quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pela liberdade de não-crença

Passou quase despercebida nessa confusão de final de ano a matéria da Zero Hora do último domingo: a ATP (Associação dos Transportadores de Porto Alegre) vetou uma campanha que a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) pretendia veicular em 10 ônibus da capital rio-grandense, sob pretexto de que a legislação municipal proíbe manifestações religiosas.

Engraçado, mas quem mora em Porto Alegre e não tem memória tão curta vai lembrar que no início do ano foi veiculada campanha da Igreja Universal anunciando o Dia D - Dia da Decisão, propagandeando uma "profusão de milagres", no dia 21 de abril em quase todos os ônibus da capital. Então propaganda da Igreja Universal pode, mas propaganda da Associação dos Ateus não pode?

Não sou adepta do movimento dos ateus, tampouco da Igreja Universal. Tenho minhas crenças e minha religião, mas elas só interessam a mim. Acredito, sobretudo, no que está na Constituição Federal, como direito fundamental:

"Art 5º, VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos"

Por liberdade de crença eu entendo também a liberdade de não-crença. Mas parece que as pessoas não são livres para não pertencerem a uma religião. Então, se eu não tenho herdeiros necessários, posso doar todos os meus bens para uma Igreja qualquer, mas não acreditar em nenhuma religião, não pode? Ah, você vai dizer eu posso doar meus bens para o movimento dos ateus, o que não posso é expressar isso nos ônibus da capital. Então, pra sermos igualitários nenhuma expressão religiosa deveria ser permitida, muito menos a propaganda da "profusão de milagres". Bom, se eu tivesse ido até ao Gigantinho só pra receber o meu milagre e não tivesse acontecido nada poderia então enquadrar a tal propaganda como publicidade enganosa, pelo art.37, §1° do Código de Defesa do Consumidor.

Não faço piadas sobre a crença de ninguém, porque sei que as pessoas são livres para acreditar ou não acreditar no que quiserem. Você quer dar dinheiro para a Igreja? Faça isso se lhe fará feliz. Você não tem fé em Deus? Seja feliz também. Respeito e tolerância são valores morais universais que independem do tipo de credo. Agora, no momento em que você autoriza a publicidade do Dia D no ônibus, nasce o dever de autorizar propaganda de qualquer movimento, religioso ou não: ateus, umbandistas, mórmuns, católicos, evangélicos, bruxos, aqueles que creem em duendes e em Papai Noel e outros mais. Todo mundo passa a ter o direito de se expressar do mesmo modo. Pessoas de determinada religião podem se sentir ofendidas com a propaganda dos ateus? Sim, podem. Mas não passa pela cabeça dessas mesmas pessoas que os ateus podem se sentir ofendidos por determinados cultos religiosos manifestados publicamente?

A gente faz propaganda de que o Brasil é a maior democracia do mundo. Pois bem: democracia é tolerar e conviver com aqueles que são diferentes de você, quer você goste ou não. Seria bom se as pessoas conseguissem aprender só essa lição nesse final de ano, pra fazer de 2011 um ano melhor.

Feliz Natal a todos os cristãos, feliz dia 25 de dezembro a todos os outros!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Parque Estadual do Turvo e seu Salto do Yucumã

O Parque Florestal Estadual do Turvo, localizado no município de Derrubadas(RS) foi o primeiro parque criado no Rio Grande do Sul, em março de 1947. Trata-se de um dos mais importantes paraísos ecológicos gaúchos, último reduto de animais como a onça pintada, o puma, o leão baio, a lontra e a jacutinga. O parque é mais conhecido por abrigar o Salto do Yucumã, uma das maiores (senão a maior) queda livre longitudinal do mundo. O salto tem queda longitudinal de 1800m de extensão e entre 12 e 15m de altura.

O parque possui 17.491,40 hectares, representando quase 50% da área total do município de Derrubadas, nos quais estão algumas das matas mais altas do Estado, com árvores de até 30 a 40 metros, últimos exemplares da floresta do Alto Uruguai.

É um lugar que, apesar da distância e dos municípios da região não oferecerem muitos outros atrativos turísticos, vale a pena conhecer, quer pelo salto que é lindo, quer pela possibilidade de, de repente, avistar um animal em extinção.

Importante saber antes de ir
  • O parque funciona de quarta a domingo, das 8h30 às 17h.
  • Após entrada do parque tem uns 15Km de estrada de chão até o salto.
  • Não há lancherias no parque, leve seu lanche se for passar o dia.
  • Junto à área do salto, o parque oferece cabanas com churrasqueiras, mesas, água encanada, pias e banheiros.
  • Não é permitido acampar.
  • A melhor época de visitação é de Novembro a Abril, quando as águas estão mais baixas. Se você for em época de cheias corre o risco de não ver os saltos.

Como ir
A distância de Porto Alegre a Derrubadas é de 466.3 quilômetros, pelo seguinte trajeto:
  • Sair de Porto Alegre pela BR116.
  • Depois pegar a BR-386 (estrada da produção) que passa por Nova Santa Rita, Lajeado e outras cidades.
  • Seguir pela BR-386 até o entroncamento com a BR-158 (após São José das Missões). Isso dá uns 340Km.
  • Seguir pela BR-158 até entroncamento com a RS-472 (após Seberi). Isso dá mais uns 34Km.
  • Seguir pela RS-472 até o entroncamento com a TE-999 (mais ou menos 60Km).

Trilhas do Salto
Trilha 1: trilha curta e fácil que inicia no estacionamento e segue pelo meio da mata até chegar ao leito do rio (cerca de 250 m). Caminhando-se mais 150 metros em meio a pedras de rocha basáltica, chega-se à beira da fenda, onde corre o rio Uruguai.

Trilha 2: trilha também fácil que chega próximo ao início das quedas. A trilha começa ao lado da churrasqueira coberta, desce um pequeno barranco no meio da mata até encontrar o leito do rio (200 m). Para chegar junto às quedas, percorre-se cerca de 60 metros por dentro do rio, o que é recomendável de fazer apenas nas épocas mais secas (novembro a abril).
Fonte: Bem-te-vi Brasil

Curiosidade
Salto do Yucumã em tupi guarani significa "Grande Roncador".

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O cravo não brigou com a rosa

O texto não é meu, é de Luiz Antônio Simas, mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor de história e autor de livros e estudos. Gostaria de poder citar o site ou publicação onde ele foi originalmente publicado, mas realmente não encontrei. Então, o reproduzo, mantendo o devido crédito, já que acredito que textos lúcidos devem ser difundidos, atribuindo, é claro, a sua autoria a quem é de direito. Numa época em que se pensa muito pouco e se recebe milhões de informações que em seguida são esquecidas, ele pelo menos nos faz parar e refletir um pouco.

O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA

Texto de Luiz Antônio Simas

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto. Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/ debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".

Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?

É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.

Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil. Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.

Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil - de deficiente vertical . O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro daNona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".

Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Trekking a 150Km de Porto Alegre

Para quem acha difícil encontrar trilhas próximas de Porto Alegre e está cansado de rumar para o litoral ou para Gramado, seguem algumas sugestões de municípios e seus atrativos ecológicos, não muito divulgados.

Sertão Santana
Distância de Porto Alegre: 80Km

Trilha da Pedra Grande 
Trilha com um paredão de granito com cerca de 70 metros que passa por mata nativa e pequenas cachoeiras. A trilha leva o visitante a vencer o morro para chegar ao outro lado. Após cruzar o campo, a descida guarda uma área atraente de mata de galeria repleta de pequenas cachoeiras que podem ser facilmente atravessadas.
Grau de dificuldade: médio.
Duração: 2h30min.
Informações: João Meyer - Fone: (51) 3495-1070 - agricultura@sertaosantana-rs.com.br

Trilha do Labirinto
O interessante nesta trilha é percorrer um fantástico labirinto natural localizado no alto do morro. A etapa inicial é feita com transporte e o caminho encerra com a chegada à "Pedra Suspensa". Com um pouco de sorte, podemos encontra-se aves e bugios e se avista ao longe a Lagoa dos Patos.
Grau de dificuldade: difícil.
Duração: 2h30min.
Informações: João Meyer - Fone: (51) 3495-1070 - agricultura@sertaosantana-rs.com.br

Trilha do Paredão da Figueira
Trilha que compõe um cenário belíssimo, com fortes quedas d´agua e grandes pedras e uma fauna e flora ainda bem conservada. Ao amanhecer, percorrendo a vegetação nativa frondosa e úmida do local, é possível apreciar os andorinhões que vivem nas fendas das pedras das cachoeiras.
Grau de dificuldade: médio.
Duração: 2h30min.
Informações: João Meyer - Fone: (51) 3495-1070 - agricultura@sertaosantana-rs.com.br

Maquiné
Distância de Porto Alegre: 135Km
O turismo ecológico é o carro-chefe de Maquiné, uma cidade tranqüila para os lados do litoral.

Cascata do Garapiá
Pode-se chegar bem próximo de carro. Distante 29 Km da sede, Linha Garapiá. De rara beleza e fácil acesso. Para chegar, 7 km após Barra do Ouro, pegue a esquerda atravessando o Rio Maquiné. É uma estrada cascalhada, mas com poucas indicações, há necessidade de perguntar aos moradores locais. Fica a 15 Km de Barra do Ouro
No final há uma caminhada fácil de 10 minutos até a cascata, que tem 40 metros, local convidativo para banho, com até 5 metros de profundidade e água bem gelada.

Morro da Solidão
Saída da sede do município com destino a Linha Solidão. Partida do paradouro do Morro com trekking de 20 minutos em trilha aberta e 40 minutos em mata fechada, até as três cascatas sobrepostas. Vegetação e fauna típica de Mata Atlântica.
Nível: médio
Duração: 3 horas
Percurso: 7 Km
Informações: Prefeitura Municipal de Maquiné, fone (51) 3628.1322.

Riozinho
Distância de Porto Alegre: 105 Km

Cascata do Chuvisqueiro
É a atração mais conhecida do município, apresenta uma queda dágua de 70 metros, com área para banho. Localiza-se em Chuvisqueiro, a 16km da sede, com acesso pela RS 239, estrada Riozinho / Rolante. Recebe visitação diariamente, possuindo bar, local para camping, churrasqueiras, energia elétrica e chuveiros.
Tempo de percurso: 40 minutos de acesso, 1h30 de trilha (ida e volta)

Cascata do Chuvisqueirinho
Trilha no interior da mata, paralela ao arroio Chuvisqueirinho, com diversas espécies de plantas, como tucuns, samambaias e cedros. Há também uma seqüência de três quedas, que formam lagos para banho. Não possui infra-estrutura, apenas um camping. Localiza-se em Chuvisqueiro, a 16km da sede do município, com acesso pela estrada para a Linha Cinco de Novembro.

Cascata da Linha Cinco de Novembro
Trilha com aclives e declives, atravessando o interior da mata nativa. A cascata tem aproximadamente 38 m de altura. Há uma pequena piscina natural para banho. Não posssui infra-estrutura. Localiza-se na estrada para Linha 05 de Novembro, a 5km da sede do município.
Grau de dificuldade: leve
Extensão do percurso: 2,5 km
Tempo de percurso: 30 minutos de acesso, mais três horas de trilha (ida e volta)

Cascata do Paredão
Esta cascata possui uma queda livre de 30m em meio à mata nativa. O local não é apropriado para banho, sendo um habitat natural das gralhas azuis. Possui ainda um moinho movido à dágua. Distância de 10km da sede do município.

Informações sobre as trilhas: Serviço de Informação ao Turista: Fone/Fax: (51) 3548-1090 - Fax: (51) 3548-1185 turismo@pmriozinho.com.br

Fonte: ferias.tur.br e RS Virtual

Nova Roma do Sul
Distância de Porto Alegre: 151Km

Trilha Ecológica Fioreze
Trilha eco-histórica realizada no interior do município. O percurso apresenta belezas naturais, como a Gruta Fioreze. O início da trilha passa por propriedades rurais cujas construções apresentam traços da arquitetura típica italiana. Após descida por mata nativa, chega-se ao cachoeirão do rio das Antas.
Localiza-se na Comunidade Fagundes Varela, a 6Km da sede do município, com acesso pela RS 448.
Pode ser feita aos sábados, domingos e feriados, em três horários: das 08h às 14h, das 09h às 15h e das 13h às 18h.
Informações: (54) 3294-1406 / 3294-1563 / 9973-8843.
Fonte: ferias.tur.br

domingo, 21 de novembro de 2010

A saga da sapatilha e outras histórias de consumidores frustrados

As teorias de gestão modernas acreditam ter descoberto a América quando criaram os call centers e seus scripts de atendimento. Sob o ponto de vista empresarial talvez seja algo bom mesmo, mas os empresários de hoje se esqueceram daquilo que é o básico pra fidelizar um cliente: que ele esteja satisfeito.

Exemplificando: recentemente, precisei comprar uma sapatilha. Não gosto de sapatilhas, mas andar de salto alto e barrigão não é lá muito agradável, então procurei uma que reunisse os seguintes requisitos: fosse confortável, discreta o bastante para usar no trabalho e fresquinha para o verão. Não foi fácil encontrar e, quando finalmente achei uma do meu gosto, não havia o número na loja.

Como a Internet é maravilhosa para encontrar o que a gente procura, entrei no site do fabricante (Bottero) e, incrivelmente, encontrei lojas online que ele indicava para adquirir o produto. Bem feliz, adquiri o produto na Passarela. Ele chegou 6 dias depois, bem certinho. Foi quando começaram os problemas.

O sapato veio com um pé tamanho 36 e um pé tamanho 38 (eu havia pedido o 36). Para reclamar, a loja divulga um e-mail no site, mas responde com um automático "Entre em contato com nossa central de atendimento". Para entrar em contato com a central de atendimento, você é obrigado a pagar um interurbano para São Paulo, pois o 0800 só vale para a região de Jundiaí.

Então, aquele consumidor já está chateado porque o produto não veio certo e ainda é obrigado a ser atendido por uma voz eletrônica e ainda ouvir aquelas intermináveis musiquinhas até chegar no atendente. Como o atendente também segue um script, ele não mostra nenhum tipo de sentimento com relação a sua situação, um pedido de "desculpas pela nossa falha", então, nem em sonho. Ele faz parecer que o problema é seu, não dele. Bom, depois de pagar 3 interurbanos e ir a 2 agências diferentes dos correios (porque as agências franqueadas não mandam de volta o pacote) eu consegui finalmente devolver o sapato, mas o reembolso? Só depois de 8 dias do recebimento. Quer dizer: eu arco com o prejuízo dos interurbanos, perco o meu tempo e eles ainda ficam com o meu dinheiro por mais 8 dias rendendo juros em alguma aplicação financeira. Pedido de desculpas? Não, nenhum, a culpa é minha por ter contratado com eles, eu sou a otária.

Sinto falta do tempo em que comerciantes se envergonhavam por erros deles e lhe davam alguma cortesia em troca. É o mínimo se você quer fidelizar um cliente, não? O erro foi seu, você deveria dar um bônus a ele para fazer ele voltar. Mas parece que eu como consumidora não importo pra estabelecimento algum. O lema é "nosso serviço é esse, se você não quer, problema seu, uma hora você vai precisar de nós".

Isso faz lembrar outras duas situações com relação a estabelecimentos bancários. Tenho conta no Banrisul há uns 15 anos, ou seja, cliente antiga, daquelas que deveria ser chamada pelo nome se as relações interpessoais ainda fossem pessoais. Pois bem: ao tentar pegar um novo cartão de débito, fui obrigada e retirar TODAS as minhas coisas de dentro da bolsa, atrasando toda a fila atrás de mim, porque o guarda da agência se negou a olhar a bolsa, como qualquer um deles faz em situações semelhantes antes de liberar a porta. Pior virou as costas e ainda "deu de ombros" como se ele não tivesse nada com isso. Perguntem-me se tenho vontade de manter a conta nesse banco e nessa agência depois disso? Se continuo com a conta ativa é apenas em respeito ao meu pai que trabalhou para a instituição por mais de 30 anos.

Pela outra situação passou uma colega dias atrás, não correntista da agência que fica dentro da empresa. O banco se negou a receber um cheque de outro banco para pagamento do IPVA, porque ela não era correntista. Pior: se negou a aceitar o pagamento em dinheiro porque ela não era correntista. Quando ela comentou então que daria o dinheiro para um colega correntista pagar, o funcionário respondeu: ah, sim, aí pode. Quer dizer: com esse atendimento não existe a menor chance de algum dia ela se tornar correntista.

Todo empresário deveria saber, mas já que é tão difícil enxergar o óbvio aí vai a dica: cliente bem tratado, volta. Cliente tratado como uma abóbora se livra de vocês o quanto antes e ainda pode influenciar muitos outros. A Internet serve pra isso também.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Maicoçuel

Como futura mãe de primeira viagem, muita gente vem oferecer dicas de nomes para a criança. Antes de saber o sexo estávamos chamando o pobrezinho de Noname, porque quando comecei a programar em Turbo C e a gente não salvava os programas, o sistema os chamava de "noname.c". Achava carinhoso. Hoje, o temos chamado de Maicoçuel (assim, com ç mesmo). Não, não se assustem, não pretendo chamar o meu filho de Maicoçuel, muito embora, não tenha nada contra quem nomeie os seus assim, ainda que assassinando a língua portuguesa. Apenas acho que o nome é algo que a pessoa carrega para a vida inteira e, se for mal escolhido, talvez eu faça o coitado ser alvo de piadas desde a mais tenra idade. É muita responsabilidade para uma pobre mãe escolher um nome, de modo, que prefiro olhar para o pequeno primeiro, quem sabe eu vou dizendo nomes em voz alta e pelas caretas que ele faz encontro a melhor opção.

Em todo o caso, deixo para os amigos, parentes e curiosos em saber o nome do rebento, a minha lista de nomes excluídos. Podem ter certeza, não será nenhum dos abaixo transcritos:

1) Dos jogadores de futebol:

Maicossuel
Fernando Bob
Andrigo
Keirrison

2) Dos imperadores romanos

Diocleciano
Calígula
Diadumeniano
Joviano
Magnêncio
Olíbrio
Quintilo

3) Das sugestões dos colegas de trabalho/amigos

Merrwelvelson
Edoar
Vantuir
Lopson
Maiquel Jaison
Claucidio
Joélio
Pronaf
Moderagro
Roliúde

4) Das sugestões do pai
Temugin
Nabucodonosor
Huilson

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Confusão do ENEM

De toda essa confusão com as provas do ENEM uma coisa é cristalina de tão clara: falta planejamento da execução. Sei que foram diversas irregularidades, mas duas saltam aos olhos:

1) é inconcebível que ninguém tenha se dado conta de revisar a prova e verificar que havia duas questões iguais;

2) é inconcebível que não houvesse uma orientação padrão para os fiscais dos procedimentos a serem adotados em todos os locais de prova, caso alguma irregularidade fosse encontrada durante a aplicação da mesma.

Digo isso, porque ouvi dizer que em alguns lugares os fiscais tomaram a liberdade de dar aos alunos uma hora a mais para resolver a prova. Em outros, não. Em matéria do UOL, uma aluna disse que foi instruída a "anotar os erros que encontrasse no verso do cartão de respostas".

Ora, se em alguns dos lugares alunos tiveram uma hora a mais, logicamente tiveram um benefício que não foi estendido a todos. É uma decisão que não caberia a fiscais. E anotações no verso de cartão de resposta podem caracterizar identificação de prova, para os corretores, quer dizer, a pessoa ainda corre o risco de ser eliminada por uma má orientação.

O ENEM custou aos cofres públicos quase R$ 200 milhões e sou capaz de apostar como a prova será anulada (ou pelo menos o primeiro dia dela). O pior é que duas medidas simples poderiam ter evitado a catástrofe. Primeiro, um simples revisor poderia ter lido a prova após a impressão. Outro revisor, poderia ter conferido o gabarito. Segundo, os organizadores deveriam divulgar aos locais de prova ou colocar no próprio caderno de questões qual seria o procedimento em caso de problemas com questões da prova. O normal num concurso é ninguém reclamar na hora e se entrar com recurso depois. O que não é possível é conceder a alguns alunos privilégios que outros não terão.

Não é preciso ser muito inteligente pra saber que haverá uma enxurrada de alunos e pais de alunos recorrendo ao Judiciário e aos seus órgãos auxiliares (Defensoria, Ministério Público) lamentando a oportunidade perdida e, talvez, até usando a prova para conseguir a vaguinha na universidade pública no tapetão. Isso sem contar o custo com eventual reaplicação de prova. E agora, quem vai pagar a conta?

domingo, 31 de outubro de 2010

Fim de tarde no Taim

Algumas vezes, as viagens nos trazem gratas surpresas que não foram planejadas. Retornando do Uruguai pelo Chuí, passamos no final de tarde pela Reserva do Taim e captamos o momento da foto ao lado.

Até onde sei não existe um roteiro de visita turística ecológica à reserva, pois o objetivo principal é proteger o ecossistema e estudá-lo. Mas se você desacelerar e parar no acostamento (não existem muitos pontos de parada e, em tese, a velocidade máxima é de 60Km, embora poucos respeitem), vai conseguir ver capivaras, muitas aves, tartarugas e, quem sabe, até jacarés.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

La Paloma

La Paloma é um balneário uruguaio feito para famílias, localizando-se cerca de 228 Km norte de Montevideo e 689 Km sul de Porto Alegre. Digo que foi feito para famílias porque é um lugar tranquilo, com algumas praias de mar calmo e outras de mar mais agitado, próprias para surfistas.

Para chegar a partir do Brasil, deve-se pegar a BR 471 até chegar ao Chuí, dali pegue a rodovia 9 até Rocha e depois continue 28 quilômetros pela rodovia 15 até chegar a La Paloma.

O lugar é calmo, mas tem alguns restaurantes e um pouco de comércio. Fora de temporada, não existem muitas opções de hospedagem, mas há pelo menos dois hotéis, facilmente visíveis do centro: o Bahia  e o Viola. O point, fora da estação, pareceu ser uma sorveteria, a única aberta em outubro.

Existem duas principais atrações, fora a praia: subir no farol e observar as baleias. O farol, com seus 143 degraus, é a construção que mais aparece quando você chega ao lugar. Vale a pena a visita, pois a vista lá de cima é incrível.

A outra atividade é procurar as baleias. Nós as vimos pela primeira vez nos molhes do porto. Parecia haver 2 ou 3 nadando para o sul. As fotografias não ficaram muito boas, mas elas estavam lá (tente encontrá-la na foto ao lado). Disseram-nos que a espécie de baleias encontrada por ali é a franca austral, diferente das baleias encontradas no Brasil. Aliás, os molhes são bastante visitados nas tardes de domingo tanto para pesca, como para observação das baleias.

Sobre as praias, existem as de mar mais calmo, localizadas mais próximas da bahia e do farol (mais a esquerda do farol) e as de mar mais agitado. La Pedrera, point de surfistas é uma parte de La Paloma, tem um povoado próprio, mas é minúscula. Passamos por lá em um mês de janeiro anos atrás e agora, em outubro. Posso dizer que em janeiro é quase inviável transitar nas ruas estreitas, mas em outubro o lugarzinho pareceu bom para um final de semana tranquilo.

No domingo à noite, havia uma banda de rock tocando no canteiro central da cidade, em frente a um enorme osso de baleia que parece representar o balneário. Som em volume adequado pra quem queria ouvir, sem atrapalhar quem não queria ouvir.
Se você for a La Paloma em janeiro ou fevereiro, será bem difícil conseguir hospedagem sem reserva. Passamos por isso há algum tempo. Lembro que queriam nos cobrar US$ 60 a diária em um hotel que sequer ventilador de teto tinha. Fora de temporada os preços baixam bastante, consegue-se hospedagem na faixa dos US$ 35-40 para o casal.

Existem muitas opções de aluguel para esta época, mas a maioria dos hotéis e pousadas fecha durante o ano. Também há opções de aluguel de casas e cabanas.

Quanto aos restaurantes, fora de temporada havia o La Ballena, na avenida principal, pequeno e bem decorado, com comida e preços bem razoáveis.

Indico o local como ponto de passagem para quem está indo para Montevideo ou Punta del Este ou para passar um feriadão com paz e silêncio, mas com relativo conforto, infra-estrutura e segurança.

sábado, 16 de outubro de 2010

Dia e noite em Cabo Polônio

Amigos sempre nos diziam que Cabo Polônio era um lugar único. Depois da visita, tendo a concordar com a afirmação. Talvez não seja um lugar único, mas é um dos poucos lugares em que você consegue ficar quase  afastado da civilização. Mas chega a ser um lugar onde você fica sem comunicação ou sem nenhuma espécie de energia elétrica. Consegue-se relativo conforto e até banho quente. Aí vão as dicas pra quem quiser ser aventurar.

Como chegar
Você não vai a Cabo Polônio com seu carro, a menos que ele seja uma caminhonete 4x4. Existem duas opções de acesso:

1) Por Valizas: Você deve deixar o carro na Barra de Valizas, senão a caminhada é maior. Não há estacionamento pago e coberto, mas fora de temporada você consegue deixar o carro em uma das vagas próximas da praia. Dali nos disseram que são cerca de 8Km de caminhada pela praia, mas olhando parece mais.

Lembre-se que, durante essa caminhada, você passará por praias desertas, sem nenhuma estrutura de apoio.

2) Com veículos próprios: Existe um ponto facilmente visível na estrada de onde saem os caminhões de transporte para Cabo Polônio. O valor do transporte fica em torno de R$ 15 (ida e volta). Existem horários fixos fora da temporada. O último sai às 19h30min. Para retornar, os horários fixos são às 6h, às 11h, às 14h, às 16h, às 18h e às 20h. No entanto, se existem passageiros, os caminhões saem conforme vão se preenchendo. No verão, com certeza eles são mais frequentes.

São 7Km pelo areal, com direito a muitos solavancos. Você pode fazer esse trajeto a pé também, mas não deve ser nada fácil caminhar 7Km por dunas e areia fofa. Não recomendo. Depois, o veículo anda mais uns 2Km pela praia até chegar no que se chama de vila de Cabo Polônio, onde é o ponto final. O trajeto completo dura entre 20-30 minutos.

Você pode deixar o carro no estacionamento improvisado em torno desse local onde se pega o transporte. Não dá pra dizer que ele será vigiado, mas como é na entrada de um parque, pelo menos há guardas florestais durante a noite e bastante movimento durante o dia. Como o Uruguai ainda é um lugar tranquilo em relação a furto de automóvel, creio que dá pra confiar.

Infra-estrutura
Esse é o ponto que gera mais curiosidade em quem pretende ir a Cabo Polônio. Primeiro: há telefone. Os públicos são de ondas curtas, movidos a energia solar. Raridade. Mas fique calmo, porque há sinal de  celular.

Não há energia elétrica pública, exceto no farol. Observamos que os moradores, pousadas e restaurantes possuem algum tipo de energia: solar, eólica ou geradores. Obviamente, os geradores são ligados no final da tarde e desligados em torno das 10h30min da noite, fora da temporada. Não sei dizer se no verão ficam até mais tarde.

As pousadas são simples. Ficamos no que dizem ser a melhor delas, a La Perla del Cabo, fone (598) 470. 5125, e Mariemar, fone (598) 470.5164 A diária saiu R$ 80 para o casal, em um quarto pequeno, mas bem limpo, com banheiro privativo, banho bem quente e café da manhã. O único problema é que o vaso sanitário não tinha tampa, o que para nós, mulheres, é um problema. A pousada também tem uma localização excelente: a beira-mar e próxima ao farol e ao ponto de observação dos lobos-marinhos.

Nas pousadas, normalmente se serve janta (a parte), mas comer não me pareceu um problema. Há alguns restaurantes improvisados, que servem peixes, massas e até omelete de algas.

Existem outras pousadas mais econômicas, um hostel e também é possível ficar em casas de moradores locais, dizem que se consegue até preços de US$ 10 nessas acomodações mais simples.

Não há muito o que fazer de noite. Na nossa pousada, ao desligar o gerador, exatamente às 10h30min da noite, reinava o silêncio absoluto.

Venta muito à tarde e o vento é frio. Fomos em outubro e precisei de blusão de lã e casaco. Pra caminhar e aproveitar a praia, o melhor mesmo parece ser o período da manhã.

O que fazer em Cabo Polônio
1) Visite o farol. Você pode subir os 132 degraus e avistar o povoado inteiro, pagando R$ 1,50. A vista é linda.

2) Caminhe pelo povoado. É uma sensação única, pois não há ruas ou pátios de residências próprios. Você caminha por onde quer, seguindo apenas sua orientação e desviando das galinhas e pássaros do caminho. Aliás, quase fomos atacados por um casal de quero-queros que cuidava do seu ninho, supostamente enterrado no chão por onde estávamos passando.

3) Caminhe pela praia deserta até as dunas. Não é uma caminhada muito longa e Cabo Polônio ainda é dos poucos lugares em que você consegue subir nelas e ficar de bobeira apreciando a vista em total silêncio e privacidade.
4) Se estiver quente o suficiente, curta a praia sem ser incomodado por NENHUM vendedor.

5) Para quem gosta, é possível surfar em Cabo Polônio.

6) Observe os lobos marinhos. Eles ficam nas pedras próximas ao farol e também em três pequenas ilhas que se avista dali.

7) Passe uma noite em Cabo Polônio. Saímos para a rua em torno da meia-noite para observar as estrelas. O céu é muito, mas muito diferente do céu da cidade. A única luz disponível nesse horário é a que vem do farol. Uma experiência diferente de tudo o que você está acostumado.

    sexta-feira, 8 de outubro de 2010

    4 horas em Curitiba

    Se você tiver apenas quatro horas em Curitiba um dos lugares mais interessantes pra se visitar é o Jardim Botânico. O lugar é lindíssimo e muito bem cuidado. Além disso, não há custo para visitação.

    No nosso caso, tínhamos um intervalo entre uma conexão e outra de aproximadamente quatro horas. Como o aeroporto de Curitiba é em São José dos Pinhais, ficaria um pouco caro pegar táxi para ir até o Jardim e retornar ao aeroporto (dá mais ou menos uns R$ 80 por trecho).

    Porém, existe um serviço de micro-ônibus que sai do aeroporto e passa por alguns pontos no centro de Curitiba. O valor da passagem é R$ 8 e a viagem dura em torno de 30 minutos. Além disso, em dias úteis, o intervalo a cada viagem é de 20 minutos. E ele é bastante pontual.

    Descemos na primeira parada, a rodoviária. Lá facilmente encontramos um táxi que nos levasse até o Jardim Botânico por menos de R$ 10.

    Para retornar ao aeoroporto, tomamos novamente um táxi no Jardim, mas pedimos para que nos levasse ao Shopping Estação que é o último ponto do micro-ônibus antes de retornar ao aeroporto. É um shopping bem bonitinho, construído em uma antiga estação de trem. Ainda deu tempo de uma visita relâmpago nele. Igualmente gastamos uns R$ 10.

    Como já disse o lugar é lindo. Os gramados e flores são muito bem cuidados. A construção que aparece nos cartões-postais de Curitiba é uma estufa, que abriga plantas da floresta atlântica brasileira.

    Além disso, o Jardim Botânico conta com um espaço bem interessante chamado de "Jardim das Sensações", lago, um espaço para exposições, quadras esportivas e um velódromo.

    Com relação ao Jardim das Sensações cabe um comentário: é uma trilha de 200 metros de extensão que você pode percorrer de olhos vendados, sentindo as plantas com as mãos, e aspirando seu perfume. Mesmo que não queira vendar os olhos, o lugar oferece uma sensação de calma e paz raras na cidade grande.

    Visitas: diariamente, das 6 h às 21 h (no verão) e das 7 h às 20 h (no inverno).

    domingo, 3 de outubro de 2010

    Os últimos passeios em Foz

    Pra terminar os posts sobre Foz, seguem outros passeios que você pode aproveitar para fazer por lá.

    Parque das Aves
    Este parque privado fica em frente ao Parque Nacional das Cataratas. Você pega o mesmo ônibus para chegar lá (Aeroporto-Parque Nacional). A diferença é que deve descer na penúltima parada.

    Lá são encontradas aves tropicais coloridas que voam em amplos viveiros integrados à floresta. Os visitantes têm a oportunidade de entrar nesses viveiros para conhecer de perto a vida das aves. Além delas, há jacarés, sucuris, jibóias, sagüis e borboletas.

    Site Oficial: http://www.parquedasaves.com.br/v2/br.htm

    Mesquita Muçulmana
    Para quem se interessa por conhecer uma cultura diferente, faça uma visita à mesquita. É recomendável que você agende antes, para receber explicações e ter uma visita completa. Nós fomos num sábado pela manhã e só conseguimos ver o templo, que é belíssimo e tirar algumas fotos. Se você passa por perto à noite, a iluminação dele, inclusive, chama a atenção. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 9h às 18h.

    Para chegar lá, Você pode pegar no Terminal Central qualquer ônibus onde esteja escrito "Ponte de Amizade" ou "Conjunto C" e descer na primeira parada após o Supermercado Big. Siga pela rua do Big por umas três quadras, vire à esquerda e depois a direita e você estará no templo.

    Templo Budista
    Não chegamos a visitá-lo, pois é um pouco afastado da cidade, mas nos aconselharam a ir de táxi ou pelo menos ir com a linha de ônibus "Porto Belo" até a Vila Porto Belo e depois pegar um táxi, já que a vizinhança não parece ser muito amistosa. O templo fica aberto à visitação de terça à domingo das 9h às 17h (domingo fecha mais cedo).

    Marco das Três Fronteiras
    Você pode visitar o marco tanto no lado brasileiro, como no lado argentino. Fomos aconselhados a visitar pelo lado argentino, que dá uma melhor visão dos três marcos: o brasileiro, o paraguaio e o próprio argentino. Mas depois visitamos também o brasileiro e não achei muita diferença. Na foto ao lado, você vê o marco brasileiro e lá, bem ao fundo, o argentino. O paraguaio está escondido à direita na foto.

    Você pode aproveitar para visitar o marco argentino quando for visitar o lado argentino das cataratas. Se estiver de carro, entre na cidade de Porto Iguaçu e peça indicações. Se estiver de ônibus, igualmente, peça indicações na rodoviária, pois você precisará pegar um ônibus local. O ônibus que vem do Brasil não passa por lá.


    Para visitar o marco do lado brasileiro, você pode pegar no Terminal de Transporte Urbano (TTU) o ônibus "Porto Meira" e descer no final do ponto. Ainda terá que caminhar um pouquinho, peça informações ao cobrador.

    O lugar é meio ermo, não vá à noite. Na volta ainda tivemos que andar um pouco mais para pegar um ônibus que passa mais frequentemente, pois fomos avisados alguns ônibus só vão até esse ponto do marco se tiver gente para desembarcar ali.

    Passeio de Helicóptero
    Esse é para os mais afortunados, pois o passeio é curto e caro, mas deve ser muito bonito. Você verá as cataratas pelo lado de cima. A partida do passeio fica bem em frente ao Parque das Aves. Se for de ônibus desça na mesma parada.

    Para terminar, quero responder à dúvida da Paula que postou um comentário aqui dias atrás, sobre a facilidade ou não de ir de carro para o lado argentino.

    Você consegue chegar de carro até o parque, não é difícil, mas dentro do parque não consegue circular com ele. Terá que deixar no estacionamento antes da entrada.

    As indicações são claras, basta seguir a placa que indica a Argentina na Rodovia das Cataratas. Siga sempre por aquela estrada e preste atenção às placas.

    domingo, 26 de setembro de 2010

    Compras no Paraguai

    Garimpei algumas dicas sobre compras no Paraguai, para quem quiser aproveitar a viagem em Foz para umas comprinhas.

    1) Não é necessário contratar um serviço de táxi ou de transporte privado para ir às compras em Ciudad del Leste, no Paraguai. Existe um ônibus que passa seguidamente, ao custo de R$ 3,30 a passagem. Não tente compará-lo com o ônibus que vai para a Argentina, por favor.

    Esse ônibus não pára no TTU (o terminal central de Foz). Então, você pode pegá-lo em frente ao Mac Donalds da Av. Jorge Schimmelpfeng (que é uma continuação da Av. das Cataratas) ou na Av. Juscelino Kubitschek. É importante pegar este ônibus e não outro, porque este cruza a Ponte da Amizade. O final da linha é logo depois da fronteira. Fomos desaconselhados a cruzar a ponte a pé, muito embora seja mais rápido.

    2) Evite ir a Ciudad del Leste nas quartas, sábados e feriados, dias reconhecidos como pertencentes aos sacoleiros. Fomos em uma segunda-feira e foi relativamente tranquilo, se é que Ciudad del Leste pode ser considerada tranquila.

    3) Optamos por não levar máquina fotográfica. A confusão é grande e você pode facilmente perdê-la ou sofrer um furto.

    4) Cuide do que vai comer. Vende-se churrasquinho, frutas e toda espécie de coisa pelas ruas. Eu não arriscaria. Como já comentei em outro post, encontramos um Burguer King barato e limpinho lá. Também há restaurantes com um aspecto bem limpo, normalmente nos chamados shoppings, que nada mais são do que galerias de lojas. Dizer shopping seria forçar um pouco.

    5) Você pode comprar seus produtos em lojas de departamentos, como a Monalisa e também nos camelôs ou nas galerias. Eu não compraria eletrônicos de camelôs, procuraria comprar em lojas de certo nome. O mesmo vale para perfumes e bebidas. Você encontra bons preços de eletrônicos, mesmo em lojas. Já para perfumes e cosméticos, o preço basicamente é o mesmo do free shop de Porto Iguaçu na Argentina.

    6) A cota atual ou limite de isenção é de US$300 e só pode ser usado uma vez a cada 30 dias.

    7) Os preços são sempre em dólares, mas lojas e camelôs aceitam reais.

    8) Em geral as lojas abrem às 7h e fecham por volta das 17h.

    9) Uma última dica: tenha paciência. O lugar é caótico, o trânsito é resolvido no grito, quase não há espaço nas calçadas para caminhar e você será assediado por vendedores ambulantes a cada passo que der nas ruas. Eles chegam a acompanhar você por quadras (aliás, tivemos que entrar numa galeria pra fugir de um). É muito pior do que qualquer lugar de comércio que você já tenha ido. Então, esteja preparado.

    10) Pra finalizar: observe um pouco a sua volta e você verá cenas engraçadas. A primeira foi uma ambulante que andava com um cesto de maçãs na cabeça e sua bolsa da grife Dolce Gabbana a tiracolo. A segunda foi a resposta de uma vendedora que pediu pra trocar uma nota de 10 dólares que havíamos dado em pagamento. Quando perguntamos se a nota era falsa, ela respondeu: "amigo, você está no Paraguai. Aqui não importa se é falso ou verdadeiro".

    domingo, 19 de setembro de 2010

    Passeios em Itaipu

    A maioria das pessoas que visita Itaipu faz apenas o passeio panorâmico. Se você nunca fez é interessante fazê-lo ao menos uma vez para conhecer a usina, mas o passeio não é muito bonito, nem empolgante, a menos que o vertedouro esteja aberto. O vertedouro é a estrutura mais conhecida da usina, por onde é escoada a água em excesso que chega ao reservatório durante o período de chuvas. Normalmente é o que aparece nas fotos e vídeos que você encontra de Itaipu. O que pouca gente sabe é que ele fica fechado 90% do tempo. Só é aberto em época de cheia. Então, esqueça aquelas imagens de água vertendo numa imensa onda, porque será exceção você ver essa imagem. Ainda, assim, descrevo os passeios que fizemos em Itaipu, pois alguns deles são bem legais.

    Como chegar:
    A alternativa mais barata é o transporte público. O ônibus que chega à usina é o "Conjunto C" (tanto faz se norte ou sul) que você pega no TTU, o terminal integrado. A linha é meio demorada, especialmente à noite. Descobrimos, inclusive, que depois de determinado horário a linha dificilmente chega até ao ponto de ônibus da usina, quer dizer, faz a volta antes. O conselho se fizer algum dos passeios noturnos é cuidar para pegar o ônibus que passa mais ou menos às 21h20min. Quando tem iluminação noturna (sextas e sábados), ele passa no ponto e chega incrivelmente rápido no centro.

    Se não quiser confiar no ônibus, é melhor marcar com algum motorista de táxi antes. Não existe ponto de táxi na usina e os motoristas não vão até lá esperar passageiro.

    Um táxi do centro até Itaipu deve sair em torno de R$ 40 (preços de agosto de 2010).

    Os passeios:

    Visita Panorâmica: A visita tem cerca de 1h30min de duração e costuma haver saídas de hora em hora. Primeiro, assistimos a um vídeo institucional de 20 minutos. Depois, embarcamos em um ônibus de 2 andares, daqueles em que a parte de cima é aberta. A visita tem duas paradas para observação: a primeira na represa, a segunda no lago. Como já falei acima, é uma visita interessante, mas não chega a empolgar.

    Na foto ao lado você observa as unidades geradoras de energia. Por cada cano branco daqueles passa 700 mil litros de água por segundo que movimentam as turbinas da usina.

    Iluminação da Barragem: Ocorre apenas nas sextas e sábados às 20h (21h no horário de verão). Subimos no mesmo ônibus de dois andares da visita panorâmica. Um detalhe importante: se for inverno e você optar por ir no andar superior, leve casaco. Venta muito com o ônibus em movimento e você não conseguirá aproveitar o passeio se estiver com muito frio. Somos levados até a barragem para observar o espetáculo das luzes. Assistimos a um vídeo e depois disso, ao som de uma música, a iluminação vai sendo acesa. Quando a música termina, a barragem está totalmente iluminada. Bonitinho, mas eu esperava mais.

    Depois disso, voltamos para o ônibus e ele dá mais uma volta pela usina para observar mais de perto a iluminação. O roteiro é semelhante ao da visita panorâmica, mas um pouco mais curto. Todo o passeio leva cerca de 1h.


    Refúgio Bela Vista: Foi o passeio que mais gostei em Itaipu. O refúgio foi criado nos anos 70 para receber os animais “desalojados” pela construção da usina. Ali hoje, Itaipu pesquisa a produção de mudas florestais, plantas medicinais, a reprodução de animais silvestres em cativeiro e a recuperação de áreas degradadas.

    O que vemos no passeio na verdade é uma pequena parte do refúgio, já que os animais estão soltos por uma área de mais de  1.000 hectares. O passeio sai da sede de Itaipu em um veículo similar a um trenzinho que sacode pra caramba quando entra nas ruas com calçamento. Mas faz parte da diversão.

    Quando chegamos à sede do refúgio a primeira coisa que chama a atenção é o telhado das construções. Ele é inclinado e todo coberto com grama. Isso porque é muito quente em Foz no verão e pesquisas demonstram que cobrir o telhado com vegetação ajuda a diminuir a temperatura no interior das construções.

    Acompanhados por uma bióloga vamos percorrendo a trilha dos animais, onde vemos uma amostra dos animais que vivem nos 1000 hectares do refúgio. Na realidade, os animais que estão ali já são velhos ou possuem algum probleminha que tornaria a vida deles soltos pela mata inviável. Por este motivo eles são cuidados e podem ser observados ao longo da trilha. Eles não ficam em jaulas, ficam em espaços bem maiores do que ficariam em um zoológico. Encontramos uma jaguatirica, corujas, um casal de furões, aves, jacarés, um tamanduá, macacos, um veado, 2 onças, entre outros animais. A ideia do refúgio é que eles sejam observados, mas sem domesticá-los, para que não percam seus instintos naturais, pois alguns deles serão novamente soltos quando tiverem condições de caçar.

    O passeio dura cerca de 2h30min e agrada bastante tanto as crianças como adultos que gostam do contato com a natureza.


    Pólo astronômico: Este é um passeio novo e não é exatamente turístico, mas pra quem não está acostumado a frequentar lugares do tipo é uma excelente opção para ter um contato inicial com astronomia. O lugar reúne planetário e observatório astronômico e, neste passeio, você tem a oportunidade tanto de assistir a uma sessão de planetário, quanto de olhar em um telescópio. O mais interessante é fazer o passeio noturno, que inicia às 19h (no inverno) e tem cerca de 2h de duração (no nosso caso foram 2h30min).

    A noite em que fomos não estava muito propícia para observação, pois era lua cheia e o céu não estava muito limpo. O melhor período para observar planetas é quando a lua não está tão brilhante no céu. No início da noite seria em períodos de lua crescente. Mesmo assim, fizemos algumas atividades:

    1) Assistimos um vídeo sobre a história da astronomia.
    2) Fizemos uma observação do céu a olho nu, à noite, deitados em cadeiras de praia, com algumas explicações sobre as estrelas e astros que víamos.
    3) Cada membro do grupo pôde observar a lua no telescópio (naquela data não era possível observar os planetas).
    4) Assistimos à sessão do planetário, segundo explicações, um dos poucos programas adaptados para o céu brasileiro existentes.

    Gostei do passeio, as explicações foram muito bacanas e geraram um conhecimento que não se perde. Uma pena não termos pegado uma noite mais propícia.

    Para valores das entradas, descontos e isenções, consulte o site www.turismoitaipu.com.br. O Ecomuseu estava fechado durante a nossa visita, por este motivo não falamos nada sobre ele.

    sexta-feira, 10 de setembro de 2010

    As Cataratas do Iguaçu - lado argentino

    Você só fará uma visita completa as Cataratas do Iguaçu se visitar o lado argentino. Posso dizer isso com convicção, pois na primeira vez em que estive lá, há cerca de 10 anos, visitei apenas o lado brasileiro. Achei a visão linda, mas o que me impressionou mesmo foi quando cheguei pertinho da Garganta do Diabo, no lado argentino desta segunda vez. A trilha argentina faz com que você veja a Garganta do lado de cima e ali você consegue ter a noção exata da quantidade de água que cai. E é muita, como se pode observar na foto ao lado.

    Mas vamos do início. Para chegar ao lado argentino, você pode contratar algum passeio em Foz ou optar pelo ônibus de linha. A vantagem de optar pelo passeio particular é que você não precisa se preocupar com nada: não precisa trocar reais por pesos, não precisa descer na fronteira para fazer a entrada na Argentina, não precisa trocar de ônibus e ainda tem a vantagem de ser acompanhado por um guia que sabe das manhas para não ser atropelado por milhões de pessoas e pegar as melhores fotos. Fizemos o nosso passeio com o Roberto (e-mail: crsmaha@hotmail.com). Ele leva apenas grupos pequenos de até 6 pessoas e faz o passeio completo: Parque das Cataratas argentino, Porto Iguaçu com o marco das 3 fronteiras e, ainda, parada no Free Shop de Porto Iguaçu na volta.

    Se optar pelo ônibus de linha e você estiver hospedado em um dos hotéis da Av. das Cataratas, pode pegá-lo ali. O ônibus também passa pela Av. Juscelino Kubitschek, aquela que fica próxima ao TTU. O conforto nem se compara ao ônibus que vai para o Paraguai. Tem ar condicionado, poltronas confortáveis e até balinha oferecida pelo motorista. Ele passa de 30 em 30 minutos e você precisa cuidar apenas o último horário de retorno que é às 18h30min. Vai precisar também descer na fronteira e levar sua carteira de identidade original e sem rasuras ou passaporte. Não vale carteira de motorista, nem aquelas carteiras de conselhos profissionais, como da OAB. O custo em agosto de 2010 era de R$ 3,00.

    Esse ônibus lhe deixa na estação rodoviária de Porto Iguaçu. Lá mesmo, você pega outro ônibus que vai direto ao parque. Esse ônibus passa em intervalos de 15 minutos. É importante trocar reais por pesos quando chegar a Porto Iguaçu ou antes de sair de Foz, pois não são aceitos reais para pagamento da entrada do parque. Dentro do parque, nas lanchonetes, são amplamente aceitos.

    Dentro do parque argentino, a locomoção é feita através de um trem. São três estações: Cataratas, Central e Garganta. Aconselho a pegar o trem na Estação Central. É mais rápido caminhar pela trilha que leva até esta estação do que esperar para pegar o trem na estação Cataratas e descer na Central. São cerca de 700m e você caminha por uma trilha com calçamento que passa no meio de um bosque.

    Conselho que para nós deu muito certo: vá primeiro na Trilha da Garganta do Diabo. Pegue o trem na Estação Central e procure ser dos primeiros a descer. Se não for dos primeiros, é mais negócio esperar uns 15 minutos no bar antes de entrar na trilha. Como conseguimos descer primeiro e somos rápidos, conseguimos boas fotos. Depois da descida do trem, você vai precisar caminhar cerca de 1Km pela trilha até a Garganta. A trilha é toda em passarela suspensa com estrutura de metal. O chão é todo "furado".

    O parque todo é muito bonito e todas as trilhas oferecem bonitas visões sob diferentes ângulos, mas a Garganta realmente impressiona pelo volume de água. A água é tanta que, dependendo do volume, forma uma névoa que torna difícil enxergar lá embaixo.

    De volta ao trenzinho e desembarcando na estação central, você pode percorrer as outras duas trilhas que não exigem barco: o Circuito Superior e o Circuito Inferior. Como o nome diz, a primeira é um circuito que vai passando por diversos saltos, todos pelo seu lado superior. A segunda, que possui várias escadas, vai passando por vários saltos pelo seu lado inferior. Essa trilha também leva até o passeio de barco que chega pertinho das quedas. Esse passeio também é oferecido no Brasil, mas dizem que o passeio argentino é mais emocionante. O meu atual estado de saúde não me permitiu fazer esse passeio (ele tem algumas restrições, como grávidas e cardíacos, porém, é liberado para crianças de qualquer idade), mas o Juliano fez e adorou.

    As outras três trilhas do parque são na Isla San Martin que é uma ilha dentro do próprio parque. No entanto, o acesso se dá apenas por barco (sem custo) a partir da trilha do circuito inferior. Esse barco se toma no mesmo local das saídas para o passeio do Macuco. O trajeto é curtinho, mas tem um porém: a ilha passa a maior parte do tempo fechada. Se as águas sobem um pouco, eles já fecham. Nós não conseguimos fazer essas trilhas por isso. E o pior é que não tem um aviso bem visível na entrada do parque alertando sobre isso.


    Dicas Finais:

    • Conselho importantíssimo: chegue cedo ao parque, de preferência antes das excursões se quiser aproveitar e tirar boas fotos. O parque argentino é bem mais movimentado que o brasileiro.
    • Às mulheres: Nem pense em usar qualquer coisa de salto que você não vai conseguir andar nas passarelas. Elas são parecidas com a foto ao lado.
    • É proibido alimentar os quatis e você deve tomar muito cuidado para se alimentar ao ar livre, na presença deles. Vi um quati pular em uma senhora para roubar sua empanada e um grupo de quatis roubarem um pacote de salgadinho. Apesar da cena engraçada isso é um perigo para os bichinhos: além de não ser o tipo de alimentação mais recomendada para estes animais, eles se tornam obesos e  ficam sem forças para fugir dos predadores naturais.

    domingo, 5 de setembro de 2010

    Trilha do Poço Preto no Parque das Cataratas

    Ainda no lado brasileiro do Parque Nacional das Cataratas há um passeio relativamente leve e bastante interessante de ser feito para quem gosta de apreciar a natureza: a Trilha do Poço Preto.

    O início do passeio é na primeira parada do ônibus que circula por dentro do Parque Nacional brasileiro. O ingresso é a parte e ele só pode ser feito com guia. Primeiramente, percorrem-se 9Km de trilha por dentro da mata até o Rio Iguaçu. Essa trilha pode ser percorrida a pé ou de bicicleta (fornecida por eles) e é bem leve,
    quase que totalmente plana ou com descida. Existe uma pequena subida de pouco mais de 1 Km apenas lá pelo Km 5.

    Optamos por percorrer de bicicleta e não nos arrependemos. A trilha é na verdade uma estradinha de chão e o passeio de bicicleta foi mais divertido do que caminhar 9Km. Além do mais, caminhando levaríamos quase 2 horas, enquanto de bicicleta, levamos 1 hora e 15 minutos. E fomos devagar.

    No final dessa trilha, embarcamos num pequeno barco para um passeio pelo alto do rio Iguaçu, passando pelo Arquipélago das Taquaras. Não  gosto muito de passeios de barco, pois enjoo bastante, mas esse foi ótimo. O rio nesse ponto é calmo e nesse dia, pela ausência de vento, estava ainda melhor. Conseguimos observar vários pássaros e jacarés (foto ao lado). Descobrimos, ainda, porque a trilha tem esse nome. De barco, alcançamos um ponto chamado de Poço Preto, um buraco redondo, na verdade uma falha geológica, mas que parece um poço mesmo dentro do rio, com 27m de profundidade e que torna a água naquele ponto mais escura.

    Depois disso, o passeio oferece ainda a possibilidade de você remar num caiaque por cerca de uns 800m (acho) no Rio Iguaçu, até o ponto em que o barco atraca. Não se preocupe, pois o barco e o guia permanecem por perto durante todo o tempo. Por fim, atracamos no ponto da Trilha das Bananeiras e percorremos mais uns 1.200m na mata até o ponto do ônibus.

    Ficamos sabendo que ali que, embora improvável, é possível, inclusive, avistar onças. Um grupo que passou por ali dias antes viu uma dupla. Os biólogos dizem que são irmãos e que um deles está com algum tipo de problema físico, de modo que o outro de certo modo o protege, o que é incomum com onças, que são animais solitários.

    Nosso guia nos dá ainda um conselho caso nos deparemos com uma: jamais correr, pois o animal está acostumado a perseguir a presa em movimento, é nessa situação que ele é melhor. O conselho é ficar parado com os braços para cima, para parecermos maiores e gritar. A onça não reconhecerá os gritos como os de nenhum animal a que ela está acostumada e provavelmente fugirá.

    De bicicleta, o passeio todo durou pouco menos de 3h. Se fosse a pé duraria mais de 4h, segundo o guia. Enfim, é uma atividade interessante, divertida, e, sem ser nada radical, ainda agrega conhecimento sobre a natureza.

    segunda-feira, 30 de agosto de 2010

    As Cataratas do Iguaçu - lado brasileiro

    Questão polêmica é qual o lado das cataratas deve ser visitado: o brasileiro ou o argentino? Sabe-se que a maior quantidade de saltos pertence a Argentina, mas o Brasil gaba-se de oferecer a melhor visão. Discordo em parte dessa visão. Realmente, para fotos panorâmicas, o lado brasileiro é melhor. Mas o lado argentino é belíssimo também e oferece as melhores trilhas. Então, se tiver a oportunidade, visite os dois lados.

    Para chegar ao Parque Nacional das Cataratas de ônibus, você deve tomar a linha "Parque Nacional/Aeroporto". O parque é o ponto final da linha de ônibus. Se você optar por ir de carro, terá que deixá-lo no estacionamento da entrada do parque e ainda pagar um adicional ao preço do ingresso pelo estacionamento. O valor do ingresso em agosto de 2010 é de R$ 22 para brasileiros.

    O meio de transporte utilizado no parque é um ônibus de dois andares. Ele aparece de 15 em 15 minutos ou até menos, basta ele estar lotado ou quase lotado. Para fazer a trilha das cataratas você deve descer na terceira parada. Quem não quiser caminhar e preferir diretamente a visão da Garganta do Diabo deve descer na quarta parada. A grande maioria das pessoas desce na terceira parada, percorre a trilha e pega o ônibus na quarta para voltar, não retornando pela trilha. Como gostamos de caminhar, preferimos ir e voltar. Não é uma caminhada longa, mas há uma placa avisando logo na entrada que são 504 degraus. Não contei, mas achei a estimativa um pouco exagerada. Se são mesmo 504, não senti, pois na maioria das vezes, os degraus são espaçados.

    A trilha das cataratas brasileiras é bem fácil de ser percorrida. O caminho todo é semelhante a foto ao lado. A maior dificuldade para algumas pessoas são os degraus mesmo. Mas vi gente de bengala e, inclusive, uma mulher com um bebê de colo que não deveria ter mais de dois meses.

    O ponto alto é perto do final da trilha, quando você passa por uma passarela e chega pertinho das quedas (foto ao lado). Você vai precisar de capa de chuva, pois respinga bastante água e ela é bem gelada. Quem for no verão, talvez dispense a capa para se refrescar.

    Depois desse ponto em que se chega pertinho das quedas, continuando pela trilha, você chegará perto de um elevador panorâmico. Nesse ponto, você fica tão pertinho da queda que é possível tocá-la, se esticar o braço. O elevador é bacana também, mas se a fila estiver muito grande você não vai perder muito se dispensá-lo. A vantagem é que saindo do elevador você também está no final da trilha, o que, para quem estiver cansado de caminhar pode ser uma boa pedida.

    No final da trilha, há banheiros e uma praça de alimentação, com lanchonete e restaurante. Os preços não são exatamente baratos, mas também não são absurdos. Você pode preferir levar o seu lanche e fazer um piquenique, mas terá que cuidar os quatis. Eles realmente pulam no seu colo e roubam a comida. No dia em que fomos no parque brasileiro, eles se esconderam de nós, mas no lado argentino vimos muitos.

    Caminhando na volta, fomos brindados com o animalzinho da foto ao lado. Não sabemos ao certo se é um esquilo, pois foi o único similar que vimos por lá, mas parece ser.

    quinta-feira, 26 de agosto de 2010

    Foz do Iguaçu

    Fizemos uma viagem de seis dias por Foz do Iguaçu. Voltamos com várias dicas que pretendo compartilhar nos próximos posts. Espero que sejam úteis e que ajudem outras pessoas a não passarem por alguns dos nossos percalços.

    Como chegar:
    Existem basicamente duas opções: avião ou ônibus. TAM e Gol oferecem vários voos, quase todos com conexão em Curitiba ou São Paulo. A Trip tem dois voos diários e diretos Porto Alegre-Foz do Iguaçu. Conseguimos passagens promocionais na TAM, com conexão em Curitiba. Perderam a nossa bagagem, que foi encontrada no dia seguinte. A melhor parte foi a piada da moça que aceitou nosso formulário de reclamação. Caso não encontrassem a bagagem depois de 24 horas, receberíamos uma ajuda emergencial de R$ 50 para comprar roupas para duas pessoas para passar uma semana em Foz. Achei melhor acreditar que era piada para não estragar a viagem.

    Na outra vez fui de ônibus de linha. A Unesul opera o trajeto Porto Alegre-Foz e tem um horário que possui ônibus leito (se for sexta-feira ou véspera de feriado). A viagem dura umas 14 horas.


    Onde ficar:
    Os melhores hotéis ficam na Av. das Cataratas, entre o aeroporto e o centro de Foz. Existe também um albergue que fica em uma rua perpendicular a Av. das Cataratas. Ficamos no Viale, localizado a 8 km do aeroporto e a uns 3,5km do centro. E ele é um dos mais próximos do centro. Existem outros: Carimã, Bourbon, Panorama, San Juan, só para citar alguns. O hotel era muito bom, mas como na maioria dos hotéis lá, você encontrará algumas dificuldades. Por exemplo, para ir jantar no centro, terá que tomar um táxi ou o ônibus. Os taxistas cobram em torno de R$ 10 para percorrer os 3Km até o centro. A outra opção é tomar um chá de banco esperando o ônibus. Existe a opção de jantar no hotel, mas os preços são bem salgados.

    No centro, existe o Continental Inn, que é bem próximo da avenida principal, o Rafain e o Bella Italia.

    Transporte em Foz do Iguaçu:
    Todos os atrativos ficam distantes uns dos outros, então você vai precisar de transporte, seja ele público ou não. Se optar por táxi, saiba que os taxistas em Foz não sabem o que é taxímetro. Eles combinam com você o preço antes da corrida. Comparados com os preços de táxi em Porto Alegre são bastante caros. Na chegada, nos cobraram R$ 30 para percorrer cerca de 8Km entre o aeroporto e o nosso hotel, em período de bandeira 1.

    O transporte público também não é dos melhores. A maioria dos ônibus tem apenas bancos de um lugar ao invés dos de dois lugares que estamos acostumados. Imagino que seja para que caibam mais pessoas em pé. Durante o dia, o tempo médio de espera é de 20 minutos, mas a partir das 7 da noite é terrível. Você pode esperar até uns 45 minutos na parada/ponto de ônibus. O valor da passagem é baixo (R$ 2,20 em agosto/2010). A boa notícia é que é possível fazer todos os passeios de ônibus.

    Para ir ao Paraguai e ao lado argentino das cataratas também existem ônibus, estes com horários bem mais previsíveis do que os de Foz. Os que vão para o Paraguai são bem frequentes. Sobre eles, falo quando mencionar os passeios.

    Se você escolheu um hotel que fica na Av. das Cataratas e chegou através do aeroporto, é fácil chegar nele de ônibus, pasta pegar, no aeroporto, a linha Aeroporto/Parque Nacional no sentido "TTU-Centro" (isso fica escrito na frente). Diga o nome do hotel para o cobrador e peça para ele lhe avisar quando chegar.

    Comer em Foz:
    A comida é cara em comparação a Porto Alegre. Aliás, com exceção do transporte público, achei Foz uma cidade cara, até mesmo para tomar sorvete. Disseram-nos que, para jantar, os restaurantes de Porto Iguaçu (na Argentina) são melhores, mas não experimentamos. Realmente a aparência deles é melhor, mas não dá pra cruzar a fronteira só pra jantar. E por incrível que pareça o Burguer King de Cidade de Leste tinha o banheiro público mais limpo que encontrei por lá. Aliás, os preços do Burguer King do Paraguai são em média 30% mais baratos que os nossos.

    Dicas para os passeios (os links serão completados nos próximos dias):
    Compras no Paraguai
    Cataratas do Iguaçu (lado brasileiro)
    Trilha do Poço Preto
    Cataratas do Iguaçu (lado argentino)
    Passeios em Itaipu

    Outros passeios

    sábado, 14 de agosto de 2010

    2 dias em Maceió

    Normalmente é mais vantajoso viajar ao nordeste através de algum pacote turístico que, via de regra é de 7 dias. Só as passagens saem mais caras que esses pacotes se você quiser viajar por conta própria. Em algumas situações, no entanto, essas minhas dicas podem valer a pena. De repente você pode ir estar lá a trabalho ou por algum congresso da sua profissão e aproveitar o final de semana ou, como no meu caso, usufruir das milhas adquiridas anteriormente para viajar.

    Sobre a cidade
    Maceió é uma das capitais mais calmas do nordeste, um lugar onde ainda é possível desfrutar com tranquilidade das praias, mesmo as da própria cidade, que ainda não são poluídas e sem o perigo de ter que se preocupar com os batedores de carteira, como em outras capitais maiores do nordeste.

    Onde ficar
    Procure por um hotel na orla. As praias mais centrais são a Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca. Se conseguir um hotel ou pousada em uma delas você está bem localizado. Fiquei no Hotel Sete Coqueiros, na Pajuçara. Não era um hotel de luxo, mas era bem confortável, com quartos com ar condicionado, TV, frigobar. O hotel também tinha piscina e um agente de viagens de uma das operadoras de turismo para informações e agendamento de passeios.

    O que fazer em 2 dias
    1) Caminhar pela orla
    Eu amo caminhar, então caminhava todos os dias de manhã da Pajuçara até a Jatiúca. Acho que dava uns 8Km de ida e volta. A vista das praias é linda e existe um calçadão bem conservado pela orla que facilita bastante a caminhada. Quem estiver com calor ainda pode parar em algum ponto e dar um mergulho de mar. Claro, se você é daqueles que gosta de ficar na praia mesmo, com guarda-sol, pertinho de um quiosque com todos os aperitivos possíveis, também vai encontrar seu lugar nessas praias.

    2) City tour com Praia do Francês
    Certamente alguma operadora de turismo vai lhe oferecer esse passeio que é, na minha opinião, obrigatório. A Praia do Francês fica a cerca de 20 Km do centro da cidade e é uma das praias mais movimentadas. A praia é bonita, o mar é convidativo e, se você fizer o passeio com alguma operadora, certamente eles vão parar próximos a algum restaurante que possui mesas com cadeiras e guarda-sol. A única coisa que realmente não gosto nessa questão de fazer o passeio com o ônibus de turismo é o fato de você ter que se adaptar aos horários deles. O sol do nordeste é bem forte pra quem vem do sul do país como nós e normalmente você permanece na praia mesmo ao meio-dia, o que pode lhe render belas queimaduras do sol.

    No nosso caso, ficamos na Praia do Francês até umas 14h e depois fizemos o City Tour. Ele é bastante rápido, pois Maceió ainda é uma cidade relativamente pequena e o trânsito não pareceu ser caótico. Passa por alguns prédios históricos como a sede do governo, a assembleia legislativa, a catedral. Também paramos numa parte mais alta da cidadde, com mirante, onde pudemos ver parte da cidade e as praias (foto ao lado).

    3) Andar de jangada e apreciar as piscinas naturais da Pajuçara
    O passeio às piscinas de Pajuçara é feito através de jangadas, que levam dez minutos para atravessar 2Km entre a praia e os recifes. Na maré baixa, você conseguirá ver os chamados aquários naturais com seus peixinhos coloridos, sem necessidade de nenhum equipamento de mergulho. O detalhe é que você só conseguirá fazer o passeio em períodos de lua cheia ou crescente, quando a maré fica baixa durante o dia. Os pescadores tentam convencê-lo a fazer o passeio mesmo com maré mais alta, mas não é bom, não.

    Se você tiver mais tempo, talvez prefira apreciar as piscinas naturais na praia da Paripueira. O passeio é feito em lanchas, dura cerca de duas horas e inclui snorkel. Mas provavelmente você vai precisar de mais de 2 dias na cidade para este passeio que leva também um dia inteiro.

    4) Praia do Gunga
    Foi a praia que mais gostei, tinha ares de ilha particular. Existem passeios por operadoras que levam ao Gunga, mas nesse caso, como eu não dispunha do dia inteiro, dividi um táxi com mais 3 turistas que também estavam hospedados no hotel. O taxista fez preço fechado e ficou lá conosco durante toda a manhã para nos levar embora no horário que desejássemos. O preço saiu bom, mas acho que se for apenas um casal sai caro. Para 4 pessoas é talvez quase empate com o preço do passeio de ônibus.

    A praia do Gunga fica localizada 33Km ao sul de Maceió, na cidade de Barra de São Miguel. A praia fica dentro de uma fazenda de cocos particular e podendo ser acessada por uma estrada que corta a plantação, ou através de barco. Nosso taxista parecia ser conhecido do pessoal da fazenda e conseguimos passar de carro até a praia sem problemas. Não sei dizer se é assim pra todo mundo.

    As águas são bem calminhas e, se vai no mirante, você só vai enxergar coqueiros e águas... parece mesmo uma grande praia deserta. Muito bonita.


    5) Feira de artesanato da Pajuçara
    Ficava bem em frente ao hotel em que me hospedei. Grande variedade de artesanato típico da região a bons preços. Um excelente programa para o início da noite, antes do jantar.

    segunda-feira, 9 de agosto de 2010

    O pesadelo da gestão das pessoas

    Se tem um assunto que evito abordar é trabalho. Tenho uma etiqueta pessoal que diz, que se já passo o dia inteiro em determinado lugar, ele não merece ocupar o meu tempo e o meu pensamento quando chego em casa. Escrever sempre foi uma espécie de terapia e falar de trabalho não faz parte dela.

    Mas eis que meu amigo ForInti, cuja identidade manterei em segredo, tem um blog que fala sobre simplicidade em TI (Tecnologia da Informação). Num dia de muita inspiração, ele escreveu sobre IT Nightmares, texto que recomendo e que merece algumas reflexões.

    Acredito e tenho fé que o grande problema das empresas é a falta de bons gestores de pessoas. Empresas subvalorizam o tema. E não estou falando só de empresas de tecnologia, que normalmente são formadas por dois sócios: um nerd sabe-tudo e um bom-papo que sabe vender. Estou falando de empresas em geral, sejam elas públicas ou privadas. As pessoas passam anos estudando técnicas de gestão de orçamento, de projetos, de motivação, mas não sabem como lidar com gente. Na prática, existem dois tipos de chefes: o frouxo amigão, que não tem controle de equipe e o durão que impõe medo. Engana-se quem pensa que o primeiro é amado e o segundo é odiado. Na prática os dois são odiados, porque nenhum dos dois sabe lidar com seus subordinados.

    Pessoas são complexas e são diferentes. Algumas gostam de ser cobradas, gostam que o chefe veja o que elas estão fazendo, precisam disso pra produzir. Outras, são tão responsáveis que se um chefe agir desse modo, irá diminuir sua produtividade. Afinal, elas já passaram do jardim de infância e trabalham bem sozinhas. Há pessoas que gostam de contar seus problemas pessoais para o chefe e esperam que ele entenda. Há pessoas que detestam que ele saiba da sua vida particular e esperam que ele respeite. Mas talvez o maior erro seja tratar pessoas como "recursos". Pessoas não são microcomputadores ou impressoras que agem segundo instruções pré-definidas. Ok, talvez os indianos sejam. Mas não nós, latinos.

    Já passei por inúmeros processos de implementação de técnicas de gestão e de qualidade nas empresas pelas quais trabalhei: ISO 9000, Reengenharia, CMM, PMI, COBIT, ITIL, só pra citar algumas. Muitas siglas. Todas esperam motivar os "recursos" através da implementação de padrões de documentação, de qualidade, de organização corportativa. Nenhuma enxerga a singularidade de cada membro desse time. Todas veem pessoas como recursos substituíveis. E elas pecam por isso. Ninguém gosta de saber que é substituível, mesmo o mais relapso dos funcionários. Os gestores precisam aprender a "perder tempo" ouvindo o que os seus subordinados tem a dizer e não simplesmente fazer aquela avaliação periódica de forma automática, suspirando e olhando no relógio. Aliás, a pior coisa pra um funcionário é perceber que está sendo cobaia de uma técnica de gestão motivacional.

    Não, nenhum chefe é capaz de resolver todos os problemas. Provavelmente não conseguem resolver nem a metade. Mas todo mundo tem algo pra dizer. E como dificilmente as empresas vão encontrar um analista de fora pra relatar seus erros, a disponibilidade para ouvir é o primeiro passo para aprender a tratar as pessoas e aprender sobre os seus próprios erros. Sem técnicas. Só conversa.

    sábado, 31 de julho de 2010

    O antimarketing

    Creio que as ações de marketing e de venda ativa precisam ser modernizadas. Não consigo entender como alguém pode achar que ligar para uma pessoa no final de semana, através de uma URA (uma máquina que faz ligações automáticas), que faz você esperar uns 20 segundos até passar a ligação pro operador (porque se desliga, você não sai do sistema e vão ligar novamente), para então esse operador tentar lhe vender alguma coisa como se estivesse recitando um texto decorado num teatro, seja uma boa estratégia de venda.

    Será que alguém analisa vendas reais x número de ligações x o custo pra pagar os coitados que trabalham no telemarketing? Todas, mas absolutamente todas as pessoas que eu conheço rechaçam essas ligações e nunca estão interessadas, o que me leva a duas conclusões: ou meus amigos são chatos não-consumistas ou realmente mais de 90% das ligações não resulta em venda, de modo que me parece improvável que se justifique um número elevado de pessoas em venda ativa.

    Ao invés de receber uma ligação da minha operadora de celular toda a vez que eu ultrapasso em R$ 2 o valor do meu plano, me sugerindo um novo plano com o dobro de minutos que, segundo eles, me vai ser altamente benéfico e vai me custar o dobro do meu plano atual, eu preferiria que esta pessoa que me liga estivesse resolvendo problemas de pessoas que ligam porque tem problemas com a operadora. Ser bem atendida quando eu preciso rende mais pontos positivos no conceito da empresa do que ser incomodada quando eu não preciso. Será que gestores não conseguem enxergar uma coisa tão óbvia?

    Aliás, será que a população brasileira é tão burra que acredita mesmo que ter mais minutos pra falar no celular pagando o dobro do preço atual é uma vantagem? Não creio. Mas acredito que ações desse tipo são prova de que o antimarketing existe.

    Mas não só os profissionais de marketing de venda que precisam se reciclar. Profissionais de marketing político também. Na minha cidade, há um candidato a deputado que fez um jingle enjoativo e repetitivo, alugou uns três carros de som e passa o dia circulando com os carros pela cidade tocando o jingle repetitivo. É de enlouquecer. Só me faz ter uma certeza: não voto nesse infeliz. E estou fazendo marketing boca-a-boca pra ninguém votar nele. Já tenho várias adesões.

    domingo, 25 de julho de 2010

    O voto obrigatório

    Sou veementemente contra o voto obrigatório. E por mais que eu seja pisoteada e xingada por afirmar o que vou afirmar, é meu ponto de vista e garanto que é um ponto de vista consciente de quem já votou pelo menos em 8 eleições. Eis minhas razões, para serem julgadas por quem quiser julgar.

    1.Se fosse feita uma pesquisa, se verificaria que pelo menos 80% da população prefere ler sobre o próximo capítulo da sua novela ou sobre qualquer fofoca de artista do que sobre política. Mesmo com a internet e todos os meios modernos para averiguar a assiduidade às sessões e o quanto gastam seus deputados, senadores e afins, ninguém se dá ao trabalho de olhar. Isso significa que mais da metade das pessoas vota no candidato de mais renome ou naquele que seu pai ou seu patrão indica. Ah, se o candidato for ex-jogador de futebol, ex-locutor de rádio ou artista, já é meio caminho andado.

    2. Existem argumentos que dizem que se o voto fosse facultativo só se elegeriam aqueles candidatos corruptos que compram votos com favores. Corrupção existe em qualquer lugar do mundo, seja o voto obrigatório ou facultativo. Votariam pessoas que estão pagando favores, assim como ocorre hoje, mas votariam os conscientes também. E se excluiriam os milhões que não entendem nada de eleição e nem sabem o que estão fazendo.

    3. Prega-se muito por aí que o voto é um direito e um dever. Se é algo que eu não estou a fim de fazer, para mim é só dever. Direito é eu poder escolher se quero usar o meu final de semana para votar ou para ir para a praia. E garanto que se eu tiver um bom motivo pra votar, vou usar meu direito. Do contrário, não.

    4. O custo de uma eleição no Brasil é o mais caro do mundo. Outros países já vieram aqui olhar nossas urnas eletrônicas, mas não as adotam por uma questão bem simples: encarecem a eleição. Os contribuintes de países ricos não estão dispostos a gastar rios de dinheiro em eleições. Honestamente, eu preferiria que uma terça parte do dinheiro que gastamos fosse investido em saúde e educação.

    5. Se o voto não fosse obrigatório, políticos não gastariam rios de dinheiro em carros de som e panfletos que espalham a poluição sonora e visual, além de transformarem sua tranquila caminhada na redenção no sábado em um inferno, com pessoas lhe atacando. Cabe lembrar que parte do dinheiro dos partidos é pago por nós, contribuintes. O tal fundo partidário recebe dotação orçamentária pública.

    6. Há quem argumente que o voto é o maior exercício de cidadania e uma grande responsabilidade. O engraçado é que um jovem de 16 anos pode votar. No entanto, o mesmo jovem de 16 anos não é civilmente, nem penalmente capaz para os mesmos congressistas que aprovaram o voto aos 16 anos. Se eles achassem mesmo que o voto fosse algo, assim, "tão importante" deixariam um relativamente incapaz votar?

    7. Há quem diga que o voto tem que ser obrigatório enquanto a população não estiver com a consciência política devidamente desenvolvida. Ora, educação e conscientização não vão resolver o problema das pessoas não se interessarem por política. Mesmo em países com alto nível de educação como Alemanha ou Finlândia, em que o voto é facultativo, a população votante não passa de 50%.

    Apesar de todos esses argumentos, vou votar na próxima eleição. Não porque acredite em qualquer desses que se candidatou. Mas porque infelizmente eu não tenho outra opção.

    terça-feira, 20 de julho de 2010

    Divulgação: Caminho de Itupava, caminhada e acampamento

    O John Gasparello está organizando um grupo para a trilha do Caminho de Itupava, com direito a acampamento. Ele convida a todos os interessados. Abaixo está o folder de divulgação e os contatos. Ele usou algumas fotos aqui do blog, o que me deixou bem orgulhosa.


    segunda-feira, 12 de julho de 2010

    Pra espantar turista

    Toda cidade que quer ser turística tem que aprender, antes de mais nada, a tratar bem do turista. Apesar de na maioria das vezes sermos muito bem recebidos, todo mundo já passou por algumas situações que são pra espantar turista. Abaixo relato algumas das nossas aventuras.

    1. Tenho o hábito de colecionar imãs de geladeira. Então, sempre que viajo pra um lugar novo, procuro trazer um da cidade que visitei. Em Barcelona, parei numa banca de revistas que também vendia cartões postais e imãs. Eles estavam pregados no alto, em um lugar onde eu não alcançava. Olhei para um que gostei e pedi para o vendedor me alcançar para dar uma olhada. Quando já estava com ele na mão, enxerguei outro que achei mais interessante e pedi para ele me alcançar, pois tinha me decidido pelo outro. O vendedor, muito bravo, rosnou: então, por que pediu esse se queria levar o outro?

    2. Ainda falando de vendedores: uma amiga relatou que estava em Roma, em uma loja com um balaio de roupas femininas em liquidação. Passou algum tempo olhando as roupas (e obviamente "pegando") como a gente faz no Brasil. Quando se decidiu, perguntou para a vendedora se poderia experimentar a peça. Muito mal-humorada, a mesma respondeu que peças na liquidação não poderiam ser experimentadas e nem trocadas depois. E complementou: vai levar ou não?

    3. Quando fiz intercâmbio em Vancouver, no Canadá, fui jantar, certa noite com amigos brasileiros. Assim como fazemos no Brasil, sentamos, pedimos, comemos com bastante calma e depois de comer ficamos algum tempo conversando, sem muita pressa. Algum tempo depois, percebemos que a garçonete e a moça da recepção nos olhavam de um jeito estranho, mas não nos importamos muito. Descobri depois, falando com canadenses, que não é costume deles você ficar sentado, num restaurante após consumir. Deve chegar, pedir, comer e, se não estiver consumindo mais nada, ir embora.

    4. Todo mundo comenta que franceses não gostam de pessoas que não falam francês. Eu não falo nenhuma palavra. Então, sempre pedia desculpas na hora de solicitar informações e perguntava se a pessoa falava em inglês. A um jovem, perguntei onde era a estação de metrô mais próxima. Ele me mandou para a direção oposta da estação, em uma vizinhança não muito amistosa, o que percebi cerca de três quadras depois.

    5. A melhor de todas aconteceu em São José dos Ausentes: vimos uma placa de um restaurante/pizzaria no centro da cidade e resolvemos jantar lá. Não lembro exatamente o que pedimos, tenho a impressão que foi ala minuta ou algo assim. O restaurante era pequeno, mas arrumadinho. Fomos atendidos por uma senhora que era quem também preparava a comida. Sua neta de aproximadamente 8 anos também estava lá.

    Só haviam duas mesas com fregueses. A comida era boa e levou o tempo normal pra ser servida. Até aí tudo bem. O problema começou quando começamos a comer. A menina ficou o tempo inteirinho com os bracinhos grudados na nossa mesa, perguntando de quando em quando se já havíamos terminado. Às vezes, ela alternava e ficava ao lado do pessoal da outra mesa, Mesmo com algumas "indiretas" deles, a menina não se tocava de ir dar uma volta e tampouco a avó, que estava ocupada assistindo a novela, a chamava.

    Enfim, chegou uma hora em que finalmente terminamos. Enquanto aguardávamos a conta, pudemos perceber que, então, ela foi espantar o grupo de jovens que estava na outra mesa.