quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A angústia da espera

Não gosto de médicos. Acho que a maioria deles falha em deixar de tratar-nos como seres humanos únicos. Lógico que eu sei que sou apenas uma no meio de 6 bilhões de humanos, mas eu me considero importante (assim como você que me lê também deve se considerar), então, gostaria de ser tratada como uma pessoa pensante, que tem emoções e sentimentos.

Estou passando por uma situação que ilustra bem o quanto os médicos, em sua objetividade, se esquecem de que somos humanos e únicos. Descobri um nódulo na minha mama. Em consulta ao mastologista, inicialmente, disse não tratar-se de nada preocupante, mas pediu alguns exames. Infelizmente, a ecografia acusou realmente um nódulo classificado como IVb no sistema Birads. Isso significa "possibilidade moderada de ser câncer".

Claro que pesquisei bastante sobre o assunto em sites especializados, mas quando finalmente fui mostrar o exame ao médico, esse, não pareceu muito disposto a me tranquilizar.

Em termos percentuais, disse que havia 50% de chance de ser câncer, que eu teria que fazer uma biópsia, mas que essa biópsia seria apenas para ele decidir o tipo de cirurgia que faria, já que "tinha que tirar o nódulo". Isso tudo, enquanto atendia ao telefone celular e dizia para alguém que achava que "não conseguiria ir, pois ainda tinha que atender 3 pessoas".

Não sei qual o compromisso que ele tinha. Talvez fosse algo importante, como assistir à ecografia do primeiro filho. Mas eu era uma paciente angustiada com o resultado de um exame e que havia esperado dias pela consulta, isso sem contar os 50 minutos para ser atendida. Então, o mínimo que esperava era que ele me dissesse quais eram as possibilidades e alternativas, até para que eu me preparasse para o que estava por vir. Não consegui nada além do que já sabia da Internet.

Quando insisti um pouco mais, afirmando, inclusive, que estava assustada, ele apenas afirmou que "não era o momento de ter uma conversa sobre câncer", mas superficialmente falando, eu não tinha motivo para preocupações, pois, ainda que tivesse que fazer quimioterapia, era um nódulo pequeno. Tudo isso num tom de voz semelhante ao usado para prescrever um antibiótico.

Para marcar a tal biópsia, outra novela. Não adianta você ter plano de saúde, só para dali a 2 semanas. Enquanto isso, o pobre mortal fica à deriva, sem qualquer acompanhamento médico ou psicológico, fazendo mil elocubrações e sem conseguir levar a vida adiante.

Honestamente, doutores: sei que vocês trabalham muito e acham que ganham pouco por consulta, muito embora, ainda ganhem mais do que a maior parcela da população brasileira. Sei que a pessoa que está ali pode ser apenas "mais uma paciente" pra vocês. Só que essa pessoa pode ser a filha, a mãe, a avó, a melhor amiga ou o amor de alguém. E se fosse o seu, como você gostaria que fosse tratado?

Claro que não vou mencionar aqui o nome do médico, até porque não é meu objetivo denegrir ninguém. Porém, pra terminar, preciso fazer justiça a uma profissional que foge a essa regra: a pediatra do meu filho, Dra. Natacha Uchoa. Essa sim, médica disponível quase que 24h, preocupada, que trata cada paciente de forma especial, não tem pressa de despachar ninguém, não faz pouco caso de nenhuma reclamação e não deixa sem resposta nenhuma indagação. Quem dera o médico que consultei tivesse um pouquinho só da boa vontade que ela sempre demonstrou com o meu guri.

Atualizando em 06/02/2012: No final das contas não era nada sério. Mas as semanas de angústia vividas, não desejo pra ninguém. Ah, e o médico (aquele) ainda quer operar.

2 comentários:

Naira Talia disse...

Olá Ane,
Olha esse post relata não só uma situação vivida por vc, mas por muitas outras pessoas, realmente a frieza de certos médicos impressiona, e o pior, piora ainda mais um momento de incertezas e angústias, o descaso é revoltante, a minha opinião é que para ser médico deveria ser aplicado um teste psicológico antes, porque tem profissionais que infelizmente não sabem lidar com seres humanos, a sensação que tenho quando me deparo com um profissional desse nível que vc relatou, atendendo celular, esperando 50 min. no atendimento, fora que quando tira uma dúvida parece que faz um favor (e são muitos que fazem isso, até em consultas bem simples)é a de que estou em um açougue tipo daqueles filmes de psicopatas sabe. Esse profissional só pensa em dinheiro, nunca vai pensar no ser ali na frente dele, em suas dúvidas, angústias, felicidades. Talvez se continuar os procedimentos nem o nome lembre, quem sabe trata seus pacientes por pseudônimos (chato, revoltado, mulherzinha). Tenho vários profissionais da saúde na família, ótimos profissionais graças a Deus, e eles tmb se impressionam as vezes com as atitudes de colegas de profissão. O bom é procurar sempre no mínimo 3 diagnósticos diferentes e sempre avaliar o quão humano o profissional é. Parabéns pelo post, muita gente não comenta sobre isso, e fico feliz por vc estar bem, e o seu diagnóstico não ter sido grave. Continue se cuidando, saúde e felicidades.
bjus

Cássia disse...

Ane, eu acho que tu tens, sim que dizer o nome do médico. Eu não me importo por esperar um tempão na sala de espera da minha gineco/obstetra, porque sei que ela dedica tempo aos seus pacientes. E como sou uma delas...