pedra Furada, cartão postal do município e a foto central da montagem que acompanha esse post.

Para chegar até lá é fácil: no único semáforo da cidade vire à direita. Siga pela estrada de chão (uns 10km). Existe uma placa indicativa, mas quando surgir um pedaço de asfalto, você deve virar a direita. Os próximos 15Km são asfaltados. Não é preciso caminhar quase nada para ter a visão da foto.

O único "porém" é que é bem comum você sair da cidade com sol e chegar no Morro da Fumaça com nevoeiro. Nós mesmos pegamos uma névoa que durou o dia inteiro no dia em que fizemos a Trilha da Pedra Furada.

Outras Atrações:

O segundo ponto de visitação mais importante (na minha opinião) é o Morro Campestre (as placas falam em Morro Campestre, mas os nativos chamam de Morro da Cruz). Lá existe uma "mini" pedra furada, na qual você chega pertinho sem necessidade de percorrer uma trilha de 2,5 horas. Se você tiver um veículo 4x4 chega bem próximo de carro, se não tiver, vai ter uma subidinha de 1.500m. Nós chegamos nele caminhando, por uma trilha que batizamos de "Trilha do Morro Campestre".

As fotos que ilustram esse post são de lugares de visitação: Mirante, Cascata do Avencal, Morro Campestre, Caverna do Rio dos Bugres e Cascata Véu de Noiva.

Onde comer:
O melhor lugar, sem sombra de dúvida, é a Pizzaria A Cor da Fruta. Por R$14.50 (preço de abril/2009) você saboreia um rodízio de pizza excelente, com direito a sopa, bolinho de aipim, batata frita, lasanha e o melhor: pizza de sorvete. Serviço ultra-rápido e atendimento excelente, as garçonetes são uma simpatia. Se você for em um dia com pouco movimento, então, terá o privilégio de usufruir de um rodízio de pizza a la carte. Você pede 4 sabores por pizza até cansar. E não demora.

Fomos também no Restaurante Zero, mas depois de esperar 1 hora e 20 minutos pelo pedido (e não era nada sofisticado: truta grelhada, arroz, fritas e salada), não tenho muitos elogios pra fazer. A comida é boa, mas foi um exercício da virtude da paciência.

Durante a nossa estadia, optamos por não almoçar, porque usávamos o dia para os passeios, então pegamos sanduíches e brigadeiros na Padaria Vó Maris (pertinho da pousada). Bom e barato.

Temperatura
O clima é temperado. À noite é sempre fresquinho. A temperatura mais baixa enquanto estivemos lá foi de 11ºC, mas em julho costuma nevar. Já se registrou, em 1996, -17ºC. Por outro lado, no calor é bem quente, segundo dizem.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pasta de Dentes

Para terminar a fase dos posts motivacionais: existe um vídeo no Youtube - e me perdoem se estou atrasada, sei que a maioria das pessoas já conhece - que é o retrato fiel de como soluções caras e mirabolantes nem sempre são as melhores. Sem filosofar muito a respeito do assunto, na maioria das vezes temos dificuldade de pensar sob uma perspectiva totalmente diferente para resolver um problema. É aí que entra o vídeo trazendo pelo menos três lições:

1) Nem sempre a solução mais cara é a melhor.
2) Nem sempre a pessoa mais capacitada, estudada e pós-graduada tem a solução.
3) Criatividade e experiência de vida fazem toda a diferença.

Confira o vídeo aí.

terça-feira, 7 de abril de 2009

De Rolante a São Francisco de Paula

Caminhante que é caminhante não desiste nem com chuva. No último domingo, o GCM foi de Rolante até São Francisco de Paula caminhando embaixo da garoa que atingia a região.

De Rolante a São Francisco de Paula? Mas não são 20 Km? Tá bom, nós fomos da zona rural de Rolante até a zona rural de São Francisco de Paula. Mas cruzamos a divisa, a nascente do Rio da Ilha, como está documentado.

A trilha que fizemos, de aproximadamente 8km de distância não era bem uma trilha. Andamos pela estrada de chão, morro acima. Super tranquilo, acompanhava o grupo uma criança de 4 anos e duas de 11 que caminharam todo o tempo, sem ajuda. Então, se alguém está disposto a iniciar-se no trekking, recomendo, pois nada de pedras escorregadias, degraus ou mata fechada no meio do caminho. Além disso, é fácil de achar o caminho e impossível de alguém se perder (juro, mesmo uma criança de 4 anos foi capaz de encontrar).

A paisagem ficou um pouco prejudicada pela chuva, mas conversamos, rimos, fizemos piquenique improvisado, nos molhamos e fotografamos o que foi possível. Visitamos um alambique e um antigo moinho também. Parte do grupo visitou, ainda, um antigo cemitério da região, com inscrições nas lápides totalmente em alemão. No mínimo, curioso. Essa parte, eu passei.

O que encontramos durante a caminhada? Na minha percepção um pouco das paisagens bucólicas da minha infância, com bergamoteiras carregadas (embora ainda verdes), cheiro de mato, perfume dos lírios do caminho, tomates de árvore (desculpem-me a ignorância de não saber o nome real) e até um beija-flor. Para quem viveu toda a vida na cidade, o cenário é bucólico e diferente. Para mim, trouxe boas lembranças da colônia italiana que visitava onde moravam meus avós durante os meus idos tempos. A foto da Igreja da região que ilustra este texto é o retrato fiel dessas comunidades italianas (ou no caso de Rolante alemãs) que ainda sobrevivem.

Se você quiser fazer o passeio:
Siga até Taquara por um dos dois caminhos a partir de Porto Alegre, pela RS-020 (por Gravataí) ou pela BR-116 e depois RS-235. Na entrada de Taquara, vire a direita na RS-239. Dali são 19Km até Rolante. Siga pela rua principal da cidade. Quando começar a estrada de chão, fique atento à uma Capela Católica (se não me engano é São João).Deixe o carro e siga pela estradinha que inicia na Igreja. Siga reto sempre, subindo o morro até a divisa com São Francisco de Paula (Nascente do Rio da Ilha). Há indicações. Para retornar, cerca de 8km novamente. A volta é bem mais fácil, garanto.

Como sugestão final, aconselho a caminhar em um dia de sol. A paisagem campestre do caminho certamente vai recompensar.

terça-feira, 24 de março de 2009

O dia em que tudo deu certo

Quem vem de família italiana sabe que somos extremamente fatalistas. Se em dez tentativas houver uma possibilidade de algo dar errado, qualquer mãe italiana que se preze vai dizer que vai dar errado. Isso faz com que eu sofra por antecipação na maioria das situações. Digo isso, porque passei um mês de março totalmente angustiante, achando que não tinha passado na segunda fase da OAB. Nos últimos dias, no entanto, lendo um blog especializado no assunto, encontrei uma dica que resume bem o que fazer para espantar o fatalismo, que compartilho com vocês agora.

Em situações de ansiedade que se estendem por longos períodos, recomenda-se que a pessoa evite os pensamentos negativos ou catastróficos. Deve-se tentar dimensionar a gravidade da situação, questionando a si mesmo se existe uma forma alternativa de análise, se estamos superestimando o grau de responsabilidade que temos nos fatos ou se estamos subestimando o grau de controle que podemos ter.

Uma vez avaliada a situação, devemos substituir os pensamentos sobre o evento temido, principalmente, os negativos por outros pensamentos. Sempre que um pensamento negativo se iniciar, deve-se substitui-lo por outro pensamento qualquer, de preferência, agradável. Isto certamente não é fácil de ser feito, mas é possível e trata-se de um aspecto importante, pois os pensamentos e as falas negativas agravam a situação, intensificando as respostas autonômicas, como o mal-estar e o descontrole respiratório.

O que quero dizer é que para contrastar com o último dia 18, dia 24 foi incrível. Foi um dia em absolutamente tudo deu certo. Logo de manha, recebi uma quantia em dinheiro que eu estava esperando há algum tempo. Para minha surpresa, o valor foi o dobro do que eu esperava. Ao meio-dia, recebi também uma boa notícia inesperada. À tarde, mais especificamente, às 18h23min, veio a minha tão sonhada aprovação na OAB (e um incrível 4.9 em uma peça processual que valia 5.0) . Além disso, no cair da noite ganhei um presente vindo do estrangeiro...

Existem dias em que tudo dá errado, existem dias em que tudo dá certo, esse é o balanço da vida. Sábio é aquele que consegue sempre acreditar que, ao final, o saldo é positivo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Os dias em que tudo dá errado

Sabe aqueles dias em que tudo dá errado? Pois é, hoje é um deles.

Acordei disposta a finalmente receber de volta os R$ 334 que a Previdência Social tomou a mais de mim (mas isso será contado mais adiante num post intitulado "A saga"). Antes de sair de casa, minha diarista liga avisando que terá que resolver problemas particulares, então irá no período da tarde apenas. Procurando ser tolerante, disse pra mim mesma "paciência" e fui pra Receita disposta a enfrentar as 2 horas de fila até ser atendida. Minha paciência não foi suficiente. Depois de aguentar a espera de 2 horas, com um rapaz ao meu lado jogando um jogo que fazia um barulho irritante a cada toque no teclado do celular e um garoto que não podia levar a mochila com ele até o banheiro (então eu tinha que ficar cuidando), cheguei à conclusão de que não daria tempo. A média das 10h às 11h foi de 8 atendimentos e ainda faltavam pelo menos 12 pessoas na minha frente.

Na saída da Receita, um guardador vem me "ajudar" a retirar o carro da vaga estacionada. Odeio aquelas indicações do tipo "tem que dar ré de novo senão vai bater", quando é óbvio que eu sei disso. Não preciso de um guardador que provavelmente não tem habilitação me orientando como estacionar, afinal não comprei a minha carteira de motorista. Eu teria dado R$ 0,50 se ele tivesse ficado com a boca fechada. Como não ficou não levou nada.

Frustrada e atrasada, me dirigi ao cartório pra fazer uma procuração ao meu pai. Havia uma pessoa conhecida (vide artista) na minha frente, então, por mais pressa que eu tivesse, essa pessoa foi atendida com toda demora e presteza pela moça do cartório, até chegar a minha vez.

Cheguei no trabalho (no horário) e sem almoçar. Como sou uma pessoa prevenida, tinha salgadinho de queijo na gaveta, então não morri de fome. Então, me liga o meu marido avisando que não poderá me acompanhar na palestra que tenho na PUC à noite porque há um vírus na rede do trabalho dele. Isso significa ônibus lotado no horário de pico pra mim, já que ele está com o carro e não dará tempo de pegá-lo.

Agora, no meio da tarde, o teclado do meu computador enlouqueceu e eu tive que reiniciá-lo. Qual o drama nisso? Eu sempre evito, a todo custo reiniciar meu computador no meio do expediente porque isso me custa aproximadamente 15 minutos de trabalho, já que se trata de um "lentium".

O que me espera para o final do dia? Provavelmente mais uma manifestação do meu inferno astral. Cedo ou tarde ele sempre chega.