sábado, 29 de novembro de 2008

Silveira Martins ou Monte Belo do Sul

Passei a minha infância indo para Silveira Martins, uma cidadezinha aqui do RS próxima a Santa Maria que deve ter hoje uns 5.000 habitantes e é conhecida por ser o berço da quarta colônia italiana no RS. Minha mãe cresceu lá, meus avós moraram lá até a sua morte e alguns dos meus tios ainda vivem lá. A família materna do meu marido, por sua vez, vem de outra cidadezinha do interior do RS, chamada Monte Belo do Sul, esta mais conhecida por ficar no Vale dos Vinhedos, pertinho de Bento Gonçalves. Uma das nossas discussões constantes é qual das duas é menor. Agora este problema acabou. O Google Earth já consegue "enxergar" bem as duas cidadezinhas para tirar a dúvida e dá pra ver claramente (na minha opinião) que Silveira Martins é menor, você não acha?

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Brincadeiras a parte, sou da opinião que todo mundo deveria conhecer lugares assim, onde praticamente todos os habitantes da cidade se conhecem (e olham de canto pros visitantes). São lugares em que ainda é possível manter um caderninho e pagar depois numa loja, onde as pessoas conseguem viver sem muros e com portas apertas, ainda que as tenham que trancar à noite agora (quando eu era criança, as portas não eram trancadas nem à noite). Eu chamaria visitas a lugares assim como uma espécie de despoluição do stress que as grandes cidades fazem conosco. Mesmo que você seja um apaixonado pela vibração que uma metrópole lhe traz, sentir a vida passar mais devagar de vez em quando e ouvir passarinhos cantarem renova as energias.

Atualização em 09/06/2009:
Agradeço a contribuição do anônimo que postou o comentário. Bons blogs são feitos de discussões. Deixe-me esclarecer, todavia, que quando falava em "tamanho" eu me referia a população e desenvolvimento econômico, não exatamente à área física. E segundo a estimativa populacional de 2007 do IBGE:
Silveira Martins: 2.479
Monte Belo do Sul: 2.766
Igualmente, com relação a PIB e IDH (dados de 2005):
Silveira Martins: R$ 15.849 mil / 0,796
Monte Belo do Sul: R$ 28.596 mil / 0,827

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Frase da Semana

"Se a minha mãe fosse homem, eu tinha dois pais".
(Jogador do Grêmio Souza no programa Bem Amigos do SportTV em 17.11.08)

Ou você pode preferir: "Melhor escapar fedendo que morrer cheiroso", do mesmo autor, na mesma data.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

De volta

Não, eu não abandonei o blog. Mas é que outubro foi mês de eleições e eu me nego a opinar sobre política, religião e futebol. E como eu passei o mês trabalhando ou lendo textos de filosofia que provavelmente eu não tenho a capacidade mental de assimilar o quão importantes são (porque me professor disse que quem não gostasse dos textos é porque não tinha essa capacidade), não sobraram muitos assuntos.

Mas acompanhei a decisão da F1 no último domingo (nós estávamos lá no ano passado, então temos um certo apego por Interlagos). E eis a minha profunda conclusão:

"A diferença entre a derrota e a vitória pode ser um milésimo de segundo."

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Cena Rara

Presenciei uma cena rara ontem na Redenção, aqui em Porto Alegre. Um batedor roubou a carteira de um senhor. Esse saiu em perseguição gritando "Pega ladrão". Outras pessoas se emocionaram e também gritaram. A guarda municipal estava por perto e prendeu o infeliz ladrão.

Depois disso, revi dois dos meus antigos conceitos:
- A guarda municipal tem, sim, alguma utilidade.
- Enfim, eu vi algum batedor ser preso na redenção. Até hoje estava 10x0 pros ladrões. 


sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O Dia do Programador

Graças à Luciana, minha colega que escreve o blog Mundinho Surreal eu descobri que hoje, 13 de setembro é o Dia do Programador. Vocês não tem noção do quão emocionada fiquei com essa descoberta.

Exagero? Não. Eu trabalho com informática há exatamente 15 anos e não bastasse a falta de regulamentação da profissão (sim, porque caso vocês não saibam qualquer pessoa pode acordar um dia pela manhã e dizer que é programador que não será caracterizado como exercício ilegal da profissão) todos os anos eu chorava ao pensar que quase todos os profissionais possuem dias para homenageá-los e eu não tinha um dia. Para piorar a situação, minha irmã formou-se em medicina há uns cinco anos e minha mãe sempre dá presentes pra ela no dia do médico. Não é injusto? Não mais, agora eu também tenho um dia. Ou tinha, mas só descobri agora.

O dia do programador, obviamente tinha que ter alguma explicação nerd como pode ser constatado na Wikipedia. Ocorre no 256º dia do ano, porque 256 é igual a 28 (2 elevado à 8ª potência), e 8 são os números de bits de um byte, o que dá exatamente o dia 13 de setembro, exceto em anos bissextos, nos quais ele é comemorado no dia 12 de setembro.

No Brasil, essa tradição não existe, mas mundo afora é um dia para os programadores fazerem coisas como "conversar sobre programação com quem não entende nada e assistir a filmes apreciados por programadores como Guerra nas Estrelas".

Acho que prefiro comemorar o dia do programador comendo chocolate.... Mas um ótimo dia para todos os programadores mundo afora.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A Conquista do Morro Agudo

Ainda distante do Morro Agudo
O Morro Agudo é praticamente um marco para o grupo de caminhadas do Moreira, grupo do qual faço parte há um tempinho, mas que ainda não havia feito nenhuma caminhada no ano de 2008. No último dia 31/08 fiz minha primeira ascensão ao morro (e provavelmente a última) e finalmente entendi porque o morro tem um significado tão mítico para o grupo. Então, se você gosta de desafios, segue o roteirinho pra um que fica bem próximo de Porto Alegre.

Onde fica: O Morro é um dos pontos culminantes da serra gaúcha, pode ser avistado pela RS-115, a esquerda de quem sobe para Gramado.

Como chegar: Nós seguimos pela RS-115 até a localidade de Sander. De lá, seguimos por uma estradinha até o povoado de Gambelo onde deixamos os carros. Depois disso, 6Km de caminhada pela estradinha até o pé do morro. Mas é possível ir por Várzea Grande onde acreditamos que o caminho seja mais curto e caminhada menor. Só que por ali há de se pagar o pedágio que é quase uma extorsão - R$ 6.10.

A direita, o Morro AgudoO Percurso: Os 6km de caminhada foram a parte fácil. Estradinha de terra, com muitas azaléias coloridas que estavam já anunciando a primavera de tão floridas e, principalmente, o perfume das laranjeiras algumas já com flores e outras ainda com frutos. Essa caminhada foi "extra" porque teria sido possível chegar bem perto do morro de carro, mas caminhante que é caminhante precisa mais do que uma subida e o contato com a natureza faz parte da diversão. Além disso, o dia estava perfeito, friozinho, mas sem vento. Enfim, até a chegada tudo era alegria, estávamos num grupo de 20, todos animados com a aventura.

O início: Alguns caminhantes mais experientes, enquanto circulávamos o morro olhavam qual o melhor ponto para subida, até que encontramos algo que parecia ser o início de uma trilha ao que uma das caminhante exclamou:
- Nós vamos entrar nesse buraco aí?
Outra armou-se de luvas de lã e bastão, de modo que caminhantes como eu começaram a se perguntar o que realmente estavam fazendo ali num domingo como aquele. Mas já que estavámos ali mesmo, desistir jamais.

A foto está ruim, mas é a única que mostra um pouco a trilhaA subida: Subir o Morro Agudo realmente não é para qualquer um. Não existe uma trilha bem definida. É mata fechada. Nós tínhamos, inclusive, um facão no grupo pra ajudar a abrir caminho. É muito íngreme. As pedras que encontramos durante a subida não servem de apoio porque não são muito firmes. O único apoio são galhos e raízes. Ao contrário da maioria das subidas em morros, não vai se subindo em sentido circular. A subida é em linha reta. Em cerca de 40 minutos é possível alcançar o primeiro cume, o que parece ser a única vantagem da subida em linha reta.

O visual: Do alto do morro vislumbra-se toda a região: Gramado, Três Coroas, a fábrica da Skin... não é o Aconcágua, mas não deixa de ser uma conquista.




No topo do morro
O Cume: O ponto mais legal para as fotos e para o descanso, apesar de ser no topo, não é o ponto mais alto do morro. Mais alguns minutos de caminhada na mata fechada (realmente muito mais fechada que o restante e com muitos espinhos) nos levaram ao cume mesmo. Mas o ponto anterior era mais bonito. O excesso de vegetação no cume nos impediu de ver vista tão bonita como no ponto anterior.

A descida: Ao contrário do que não caminhantes pensam, descer é muito pior do que subir. Enquanto a subida exige capacidade cardio-respiratória, a descida exigiu força nas pernas e braços. Sem ter muito onde prender os pés para evitar rolar morro abaixo, desci sentada em vários pontos e com muito orgulho. Sem a trilha demarcada, confiávamos na marcação de papel higiênico deixada na mata por um dos caminhantes que estava resfriado e na sua capacidade de ir um pouco a frente e ver se o caminho era mesmo "caminhável", retornando para buscar o grupo. Mas entre muitas escorregadas, arranhões nos espinhos e risadas, chegamos sãos e salvos, com exceção do meu óculos de sol que ficou perdido em algum lugar. Então, quem se aventurar no morro novamente e encontrar um óculos, por favor, é meu!

Resumo: 6Km de caminhada na ida, 450m morro acima, 450m morro abaixo e mais 6Km de caminhada na volta. Caminhamos mais ou menos das 10h30 da manhã até as 18h com breve intervalo para lanche no cume.

Depois: Foram 4 dias sem poder descer escada, com muita dor nas pernas e braços. E não que eu não tenha preparo físico. Corro todos os dias, o problema é o tipo de exercício que é completamente diferente. Mas caminhar com amigos literalmente no meio do mato é algo que reduz o meu stress do dia-a-dia e me ajuda a descarregar a energia armazenada por trabalhar sentada durante meses. Então para quem tem saúde e gosta da vida ao ar livre, recomendo.

Uma última dica: Se for tentar, leve algum guia nativo, ou alguém que já tenha feito a caminhada. Apesar do sinal do celular ser bom lá em cima, duvido muito que surja um helicóptero de resgate.

Abaixo um videozinho da saída da trilha.

domingo, 24 de agosto de 2008

Balanço Final

Existe nas Olimpíadas uma honraria concedida a atletas que demonstrem alto grau de esportividade e espírito olímpico durante a disputa dos Jogos. É a Medalha Pierre de Coubertin, que já foi ganha pelo brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, aquele que foi agredido pelo fanático religioso quando estava na 1a posição na Maratona de Atenas 2004.

Seguindo este espírito, poderíamos também implementar outras medalhas de honraria para certas participações olímpicas, como por exemplo:

Medalha Atleta mais fominha: unanimidade absoluta, Michael Phelps, com suas 8 medalhas de ouro e sua mão mágica na batida que não deram chance pra ninguém.

Medalha Replay: este prêmio seria dividido entre Daiane dos Santos e a seleção feminina de futebol que repetiram as atuações anteriores, a primeira pisando fora do solo, a segunda repetindo a prata.

Medalha "ué, vocês vieram mesmo pra Olimpíada?": para a equipe do basquete feminino do Brasil que conseguiu uma vitória apenas em toda competição.

Medalha "o importante é competir": para Joanna Maranhão, 5º lugar em Atenas e 22º em Pequim que declarou "estar mais feliz com o desempenho do que muito atleta que ganha ouro".

Medalha "o importante não é competir": para o lutador sueco Ara Abrahamian que jogou fora a medalha de bronze, irritado com uma decisão dos juízes que o tirou da final. Forte concorrente da categoria "eu não sei perder" também.

Medalha Bateu na trave: aqui temos um número enorme de brasileiros pra dividir a honraria: Renata e Talita que ficaram no quarto lugar do vôlei de praia, Ana Marcela, a atleta da maratona aquática que terminou em quinto, o revezamento 4x100 masculino e feminino que chegou em quarto e Tiago Pereira, quarto nos 200m medley.

Medalha "um dia eu chego lá": para a seleção de basquete da Lituânia que nas últimas 5 olimpíadas foi derrotada nas semi-finais, nunca chegando a uma final olímpica.

Medalha Lambança Geral: Honraria dividida pelo responsável pelas varas das atletas do salto com vara feminino que conseguiu perder a vara da brasileira Fabiana Murer e para a Organização dos Jogos, achou que cairia bem um pedido de desculpas onde diz que "o atleta é o responsável por cuidar do seu equipamento".

Medalha "Se eu não sou o centro das atenções, eu não brinco": para a CBF representada por seu presidente Ricardo Teixeira por:
a) ter feito toda a confusão com a história do logotipo na camisa, muito bem narrada pelo Bob Fernandes. A melhor parte é onde ele diz que os jogadores adversários "sentirão falta da camisa 5 estrelas". Lógico! Está explicado porque perdemos para a Argentina. Foi a falta do símbolo da CBF na camisa.
b) ter colocado em seu site que o futebol teve 100% de aproveitamento nos jogos, em clara afronta ao COB.
Ora, ora, na minha humilde opinião, considerando o dinheiro que o futebol masculino movimenta nesse país em comparação com outros esportes, Ronaldinho Gaúcho e cia. não fizeram mais do que a obrigação em ganhar aquela medalha de bronze. Alguém por um acaso paga ingresso para ver outros esportes, como se paga no futebol? Já fui assistir jogo de vôlei da Liga Nacional ali na Ulbra e não pagamos nada.

Medalha Pavio Curto: para o atleta cubano Angel Valodia Matos que inconformado com a desclassificação no taekwondo agrediu o árbitro com um pontapé.

Medalha A-L-E-L-U-I-A: Para a seleção de vôlei feminino que, enfim, perdeu o medo de ganhar.

Medalha "O tempo não passa": Para a nadadora americana Dara Torres que aos 41 anos de idade, ganhou 3 medalhas de prata deixando para trás em uma das provas uma australiana de 17 (e olha que ela foi mãe aos 39).

Medalha Musa Olímpica: Alguém tem alguma dúvida? Yelena Isinbayeva, a russa do salto com vara, craque na competição e uma simpatia, o que demonstra que um grande campeão também sabe se portar.

Medalha Maior Decepção: Diego Hypolito - não tem como explicar o que aconteceu no final daquela prova que já estava ganha.

Medalha de Melhor Maquiagem: Mais uma vez o prêmio vai para a organização dos jogos, pela cerimônia de abertura. Segundo o IG: "o mundo acabou por saber que a beleza que viu pela televisão tinha sido melhorada por computador, uma criança que cantou durante o show foi substituída por uma outra de rosto mais bonito, que dublou a voz da primeira, e que faltaram representantes das minorias étnicas chinesas".

Medalha de Melhor Fotografia: Puxa, a organização dos jogos está levando todas.... Durante as maratonas masculina e feminina, enquanto os competidores passavam pela Praça Tiananmen, a foto de Mao Tse Tung aparecia por vários segundos com foco centralizado na TV. Muito estratégico!

Medalha Maior Surpresa: Sem dúvida, César Cielo, um nome que não era tão festejado quanto Tiago Pereira, mas que foi lá, fez a sua parte e ganhou 2 medalhas, uma delas o primeiro ouro da história da natação brasileira. Não teve quem não se emocionou com o choro durante o hino nacional.

Menção Honrosa: Agora, sem brincadeira, para as mulheres do Brasil, principalmente Maurren Maggi, as meninas do vôlei, Kétlyn Quadros, Natália Falavigna e as velejadoras Fernanda Oliveira e Isabel Swan. Não fosse por elas, a nossa posição do quadro de medalhas seria fraquinha, fraquinha.

PS.: O post de hoje é dedicado ao Juliano que acertou as 15 medalhas, enquanto eu previ 12. Sim, Juliano, tu entendes mais de esporte do que eu. Nunca questionei isso :). Mas, sem falsa modéstia, acho que este post prova que estou em constante evolução, pelo menos no que diz respeito à atenção.

sábado, 23 de agosto de 2008

Somos país de Sprint

Há 3 dias, éramos um país com 1 medalha de ouro e 5 de bronze. Ocupávamos a inglória 38ª colocação no quadro de medalhas. Mas quem é experiente em Olimpíadas e até mesmo em PAN, sabe que o Brasil é país de sprint - sprint, pra quem não sabe é aquele gás que os corredores dão no final das corridas e que muitas vezes os fazem ganhar posições -, ou seja, nossas medalhas sempre aparecem no final da competição, já que somos um país tradicionalmente de esportes coletivos. Pulamos de 6 pra 15 (já estou contando a do vôlei masculino, que será no mínimo prata) em 3 dias e pulamos para a 22ª colocação do quadro. Belo sprint! E comprovando o prognóstico que eu considerava otimista da revista Sports Illustrated.

Ganhamos 4 medalhas na quinta, 3 medalhas na sexta e 2 no sábado e ficamos bem próximos de mais 2. Por milésimos de segundos não fomos bronze no atletismo nos revezamentos 4x100 masculino e feminino. Ficamos com o inglório 4º lugar.

Vou ser obrigada hoje a morder a língua publicamente. Eu não acreditava que o vôlei feminino fosse levar o ouro, dado o histórico de derrotas fantásticas. As pessoas falam muito de Atenas 2004 e do PAN do ano passado, mas elas entregaram também o mundial de 2006 pras russas quando também já estavam com o jogo quase ganho no 4º set. Enfim, que bom que superaram. Aprenderam finalmente a ganhar. Ainda bem que a final foi contra as americanas. Se fosse contra russas ou cubanas, sei não...

Por fim, essa é para quem já não aguenta mais ouvir falar em Olimpíada. Pois bem, Olimpíada também é cultura. Estava eu aqui assistindo a maratona e descobri que existe um país chamado Eritrea (deve ser Eritréia em português). Imaginei que devia ser um país novo já que tenho a mais absoluta certeza de que não existia nos meus tempos de escola. Pois bem, é um território que separou-se da Etiópia em 1993. Não perca o monumento tradicional do país, é no mínimo original.

Amanhã, veja aqui o balanço final.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Um pouco de humor na Olimpíada

A mensagem que resume a atuação brasileira nessa Olimpíada é:

"De onde menos se espera é de onde não sai nada mesmo."

Mas o melhor blog sobre Brasil nas Olimpíadas (já tinha sido sucesso no PAN) é o Bronze Brasil. Foi o texto mais criativo sobre a derrota brasileira para a Argentina: Enganamos los hermanos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ainda sobre a Olimpíada

Eu não sei se só acontece com a gente, mas foi de última o sumiço da vara da brasileira Fabiana Murer na competição de salto com vara. Será que se ela não tivesse chance real de medalha isso teria ocorrido? Ainda mais considerando que uma chinesa desconhecida também estava na disputa?

Não adianta os críticos dizerem que quem é bom salta com qualquer vara, porque isso não é verdade. Mas como somos Brasil, país sem nenhum poder no cenário internacional vai ficar por
isso mesmo.


Confiança

Estou confusa. Os mesmos narradores e comentaristas que enalteceram o espírito vencedor do Cielo quando disse que ganharia a final dos 50m na natação, criticaram o Diego Hypolito pelo excesso de confiança. Quer dizer, se ganha é porque tinha confiança, se perde é porque tinha confiança.


Comparações

Outra coisa que me deixa enfurecida são as comparações mal-feitas. As pessoas olham o quadro de medalhas e saem falando, sem conhecimento de causa. Por exemplo, os comentários de que o Brasil está atrás do Zimbábue, do Quênia e do Azerbaijão no quadro de medalhas.

Em primeiro lugar, a ordenação do quadro não é feita pelo número de medalhas e sim pela quantidade de ouro, prata e bronze. Um país que tenha apenas 1 medalha de ouro e 1 de prata vai ficar na nossa frente no quadro, porque não temos prata, apesar dos 5 bronzes. Critério injusto na minha opinião - acho que o correto seria atribuir peso 3 aos ouros, 2 às pratas e 1 aos bronzes - mas quem sou eu.

Então pra quem não sabe: a medalha de ouro do Zimbábue e as 3 de prata foram ganhas por uma única atleta, Kirsty Coventry, da natação, que pra falar a verdade estuda e treina nos EUA há muito tempo. Já as medalhas do Azerbaijão foram na Luta Greco-Romana e no Judô que parecem ser os grandes esportes do país. E quanto ao Quênia, as 7 medalhas são exclusivamente do atletismo. Lembrem-se Quênia é o país dos corredores, eles estão sempre na ponta nas maratonas.

Enfim, pra um país ser potência olímpica só precisa desenvolver 2 esportes em que um número grande de medalhas esteja em disputa, como atletismo, natação ou ginástica. Apostar em tênis, basquete, handebol é bobagem se o objetivo é saltar no quadro.


ATENÇÃO: Aviso geral

A medalha olímpica do futebol conta 1 no quadro de medalhas, igualzinho a qualquer uma das de
qualquer outra modalidade. Então, caso o Brasil vença da Argentina amanhã não tem nenhum motivo pra carnaval, ok?

domingo, 17 de agosto de 2008

Breve Comentário sobre a Olimpíada de Beijing

Não em expert em esportes. Sou apenas uma brasileira que acompanha Jogos Olímpicos pela TV desde 1984 e ao longo de 7 edições dos jogos aprendeu alguma coisa. Então, eu realmente fico aborrecida com as bobagens que ouço dos nossos narradores, repórteres e comentaristas nas transmissões. Não posso escrever todas as bobagens que ouvi nos últimos dias porque levaria até a próxima Olimpíada pra escrever, mas algumas eu tenho que comentar.

Por exemplo, os comentaristas não paravam de comentar que o insucesso de Diego Hypolito e Jade Barbosa era devido ao fato de esta ser a primeira Olimpíada da qual participaram. O que eles esqueceram é que esta também é a primeira Olimpíada de Cesar Cielo, da norte-coreana que ganhou a medalha de ouro do salto e do chinês que ganhou o ouro no solo também. Quem vai pra ganhar, ganha não interessa se é a primeira ou a décima-quinta vez. Aliás, como eles explicam então o fracasso da Daiane dos Santos? Afinal, não era a primeira Olimpíada dela.

Não acho que o resultado geral da ginástica tenha sido ruim. O Brasil começou um trabalho sério na ginástica há oito anos apenas. A geração que começou a usar esta estrutura cedo, com 5 ou 6 anos, idade em que os ginastas começam, deve ter hoje 12, 13 anos. Portanto, ainda não tem idade para participar de Olímpiada.

Vi uma entrevista com a chefe da equipe de ginástica brasileira hoje. Ela disse que o Brasil conta hoje com 14 centros de treinamento. São esses centros que garimpam os futuros talentos. Será necessário dar continuidade a esse trabalho por pelo menos mais 8 anos até dar resultados concretos. Não vai ser nem em Londres ainda. Basta comparar com o vôlei. O trabalho de desenvolvimento do vôlei começou nos anos 80. E tirando a medalha de 1992, a seqüência de resultados positivos só começou a ser sentida nesta década. Foram necessários, portanto, 20 anos de trabalho pra estarmos entre as melhores equipes na quadra e na praia, como somos hoje.

Claro que existem os fenômenos. Daiane dos Santos, por exemplo, começou aos 12 anos e não tinha a estrutura de hoje. Se ela tivesse 5 anos e começando agora, seria difícil competir com ela no futuro.

Outra grande bobagem foi a aposta da imprensa em Thiago Pereira por causa das 6 medalhas do PAN. PAN nunca foi balizador pra Olimpíada, basta olhar pra quais países ganharam medalhas na natação em Beijing. Apenas EUA e Brasil das Américas. E os EUA sabidamente mandam a equipe B ou C pro PAN. Então, pra saber se alguém tem chances reais de medalha, por favor, olhem os tempos em comparação com o recorde mundial. Qualquer atleta que faça 3 ou 5 segundos a mais que um recorde mundial num PAN não vai ter a menor chance numa Olimpíada com ou sem Michael Phelps.

César Cielo também não é resultado de investimentos em natação no Brasil. Era um guri talentoso que incentivado por Gustvo Borges (que graças a Deus parece ser inteligente o bastante pra enxergar que a estrutura dos EUA faz diferença) teve a coragem de abandonar a vida aqui porque sabia que jamais seria campeão olímpico sem foco e sem treinamento adequado. Lembro que durante a euforia do PAN, um único comentarista do SportTV comentou que o tempo do Cielo quando ganhou os 50m livre era tempo bom o suficiente para credenciá-lo a uma Olimpíada.

Não somos potência olímpica e não seremos enquanto o Brasil não resolver outros problemas mais graves como saúde e educação. Nas escolas públicas as crianças não têm aula de educação física, sejamos sinceros. O que as professoras fazem é dar uma bola aos guris e uma corda (de pular) pras gurias. Nas escolas particulares surge outro problema: nenhum pai de classe média aconselha o filho a ir pra natação ou atletismo. Conheço alguns casos de pessoas que seriam bons atletas, mas optaram por uma faculdade quando chegou o momento de fazer uma opção.

Além disso, existe a cultura futebolística. As emissoras de TV passam o campeonato paulista da série B em rede nacional e não passam uma partida de basquete. Agora para futebol, seja de campo, de areia, de salão ou o tal de showbol, sempre tem espaço. Aliás, basta olhar os pais com seus filhos no domingo de manhã num parque qualquer. A criança mal sabe andar e o pai já está lá com uma bola pro coitado chutar. Futebol no Brasil é praticado pelas crianças que moram na Vila dos Papeleiros e pelas que moram na Bela Vista. E provavelmente 1 entre 15 pais incentivaria um filho a entrar pro vôlei ou pra natação, ao invés da escolinha de futebol.

Nas Olimpíadas, o Brasil é o país da vela. Nas últimas 7 edições foram 12 medalhas, 6 de ouro. Estranhamente, um esporte caro em um país subdesenvolvido, que durante muito tempo foi praticado por filhos de boas famílias que podiam se dar ao luxo de comprar os barcos e só competir. Hoje, com a regra do COB que divide os recursos da lei Agnelo Piva entre as modalidades esportivas de acordo com o seu desempenho, existem vários programas sociais da vela espalhados pelo país.

Em tempo: antes dos jogos começarem eu anotei 12 medalhas para o Brasil. Fiz uma estimativa pensando em 3 do vôlei (de quadra e de praia), 3 do judô, 1 do futebol feminino, 1 da vela, 1 da ginástica (eu acreditava no Hypolito), 1 do atletismo (Maurren Maggi ou Fabiana Murer), 1 da natação (eu achava que o Cielo ou o Kaio Márcio podiam ganhar um bronze) e 1 de algum atleta que não é muito conhecido e ninguém espera. Até agora estou bem próxima... acertei as 3 do judô e a derrota do Hypolito foi compensada pelo ouro do Cielo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Passeios Próximos - Maria-Fumaça


Um dos passeios turísticos mais conhecidos daqui do Rio Grande do Sul é o de Maria-Fumaça em Bento Gonçalves. Pra quem procura algo pra fazer num sábado, recomendo. É um passeio que não exige esforço físico algum, diverte desde a criança até o velhinho de 80 anos e é relativamente perto de Porto Alegre (cerca de 120 Km), numa viagem que não cansa.

Como chegar a Bento: de Porto Alegre, o melhor caminho de carro é por São Leopoldo pela BR-116. Dali pega-se a RS-122 (até São Sebastião do Caí), a RS-446 (até Garibaldi) e
RS-470. A estrada é boa, está quase toda duplicada, falta apenas um pequeno trecho.


Onde: Para quem sai de Bento, o embarque é na Estação Férrea de Bento Gonçalves. Para quem vai tomar o trem em Carlos Barbosa, existe um ônibus a partir da Estação Férrea de Bento que leva até Carlos Barbosa, sem custo.
Quando: Os passeios normalmente são às quartas e aos sábados, às 9h, 10h45min, 14h e 16h
Quanto: R$ 48 na alta temporada (julho, dezembro, janeiro) e R$ 43 no restante do ano. Confirme os valores no site oficial.
Dica: Agende antes de ir, especialmente durante o inverno. Vimos muita gente chegar lá e não conseguir ingresso. Se reservar, chegue com meia-hora de antecedência. Também vimos algumas pessoas chegarem em cima da hora e a reserva já ter expirado. Não adianta chorar.

O passeio dura aproximadamente 1 hora e tem uma parada de 15 minutos na Estação Ferroviária de Garibaldi, onde são servidos suco de uva e champanha. Tanto, na saída, como nessa parada e na chegada, há sempre muita música italiana cantada e tocada "ao vivo".

No trem, acontecem algumas encenações teatrais, mais música, dança e se ouve um pouco sobre a história da região e da locomotiva. É quase como um retorno ao passado mesmo, se você esquecer os celulares dos outros passageiros tocando no caminho. Além disso, vale observar a empatia que os moradores da região tem com a Maria-Fumaça. Por onde ela passa eles acenam e abanam. Ela exerce particular fascínio sobre bebês de colo e crianças pequenas... até eles muito educadamente acenam.

Plus: O ingresso dá direito também a assistir o show no Parque Temático Epopéia Italiana. Gostei tanto quanto do passeio. É uma encenação interativa sobre a imigração italiana que dura uns 45 minutos. Conta a história de um casal da região Lazaro e Rosa desde a Itália até o Brasil. O interessante do espetáculo é que a platéia caminha pelos cenários junto com os personagens. No final, degustação de vinho, suco de uva e biscoito.

domingo, 27 de julho de 2008

Pores-do-sol - II

A Tati Klix do excelente blog de viagens Ida & Volta perguntou sobre os lugares dos pores-do-sol do e-mail anterior. Cada um deles é de um lugar diferente, sim. E cada um deles tem uma historinha que vou tentar resumir pra não transformar o post em um livro.

O primeiro deles é o único daqui de Porto Alegre. O lugar é mais ou menos nos fundos do que seria o Anfiteatro Pôr-do-Sol hoje. Foi o primeiro que eu e o Juliano vimos juntos e por isso a foto tem um certo significado pra mim. Eu esperei o sol se pôr para fotografar? Sim, esperei. O lugar tinha muito lixo e eu não queria que aparecesse na foto... Há cerca de um mês nós retornamos no local e infelizmente muita gente continua largando sujeira ali. Uma pena, porque deveria ser um cartão de visitas da nossa capital.

O segundo (da esquerda para direita) é de Cambará do Sul. Nos hospedamos lá na pousada Recanto dos Amigos em 2004. A pousada fica a cerca de 6 Km do centro de Cambará do Sul e é uma fazenda que oferece cavalgadas e caminhadas. Em suas terras, existe uma cachoeira para banho onde fomos passar a tardinha. Na volta, o pôr-do-sol da foto.

O terceiro e o quarto são de Piriápolis, no Uruguai. Parece mar, mas é o Rio da Prata, que em Piriápolis já é um pouco salgado dada a influência da corrente do oceano, como já mencionei aqui. O meu preferido de todos que coloquei aqui é o terceiro. Era início do verão, final de dezembro de 2007, às 9h da noite. Lembro nitidamente que haviam várias pessoas na praia admirando o fenômeno e houve inclusive gente que aplaudiu. Foi de emocionar.

O quinto é do deserto, na Califórnia. A foto é do Joshua Tree National Park a nordeste de Los Angeles (se a minha orientação estiver certa), mas muito antes de chegar no Arizona. Esse parque abriga dois desertos, o do Colorado e o Mojave. A árvore em primeiro plano é a Joshua Tree, árvore típica dali e praticamente a única vegetação que se destaca no meio de rochas e pedras.

O sexto é o pôr-do-sol do Pacífico, em uma das muitas praias nos arredores de Los Angeles. Eu achei lindo, lindo e realmente não me decepcionei nem um pouquinho com ele. Adorei mesmo!

O sétimo (ou último da coluna da esquerda) é do Sequoia Valley, também na Califórnia. O lugar conhecido porque é onde ficam os parques nacionais que abrigam as Sequóias Gigantes, mas que também tem um panorama bonito como esse da foto.

O oitavo é de Playa Ramirez em Montevidéo. Também é lindíssimo e especial porque foi o último de 2007, isto é, foi no dia 31/12/2007. Bela forma de terminar um ano, não?

O último foi há alguns anos em Porto de Galinhas, Pernambuco. Haviam me dito que era um dos mais lindos do país e achei que tinha que conferir. Não achei o pôr-do-sol em si o mais lindo, mas dentro do contexto ele se tornou mágico. Foi uma viagem que fiz com amigas e a diversão foi muita. Nesse dia, nós alugamos um buggy e passamos a manhã em Muro Alto que era a outra ponta da orla. De tarde percorremos toda a orla e terminamos no lugar desta foto que é o Pontal do Maracaípe, onde o rio Maracaípe desemboca no oceano. Foi um dos passeios mais bacanas que fiz na vida.

Agora, tenho que concordar com a Tati que o Santorini parece dar realmente um show.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Pores-do-sol

Faz algum tempo que eu queria incluir esse post, mas faltou tempo. Agora, descansada, após 2 semanas de férias da faculdade, consegui escrevê-lo.

Tenho uma colega que viajou recentemente (não tão recentemente mais) para a Califórnia e disse que não gostou do pôr-do-sol do pacífico e que o de Porto Alegre é muito mais bonito. Sou obrigada a discordar. Acho que tenho boa experiência em pores-do-sol (como se diz o plural disso?). Sou uma afixionada por eles. E digo que o nosso pôr-do-sol pode ser bem bonito, mas existem outros lugares que conseguem competir em igualdade de condições.

Então, sem identificação, por enquanto, seguem alguns pores-do-sol para comparação...







E então, qual o seu preferido?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Melhor definição de SEM PREVISÃO

Em homenagem a todos os usuários de informática da face da Terra que ligam para o suporte ou para o desenvolvimento querendo saber com que previsão serão atendidos, peço licença a minha colega de trabalho Bruna Nervis para copiar a melhor frase que já ouvi a esse respeito:

"Sem previsão é o intervalo de tempo entre um minuto e nunca mais."

terça-feira, 24 de junho de 2008

Gripes

Gripe n°1 em maio/08:
R$ 3 reais em analgésicos
R$ 11 reais em xarope pra tosse
2 semanas entre gripe e tosse

Gripe n°2 no início de junho/08:
R$ 14 reais em analgésicos

Infecção das vias respiratórias superiores (ou evolução da gripe n°2) ainda em junho/08:
6 horas perdidas em um hospital
R$5 do estacionamento do hospital
1 dia de trabalho perdido
1 folga que eu poderia usar para estudar para a prova de sucessões perdida
Consulta, raio-x, exame de sangue e soro que não sei ainda quanto vão me custar (daqui a uns 2 contra-cheques a conta chega)
R$ 31 em antibióticos
3 noites mal dormidas até agora e contando...

Conclusão: ano que vem vou tomar a vacina contra a gripe que custa módicos R$45.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Frio de renguear cusco

Ontem (17.06.08), às 7h30min da manhã o termômetro da José Bonifácio, na redenção marcava 1° C . Eu corro de manhã há pelo menos 8 anos e nunca tinha visto aquele termômetro marcar 1° grau. Já tinha visto 2, 4, mas nunca 1°C. Sei que a precisão desse termômetro não é lá isso tudo e que a temperatura "oficial" ontem em Porto Alegre foi de 1,8°C, mas que este outono é dos mais frios dos últimos tempos, ninguém vai poder negar.

Isso vem de encontro a uma tese que o Juliano defende há algum tempo, depois de muito assistir ao Discovery Channel. O aquecimento global vai tornar os nossos invernos aqui no sul mais intensos. Isso, porque as massas de ar polar vão ficar estacionadas por aqui ao invés de subir para o centro do país como hoje ocorre. Não tem nada de científico no meu comentário, mas eu tenho sentido falta das temperaturas amenas. Nos últimos anos o que temos é verão ou inverno. Quando aquece, aquece pra valer, a temperatura vai a 30°C como ocorreu no último maio. E no mesmo mês tivemos 4°C. Onde foram parar aqueles dias agradáveis de outono, com solzinho e temperatura de 15°C? Eu não sei. Mas no nosso clima parece que esses dias estão em extinção.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O que há pra se fazer em Porto Alegre em dia de chuva

Isso é algo que eu comento há muito tempo: vivo em uma cidade onde chove torrencialmente. No mínimo umas seis vezes por ano acontecem temporais que inundam tudo. No mínimo duas vezes por ano ocorre uma seqüência de uma semana inteira em que chove com pouquíssima trégua. Mas as autoridades agem como se a gente vivesse no nordeste, com 300 dias de sol por ano. Isso é algo que eu realmente não entendo.

Fiz intercâmbio em Vancouver há alguns anos. Lá chove muito também. Mais do que em Porto Alegre. Em novembro, são no mínimo 25 dias de chuva. Mas você não sente a chuva como em Porto Alegre. Por que? Porque Vancouver sabe que é uma cidade chuvosa e age como uma cidade chuvosa deveria agir. Não ocorrem inundações, porque imagino que se limpe os bueiros. Os parques não vivem embarrados, porque eles devem existir bons sistemas de dragagem, aterramento ou sabe-se lá o que. As árvores são podadas adequadamente, de modo que não periga uma delas cair em cima de você, se você por um acaso inventa de ir correr num dia de chuva num parque. Aliás, lá as pessoas vestem suas jaquetas e vão correr em dias de chuva nos parques, porque se esperarem por um dia de sol, provavelmente passarão o inverno em casa.

Em Porto Alegre, mesmo que você decida que quer correr num dia de chuva, além do parque completamente enlamelado (a corrida se transforma em salto com barreiras), tem que aguentar motoristas de ônibus ou de carro que propositalmente atiram água em você. Então o que há pra se fazer nessa cidade num domingo de chuva? Pensei, pensei e cheguei a raríssimas opções:

- Cinema;
- Shopping (se você conseguir lugar pra estacionar);
- Restaurantes (se você topar ficar na fila);
- TV a cabo (se você tiver a sorte de ter em casa);

E acaba por aí. Porto Alegre não tem uma biblioteca decente que abra nos finais de semana. Porto Alegre praticamente não tem museus. Porto Alegre não faz nem frio o suficiente para que a chuva se transforme em neve e você possa esquiar. E como existe muita gente e poucos lugares pra se ir, qualquer lugar que você encontre estará lotado. O que é uma pena. Uma cidade culturalmente tão evoluída merece mais.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Corredora

Eis o meu resultado individual na rústica de Porto Alegre: 44a posição, com o tempo de 53m11s.

Não é tão ruim se pensarmos que eram 231 mulheres participantes.Se eu tivesse competindo com homens provavelmente cairia pra 328. Mas aí o número de participantes também é outro.

Só que como boa viciada em corrida, também participei de uma das equipes da empresa na qual trabalho e aí o resultado não foi tão bom. Nós fomos os ante-antepenultímos com o tempo de 04:35:47. Meu tempo foi de 27m40s para 5.250m. Como eu corri no mesmo dia 15,25Km estou começanco a acreditar que a São Silvestre me espera!

Pra incentivar: qualquer pessoa pode correr uma rústica ou um revezamento de maratona com um pouco de treino. Algumas colegas nunca haviam corrido e com um treinamento de um mês conseguiram completar a prova correndo todo o tempo e sem desmaiar no final. Parabéns principalmente pra elas: Jaque, Luciana e Cíntia. Afinal os meninos já praticavam futebol!

Ps: Ano passado fui a 60a com o tempo de 51:51. Vai entender.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Por que casar?

Ouve-se muito por aí que a união estável hoje é a mesma coisa que o casamento para efeitos jurídicos de principalmente com relação aos bens do casal. De fato, durante a vigência da união pode-se dizer que ela é equiparável ao casamento em relação a direitos e obrigações. A união estável "padrão", ou seja, aquela em que o regime de bens não é pactuado assemelha-se muito ao nosso casamento no regime da comunhão parcial de bens, ou melhor explicando, "aquilo que é adquirido durante o casamento (ou união estável) não interessa quem comprou ou de quem eram os recursos, pertence ao casal e, portanto, deve ser partilhado em igual proporção na separação".

Agora, em se tratando de regime sucessório, a situação é completamente diferente. Vamos supor um casal, casado em regime de comunhão parcial de bens, com dois filhos e cujo marido tinha antes de se casar um patrimônio de 500. Se o marido falece, a esposa teria direito a 1/3 desses 500, pois ela é considerada herdeira. Se eles não fossem casados de papel passado, a companheira não receberia nadinha desse valor.

Vamos mudar o exemplo e supor um casal jovem, cujo marido morre tragicamente e cujo apartamento havia sido adquirido por ele dois anos antes de casar. A esposa teria direito a 1/3 desse apartamento caso os pais dele fossem vivos e 1/2 em qualquer outra situação em que ele tenha algum ascendente vivo. Se ele não possuísse mais pais, avós ou bisavós, ela herdaria sozinha o apartamento. Em igual situação, a companheira, aquela que não é casada de papel passado, ficaria a ver navios. O máximo que ela conseguiria seria o direito de habitar esse apartamento. Mas ele jamais seria dela.

Existe ainda uma situação na lei que garante à esposa ou marido que possua 4 ou mais filhos com o falecido 1/4 da herança. Essa garantia não existe para a companheira. Ela vai herdar concorrentemente com os filhos. Se forem 7, ela herda 1/8. Pior, se os filhos não forem dela, ficaria com "meia-quota" que cada filho recebesse.

Agora, a pior situação mesmo é daquele casal velhinho que vive junto há muito tempo e que não tem parentes. Se eles não forem casados, pode acontecer a situação extrema de a companheira não herdar os bens que eram apenas do falecido e esses bens irem para o Estado. Juro que quando eu aprendi isso, mesmo que não tivesse casado de papel passado corria para o cartório.

domingo, 18 de maio de 2008

Testamento

Todo mundo deveria fazer um testamento. Ou pelo menos todo mundo que tem algum bem e não concorda com o que a divisão padrão dos bens dada pela lei. Nesse ponto, você deve estar se perguntando, por qual motivo alguém com 30 e poucos anos estaria já pensando num testamento. Bom, eu sempre me interessei por sucessões, foi o segundo motivo que me levou a cursar direito (o primeiro foi a possibilidade de um dia obter a concessão de um cartório, como todo mundo sabe). Mas independente de gostar ou não de direito, você sabia que...

... se você é casado e sem filhos e seus pais são falecidos, seu marido vai herdar toda a sua herança?
... se você é casado e sem filhos, seus pais são falecidos, você tem apenas um avô vivo, seu marido vai herdar 1/2 do que você tem e seu avô o outro 1/2? Não interessa que você tenha, por exemplo, irmãos e preferiria deixar pra eles essa metade do avô.
... se você não é casado, mas tem um companheiro, vulgo, união estável, vocês não tem filhos, esse companheiro só vai ter direito a metade + 1/3 dos bens que vocês adquiriram na constância da união, mesmo que você só tenha um sobrinho-neto de parente?
... se você tem um pai que nunca apareceu pra lhe ver depois da separação da sua mãe e você for solteiro e sem filhos, esse pai vai herdar metade daquilo que é seu?
... se o seu pai teve 2 filhos de uma união anterior ao casamento com sua mãe, mas você nunca teve nenhum contato com esses meio-irmãos, eles serão seus herdeiros, caso você não tenha filhos, pais ou cônjuge vivo? (Quando falo em cônjuge, falo de "papel passado", porque se for companheiro, eles herdam igual).

Por essas e outras eu defendo o testamento.

Aguarde, no próximo post... a defesa do casamento.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Nada como ser formadora de opinião

Ainda sobre meu post anterior... até o Le Monde concorda comigo! Pelo menos é o que diz no blog do Rodrigo Lopes. E a reportagem deles é posterior ao meu Post, hein.

domingo, 11 de maio de 2008

A bondade, a maldade e a fronteira

Como cidadã, sou contra a prisão preventiva do Alexandre Nardoni e da Ana Carolina Jatobá. Mas antes que os meus leitores me atirem pedras, gostaria de expor meus argumentos, porque há dois anos atrás eu provavelmente pensaria de outro modo, mas se tem algo que a faculdade de direito me ensinou, acima de tudo, foi a pensar antes de acusar.

Você é um cidadão direito, que tem trabalho e família. No entanto, você não se dá muito bem com o seu vizinho porque o cachorro dele invade o seu pátio e faz porcarias nele. Vocês tiveram uma discussão há algum tempo. Então, um dia você está chegando em casa, à noitinha e vê alguém no seu pátio. Pensando ser um ladrão, você pega a arma que tem em casa e dispara pra assustar o bandido. Só que você dá um tremendo azar e o bandido não é bandido. É o seu vizinho. Como você é incrivelmente azarado, um dos tiros que você dispara atinge o vizinho e o mata.

Uma hora depois a polícia está na sua casa e a mulher do vizinho, histérica, diz que você planejou aquilo tudo pra matar o marido dela. A polícia acredita na mulher e quer levar você preso... Um outro vizinho diz que sim, viu vocês discutirem no passado. Você acaba enredado e respondendo a um processo por homicídio. O que impede esse cidadão azarado de passar anos na prisão sem ser julgado? Pois, pasme-se. É o mesmo código penal e as mesmas garantias constitucionais que são tão condenadas pela massa por serem brandos demais.

O que quero dizer é que a lei é feita pra proteger pessoas como eu, como você que está lendo este texto agora e como o cidadão azarado fictício da minha história. A lei não é feita pensando em punir, ela é feita, sobretudo, para proteger as pessoas sem antecedentes, com trabalho, moradia fixa e família que um dia tenham o tremendo azar de estar no lugar errado na hora errada ou de cometerem algum tipo de crime por algum tipo de crise nervosa. Ela acaba sendo branda demais com os bandidos? Pode ser que sim. Mas o Estado prefere deixar um bandido na rua do que encarcerar um inocente. Você não concorda? Então espero que você não seja parecido com nenhum foragido da polícia, não seja negro, pobre ou se vista com roupas hippies. Também espero que você nunca tenha o azar de estar perto de uma cena de homicídio com a polícia e a imprensa sedentos por respostas rápidas.

Eu não defendo a impunidade. Acho que se o casal matou a menina tem que pagar por isso. Mas não pode receber tratamento diferenciado apenas porque o caso despertou comoção nacional. Fosse um homicídio "normal" a prisão preventiva não teria sido decretada, uma vez que eles não representam um "perigo por estarem nas ruas" ou "possam fugir". Ou então retiremos da Constituição o trecho onde diz "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;". A justiça é lenta? Pois resolva-se o problema da lentidão da justiça, então.

Há pouco mais de um ano, aconteceu um caso no interior aqui do Rio Grande do Sul de uma mãe que deixou os 5 filhos presos num barraco enquanto saía pra fazer sabe-se lá o que durante a noite. O barraco incendiou, as crianças não conseguiram sair e morreram carbonizadas. Pra mim é um caso tão chocante quanto esse e ninguém culpou essa mãe. Crianças miseráveis recebem maus tratos e abusos diariamente e ninguém se comove com isso. Padrastos e madastras matam enteados nas vilas das grandes cidades e ninguém fica sabendo. Mas com a menina Isabella que era de classe média-alta, a população sente como se estivesse na novela das 8 e quer participar.

Pra terminar: não acredito que as pessoas sejam boas 100% do tempo, assim como não acredito que as pessoas sejam más 100% do tempo (exceto talvez aquelas que dada a sua condição social estão muito mais preocupadas em sobreviver do que em serem boas ou más). Por trás de um criminoso, existe um ser humano. Não acho que um indivíduo que tenha cometido apenas um crime em toda a sua existência seja um ser humano tão ruim assim. Ele apenas ultrapassou uma fronteira que a maioria das pessoas não ultrapassa. Condenar, sem recuperar não vai ajudar essa pessoa a percorrer o caminho de volta.

sábado, 26 de abril de 2008

Parque das 8 Cachoeiras

Sei que tenho andado sumida do blog. Época de aulas e de provas na faculdade e de vários lançamentos de sites no trabalho, então os posts tendem a diminuir até final de junho.

Sempre que um feriado se aproxima, começo a procurar sites sobre trilhas aqui por perto, no RS ou em SC. E é impressionante como são poucos os sites ou blogs com dicas sobre trekking por aqui. Se alguém tiver alguma dica, comente aí, será um serviço de utilidade pública.

Na minha opinião, um dos lugares mais legais pra quem gosta de trilhas é o Parque das 8 Cachoeiras em São Francisco de Paula. O parque não é muito divulgado, nem muito conhecido, nós o descobrimos por acaso em um dos finais de semana em que estivemos em São Francisco. Vimos a placa, fomos seguindo e achamos o parque. Ele fica próximo ao centro, mas o acesso não é muito fácil, uma estradinha de chão muito ruim.

É possível ir ao parque apenas para passar o dia, a entrada por pessoa na baixa temporada (como agora) é de R$ 5,00, mas também é possível acampar ou alugar uma das cabanas pra passar o final de semana. Quando fomos, no ano passado, eram poucas cabanas, mas é possível que já tenha aumentado alguma coisa.

Mas a atração principal do parque são mesmo as cachoeiras. São 8, como o nome diz e o acesso a cada uma delas se dá por uma trilha. A primeira delas, chamada de Remanso é de facílimo acesso: menos de 15 minutos de caminhada pela própria estrada e você está na base. Também é possível vê-la pelo topo, numa outra trilha, também bem fácil, embora um pouco mais longa.

A segunda de mais fácil acesso é a cachoeira da Neblina. No parque, dizem que leva-se de 30 minutos (os tempos são sempre de ida e volta) e o caminho é bem delimitado, sem grandes dificuldades pra atravessar. Ela fica bastante cercada pela mata e tenho a impressão que o nome se deve ao fato da queda d'água realmente lembrar neblina.

Na classificação do parque, as cachoeiras da Ronda e Escondida recebem grau de dificuldade 3, a primeira delas com tempo de aproximadamente 40 minutos para ir e voltar e a segunda de aproximadamente 30 minutos. Particularmente, nós levamos menos de 20 minutos pra chegar nelas, mas quando você chega não volta em seguida, acaba ficando um tempinho lá pra curtir.

Quando visitamos a cachoeira da Ronda, era outono, mas o tempo estava quente. Chegamos lá no meio da tarde e ficamos um longo tempo ao sol, com respingos de água pra nos refrescar de vez em quando. Já na cachoeira Escondida, fomos no inverno, estava frio, sem sol. Talvez por isso eu gostei mais da trilha da Ronda, mas elas tem graus de dificuldade semelhantes. Em ambas é preciso atravessar pedras e segurar-se em cipós para pular certos obstáculos. É preciso um bom tênis pra não escorregar e ter algum cuidado, por este motivo, não são todos que se arriscam, quem vai com crianças normalmente desiste. Mas eu acho que vale a pena e não é assim tão complicado.

A cachoeira do Quatrilho talvez seja a trilha mais interessante. Já fizemos duas vezes e foi a única cachoeira que nos arriscamos no banho (embora a água estivesse gelada). Leva-se 2 horas e meia pra ir e voltar, mas o caminho é tranqüilo, a maior parte dele é plano e ele é muito bem sinalizado. O grau de dificuldade indicado pelo parque é 4, mas imagino que seja pela distância, porque o caminho é mais fácil do que para a Escondida.

As últimas três trilhas são as mais difíceis. A trilha que leva para a cachoeira dos Pilões e da Ravina é a mesma. A duração é de 1 hora e 30, porém, é preciso descer e subir escadarias, então, é preciso preparo físico. Além disso, uma das escadarias é bastante segura, com proteção em volta, mas a outra não lhe dá muita confiança, não... Além disso, quando fomos, havia uma parte em que tínhamos que seguir pelo córrego então não foi possível não molhar pés e tênis. Só para os mais aventureiros!

A única trilha que não conseguimos fazer ainda (e isso nos deixou bastante frustrados) foi a das Gêmeas Gigantes. O tempo de ida e volta é de 5 horas e é necessário atravessar 22 vezes os córregos até chegar nela. Isso quer dizer molhar os pezinhos. Fomos preparados pra isso, mas depois de mais de 1 hora de caminhada a decepção: uma árvore que segurava uma escadaria havia caído e a cascata estava inacessível. Olhamos pra ver se encontrávamos um caminho alternativo, mas achamos arriscado demais e retornamos.

Quem gosta de trekking sabe que nada mais motivador do que a caminhada terminar num lugar bonito. E, ainda não vi uma cachoeira feira, por isso gosto bastante do parque. Cada trilha tem uma característica diferente, bem como cada uma das cachoeiras. Vale a pena.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Prêmio Sem Noção (2)

Eu já falei sobre o Prêmio Sem Noção aqui antes o que dispensa comentários adicionais.

Pois bem, sábado à noite, supermercado lotado, todas as filas do caixa com várias pessoas esperando. A senhora passa as suas coisas pelo caixa e, subitamente, lembra-se que se esqueceu de pegar creme de leite. O empacotador, bem querido, se oferece para ir buscar. Todas as pessoas da fila (eu, inclusive, que seria a próxima a ser atendida) fazem cara feia. Depois de intermináveis minutos o guri volta com duas caixinhas de creme de leite. Então, a senhora diz:
- ah, mas eram duas latas...
O guri volta lá pra dentro e mais alguns intermináveis minutos se seguem antes de ele retornar com as duas latas.
Então a senhora calmamente paga as compras. Depois, ela calmamente guarda o dinheiro na carteira, sem arredar o pé de onde está, o que impede a pessoa que está em seguida na fila (ou seja, eu) de colocar as suas compras no guichê pra que seja finalmente atendida.

Na Inglaterra as pessoas são capazes de levar a sua sacola pro supermercado ao invés de usarem sacos plásticos que destróem o meio ambiente. Se você não leva, o supermercado te cobra pelo saco plástico, o que significa que o preço dele não é embutido nos produtos como ocorre aqui (ou alguém tinha a ilusão de que o saquinho era de graça?). Sem contar o fato de que na Inglaterra as pessoas também são capazes de empacotar as próprias compras, o que também reduz o custo do supermercado que não precisa ter funcionários só pra isso.

O Brasil pode progredir economicamente, pode até vir a ser um país rico. Mas nunca será de primeiro mundo enquanto o povo não aprender regras mínimas de convivência social.

sábado, 12 de abril de 2008

Sorte

Nem tudo é azar. Ontem, por milagre, eu consegui frear o carro e evitar um engavetamento. Tudo porque um militar resolveu parar repentinamente o trânsito pra que um caminhão (também militar) arrancasse do lugar onde estava estacionado em plena José Bonifácio. Eu já estava lamentando o meu carro amassado, quando por milagre ele respondeu ao comando do freio e parou!

Oxalá o inferno astral tenha passado.

domingo, 6 de abril de 2008

Inferno Astral

Tenho uma capacidade enorme de pensar demais sobre tudo o que me acontece. Pra maioria das pessoas, um tombo é só um tombo, mas eu fico horas pensando no que fez o universo conspirar para que eu caísse justamente na parte mais molhada da rua. Deve ser autocrítica em excesso, só pode.

Essa breve introdução é pra justificar que é claro que eu não poderia aceitar facilmente o fato de que a série de coisas que me aconteceu no último mês fosse obra do acaso. Como não tenho nenhuma outra explicação plausível, eu atribuí ao meu inferno astral.

Na internet, encontra-se as seguintes definições para Inferno Astral:

"Inferno Astral é o período de 30 dias que antecede a data de seu aniversário. Nessa época, a cada ano, você fica mais sensível e precisa se dar a si mesmo(a) mais atenção. Durante essa fase, recomenda-se fazer um balanço de sua vida e quando se deparar com problemas, esforce-se por resolvê-los." (astral-on-line.com)

Que ótimo... só preciso me esforçar para resolver problemas então durante o inferno astral!

"No mês que antecede nosso aniversário, o ponteiro se encontra transitando na casa 12 da roda zodiacal (a última), ligada ao signo de Peixes, que pode indicar sofrimento, doenças e fatalidades.
É possível nas quatro semanas anteriores ao aniversário algum acontecimento desfavorável na vida da pessoa.Se nenhum aspecto negativo for formado, nada acontecerá.É sempre necessário que exista um ‘pano de fundo’ indicador de algo para que um evento aconteça.Nem sempre o mês que antecede o aniversário apresenta desgraças, doenças ou acontecimentos dramáticos.O certo é todos viverem o mês que antecede o aniversário como sendo um período de recolhimento, meditação e interiorização." (astro-saber.com)

Essa eu gostei mais ainda. Especialmente da parte que menciona que a casa 12, ligada ao signo de peixes pode indicar desgraças (peixes é o meu signo).

Particularmente, não sou ligada em astrologia, acho uma grande bobagem, porque se eu acreditasse, também acreditaria que todas as pessoas que nasceram no mesmo dia em que eu, no mesmo ano e na mesma faixa horária, teriam personalidade igual a minha, o que já tive provas contundentes de que não é verdade. Mas como explicar ?

- que tenha caído um temporal no meu primeiro dia de aula, justamente às 6h30 da tarde, na hora em que eu saía do trabalho e estava sem carro e sem sombrinha?
- que eu tenha tido uma enxaqueca de quase desmaiar bem no dia e horário da minha apresentação de trabalho ?
- que eu tenha levado dois tombos num intervalo de duas semanas, os dois com vários esfolamentos, sendo que o segundo esfolou uma área previamente esfolada da minha mão?
- que no dia em que eu cheguei em casa após o dito tombo e tinha exatamente 20 minutos pra tomar banho, me arrumar e chegar na faculdade não tinha uma gota de água no prédio para que eu pudesse sequer fazer um curativo (quem dirá tomar banho)?
- que justamente no dia do meu aniversário, que casualmente era véspera de feriadão de Páscoa, um professor mala teimou que tinha que dar aula até às 10h30 da noite.

Enfim, estou precisando de simpatias para espantar o inferno astral... que já deveria ter-se ido, mas ainda não foi.

domingo, 30 de março de 2008

Colônia do Sacramento, o Centro Histórico

Caso alguém decida ir até Colônia (eu particularmente acho que vale a pena dar uma esticadinha até lá se você for até Montevidéo) seguem os principais prédios históricos a serem visitados.

Basílica do Santíssimo Sacramento
É a principal igreja da cidade que conserva a arquitetura portuguesa original do século XIX. Foi recuperada em 1957, portanto, a arquitetura e as paredes de pedra são originais, o restante é recuperado.

Portón de Campo (ou a porta de entrada da cidade)
Era a porta de entrada da cidade, na época que era uma fortificação. Ali, também há o que restou da antiga muralha que protegia a antiga Colônia do Sacramento

Ruínas do Convento de São Francisco e Farol
O convento foi construído em 1694 e destruído por um incêndio em 1704. O que restou aparece na foto. Já o farol foi construído entre 1845-1857. É permitida a entrada, porém, as escadas para ascender são estreitíssimas e cabem no máximo umas 10 pessoas lá em cima, de modo que é preciso ter paciência e esperar a sua vez de subir. A vista recompensa, é possível avistar Buenos Aires lá de cima em um dia ensolarado.

Resgate Arqueológico da Casa do Governador
É preciso usar a criatividade para imaginar como seria nos tempos antigos. O que aparece ali no chão são as estruturas da antiga residência que foi destruída em 1777. Placas explicativas tentam guiar a visita pelo que restou dos "cômodos".

Casa de Nacarello, Casa do Almirante Brown e Casa do Vice-Rei
Duas dessas casas hoje são museus. A Casa do Vice-Rei nada mais é hoje do que as antigas ruínas do que parece ter sido uma casa portuguesa relativamente suntuosa no passado. A Casa de Nacarello é uma construção portuguesa do século XVIII, que procura demonstrar como viviam os antigos moradores da cidade e a Casa do Almirante Brown abriga o Museu Municipal. A construção original é de 1795.

Não aparecem nas fotos, mas devem ser visitados:

Museu do Azulejo
Casa contruída pelos portugueses entre 1740-1760. Expõe uma coleção de antigos azulejos portugueses, franceses, catalãos e os primeiros confeccionados no Uruguai.

Museu Português
Não consegui visitá-lo, pois a cada dia da semana determinados museus não abrem e no dia em que estivemos em Colônia este museu não abriu. O prédio é uma construção portuguesa do século XVIII, com espessos muros de pedra de até 90 cm de espessura.

Existem ainda os museus espanhol e indígena. Para visitar os museus, adquire-se um ingresso apenas que dá direito a visitar todos eles. O preço é simbólico, não chega a 3 reais.

As fotos dos lugares que coloquei aqui podem ser vistas no álbum.

sábado, 22 de março de 2008

Colônia do Sacramento

Pra finalizar as dicas sobre o Uruguai, vou falar de Colônia do Sacramento, nossa última parada turística nessa viagem de início de ano.

Como quase todo mundo, ouvi falar de Colônia pela primeira vez lá pela 4a série, quando começamos a estudar a história do Rio Grande do Sul. Então pra relembrar: Colônia do Sacramento era um ponto estratégico para os portugueses porque ficava situado às margens do Rio da Prata. Como eles tinham interesse que suas colônias se estendessem até ali, fundaram uma fortificação. Lembrem que Colônia do Sacramento é um ponto bastante próximo de Buenos Aires, tanto que é possível vislumbrar do outro lado do rio a grande cidade.

Os espanhóis não gostaram muito dessa história e acabaram tomando a fortificação. Mais tarde, na época de Dom João VI, o Uruguai pertencia ao Brasil, de modo que Colônia voltou pras mãos portuguesas pra finalmente sair delas com a independência uruguaia.

O resultado desse "toma lá, dá cá" foi uma cidade histórica com arquitetura parte espanhola, parte portuguesa. Existe uma rua, "A Calle de Los Suspiros" (nenhuma alusão a de Veneza) que foi conservada historicamente como nos idos do século XVII justamente pra mostrar as duas arquiteturas convivendo de forma harmoniosa. A foto deste post é dessa rua.

A parte histórica de Colônia não é grande. Pra quem gosta de caminhar pode ser percorrida tranquilamente à pé em um dia. Pra quem não gosta de caminhar, existe uma casa que aluga
bicicletas, triciclos motorizados e umas motinhas que mais lembram as mobiletes do passado. Aliás, essas motinhas são o meio de transporte preferido dos habitantes da cidade: em determinadas ruas você vê todas elas estacionadas alinhadas. E sem cadeado.

Dicas pra quem quer ir:

- Colônia dispõe de boa rede hoteleira e pousadas. Nós ficamos no Hotel de la Ciudad, localizado próximo ao centro histórico, na Av 18 de Julio e pagamos 45 dólares a diária, com café da manhã. Se você dispensar o café eles fazem por menos. Não é preciso fazer reserva, encontramos hotel bem fácil.
- Como a cidade parece viver do turismo, também existem muitos restaurantes. Os que ficam no centro histórico são super bonitinhos, mas também mais caros. Aí vale a sua opção: quem quer pagar menos, basta procurar fora do centro histórico. Agora, quem quer sentir o clima do lugar, vale a pena jantar ao menos uma vez no centro histórico.
- Existe uma feira de artesanato com boas opções de souvenirs, principalmente azulejos e cerâmicas pintados à mão.
- Colônia possui um centro de informações turísticas localizado na Gral. Flores que é a avenida principal do centro. Ali se pode conseguir um mapa do centro histórico, o que facilita bastante uma visita "auto-guiada".
- Colônia também têm "praias de rio". Não são lindas, mas possuem águas rasas e calmas. Praticamente uma piscina infantil. Vale uma visita.

Sobre o centro histórico, aguarde o próximo post.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Vitória

Depois de ouvir aproximadamente vinte gravações, aguardar na espera por mais ou menos 1 hora e meia, depois de seis telefonemas frustrados, uma discussão acirrada ouvida por todo o 5o andar do edifício onde trabalho (em que a atendente se recusava a aceitar o fato de que a única palavra que eu dizia pra ela era NÃO), uma ligação que se perdeu, duas ligações em que a atendente não me ouvia, uma tentativa do Juliano não válida, uma tentativa da minha mãe que quase deu certo, mas caiu na última hora, finalmente... CONSEGUI CANCELAR A MINHA LINHA DE TELEFONE FIXO DA BRASIL TELECOM.

Isso merecia um post.

sábado, 15 de março de 2008

The Bucket List

"The Bucket List" é o título em inglês do filme "Antes de Partir" com Jack Nicholson e Morgan Freeman e numa tradução muito mal feita significa a lista de coisas que você gostaria de fazer antes dar com as botas. Fui assistir ao filme muito mais pelos atores que o protagonizam do que pelo filme, já que pelo trailler se podia ver que ele seria previsível. Morgan Freeman é um dos meus atores preferidos, um cara que definitivamente sabe escolher os papéis e está em dois dos meus filmes favoritos "Um Sonho de Liberdade" (definitivamente o melhor de todos os tempos na minha opinião) e "Menina de Ouro".

Resumindo superficialmente, o filme narra as aventuras de dois caras que estão morrendo de câncer e fazem uma lista das coisas que gostariam de fazer antes de partir. Um deles é milionário, o outro um mecânico. O filme seria interessante se não partisse do seguinte pressuposto americano: pra você fazer todas as coisas que gostaria precisa de dinheiro, afinal os caras pulam de pára-quedas, tentam escalar o Everest, viajam pelo mundo inteiro... quer dizer não é qualquer moribundo que poderia se dar ao luxo.

O filme, ao lado desse post da Fernanda Souza que li na última sexta-feira e a proximidade dos 34 anos me fizeram pensar no tempo desperdiçado e em algumas coisas que eu gostaria de viver nessa vida que espero, ainda seja longa.

Filhos, por exemplo. Eu venho sofrendo uma pressão tremenda pra tê-los. Mas ao contrário de muitas mulheres eu não tenho a menor vontade de engravidar. Tenho vontade de ter filhos, mas não tenho nenhuma vontade de me ver com um enorme barrigão. E as vezes chego a questionar se eu teria vocação pra ser mãe, apesar de achar os bebês lindos. O problema é que em 12 anos bebês lindos se transformam em adolescentes chatos e eu não tenho nenhuma paciência com "aborrescentes", talvez porque não tenha passado por esta fase como a minha própria mãe garante.

O fato é que eu quero ser mãe. Mas queria ter a opção de sê-lo aos 50 anos, quando provavelmente já tivesse passado por grande parte da minha bucket list abaixo.

... eu ainda gostaria de escalar ao menos o Aconcagua...
... chegar ao pólo sul e ao Alaska...
... envelhecer numa casa que não precisa ser grande, mas que tenha um jardim com pomar e bergamoteiras pra lagartear ao sol de inverno...
... não ficar deprimida nos domingos à noite, pensando que segunda é dia de trabalhar...
... aprender a tocar teclado...
... correr uma maratona...
... fazer um doutorado...
... parar dois anos de trabalhar para viajar ao redor do mundo...
... escrever um livro...
... aprender a cuidar de pelo menos um ser vivo qualquer...
... aprender a dançar flamenco e dança do ventre...
... aprender a esquiar
... ver um vulcão...
... ajudar alguém a vencer na vida...
... ter um sítio onde eu possa criar vários animais de estimação, com espaço pra que eles sejam livres...
... deixar algum legado pra sociedade, algo que me faça sentir que não desperdicei a minha existência...
... assistir a nova passagem do cometa Halley...
... ficar velhinha, velhinha e passear de mãos dadas na rua com o homem da minha vida, olhando pra ele com os mesmos olhos que eu olho hoje...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Montevideo

Antes de viajar pro Uruguai, em dezembro, procurei na Internet por vários sites sobre o país e seus pontos turísticos.

Sobre Montevideo, o que encontrei foi muita informação sobre prédios históricos e edifícios históricos. Diga-se de passagem que o Uruguai é um país com 3 milhões de habitantes sendo que mais da metade deles vive em Montevideo. Quando chegamos lá, no entanto, não foram os prédios e edifícios históricos que mais nos chamaram a atenção, mas sim a imensa avenida de 19 Km que vai desde a entrada da cidade (se você vem pela Ruta 9 ou 10) até o porto.

Dica básica número 1 pra quem vai: se decidir passar a virada do ano em Montevidéo, esqueça o centro da cidade no dia 31/12. Parece que é tradição por lá os jovens irem pro centro beber, dançar e atirar água em quem passa. Tivemos que desviar determinadas ruas por conta disso.

Esqueça também qualquer super festa de reveillon na praia. Montevideo é como Porto Alegre na virada do ano: você terá dificuldades pra encontrar um lugar aberto pra jantar. Encontramos um único, na Av. 18 de Julio, que parece se orgulhar de não fechar nunca suas portas, em nenhum horário do dia, seja ele santo ou não.

Não é que não existam festas. Elas existem. Porém, os nativos nos contaram que são super fechadas, em clubes, apenas para os mais abastados. No passado, cada bairro fazia a sua festa, com fogos. Porém, há alguns anos a coisa ficou meio violenta e decidiram suspender tudo. Nos juraram de pés juntos que não haveria fogos de artifício.

O centro na virada do ano também não é uma boa opção: lá pelas tantas as pessoas mal-encaradas começam a atirar bombinhas nos seus pés. Diante desse quadro, optamos por passar a virada no terraço do Hotel Embajador, um quatro estrelas em uma rua próxima do centro. Decidimos que na virada do ano e diante do calor de quase 40 graus, nós podíamos nos dar ao luxo de ficarmos hospedados num lugar melhorzinho).

O hotel tem cerca de 12 andares, então o terraço está entre os prédios mais altos por ali. Ficamos um tempo conversando com uma família de Tocantins que tinha vindo de lá de carro e iria até Buenos Aires. Até a meia-noite realmente não parecia que haveria qualquer sinal de festa, mas exatamente a meia-noite os fogos começaram. Não barulhentos como os nossos, e nem perto do que imagino que seja um espetáculo numa grande cidade, mas eram vários sinalizadores coloridos em vários pontos da cidade (tínhamos uma visão 360 lá). Então foi interessante, sim. Melhor do que eu esperava.

Se você tiver 24 horas em Montevideo, não deixe de fazer isso:
- passear pela "rambla" à pé, especialmente em Pocitos, Punta Carretas ou Playa Ramirez;
- assistir a um pôr-do-sol no Rio de La Plata
- visitar a catedral
- passear pela 18 de Julio e ver os prédios históricos
- ir ao Mercado del Puerto e almoçar por lá, pois há ótimos restaurantes

Mais dicas sobre Montevideo encontrei por acaso no blog Idas e Vindas.

terça-feira, 4 de março de 2008

7 Percepções sobre São Paulo

Fazendo uma breve pausa nos meus posts sobre o Uruguai, estive em São Paulo à trabalho semana passada e decidi tecer breves comentários sobre a viagem. Explico: há alguns anos eu costumava ir bastante à trabalho pra lá, mas fazia algum tempo que eu não ia e "dormia" na cidade, então não tinha algumas percepções que eu tive dessa vez.

1) São Paulo tem engarrafamento pra tudo, não é só pra automóveis. Eu ia no Ibirapuera correr de manhã e tinha engarrafamento pra correr. Eu tinha que me cuidar pra não tropeçar em alguém, juro.

2) Todas as dimensões de Porto Alegre parecem muito pequenas se comparadas à São Paulo. A Av. Oswaldo Aranha, por exemplo. Em São Paulo, ela seria via secundária, porque nenhuma via que se preze tem menos de quatro faixas. Shopping, então nem se fala. O Eldorado tem duas praças de alimentação. E caberia umas 6 redenções no Parque do Ibirapuera.

3) Tudo é profissional em São Paulo. Dá pra acreditar que às 6h30 da manhã havia vendedores de Gatorade no Ibirapuera ? E personal trainers com barraquinhas pra você se inscrever em programas de recondicionamento físico ?

4) Alguns motoristas de táxi já possuem navegadores acoplados ao veículo. Isso significa que eles não passam a perna em você no itinerário, porque a cada 5 segundos uma voz diz: "vire a esquerda", "fique a direita mais 320 m", "siga em frente e chegue ao seu destino". Até mesmo eu seria motorista de táxi com um daqueles... aliás, a diferença no valor da corrida também impressiona. Paguei 20 reais pra fazer o mesmo itinerário com o motorista que possuia o navegador e 26 no dia em que peguei outro que não tinha. Considerando que os motoristas de Porto Alegre ficam bravos se você entra no táxi pra ir da Rodoviária até o Bom Fim, imagino que isso vai levar 20 anos pra chegar aqui.

5) Apesar do trânsito caótico, os motoristas se entendem muito melhor do que aqui (isso eu já havia constatado há alguns anos e percebi que continua). Aqui em Porto Alegre, qualquer taxista corta a sua frente, você o xinga e ele lhe xinga de volta. E nenhum motorista que se preze deixa você entrar na via. Lá, até os motoristas de táxi permitem que um simples mortal cruze a via em sua frente.

6) Ninguém te deixa andar com um notebook visível no carro em São Paulo. Eles te mandam guardar no porta-malas.

7) As crianças que pedem no sinal possuem treinamento de marketing. Quando o sinal fecha, elas vão passando a fila de carros e deixando saquinhos com balas no espelho retrovisor. Depois vão voltando e recolhendo tudo. Imagino que elas identifiquem quem vai dar a gorjeta pelo saquinho que o motorista recolhe do espelho. Vai dizer que isso não é profissionalismo...

Última constatação: realmente é a cidade que não pára.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Piriápolis - II

Demorou, mas saiu a segunda parte do post sobre Piriápolis. Culpa do trabalho, passei três dias em Sampa essa semana.

Sobre Piriápolis, o que eu realmente achei mais bacana de se fazer foram as visitas aos três cerros.

Cerro San Antonio


Esse é o cerro de mais fácil acesso. Para quem não tem carro é possível pegar um teleférico. Para quem tem carro é possível chegar ali facilmente, fica na própria cidade de Piriápolis, próximo ao centro. E pra quem gosta de caminhar e não se importa em subir uma boa ladeira, também é possível ir à pé. Fui de carro pra melhor apreciar o pôr-do-sol dali - a essas alturas os leitores desse blog já devem ter se dado conta que eu tenho uma certa admiração pelo alvorecer - mas passei por um cara que estava subindo correndo o que significa que é perfeitamente possível subir caminhando.

No alto do cerro vislumbra-se toda Piriápolis, cujo traçado os mais românticos poderiam dizer que se assemelha ao de um coração. Você poderá tirar suas próprias conclusões pela foto.

Na primeira vez que estive em Piriápolis, em 2001, uma senhora nos explicou que se eu levasse uma pedrinha lá do cerro pra casa ajudaria a trazer um marido. Eu levei a pedrinha, porque afinal de contas não custava tentar. Tempos depois a minha bolsa foi roubada junto com a pedrinha e eu casei, exatamente nessa ordem. Então se é verdade ou não eu não sei, mas por via das dúvidas resolvi agradecer pela graça alcançada na capela de San Antonio que fica no alto do cerro. Quando voltei minhas amigas solteiras não gostaram muito de saber que eu não havia trazido pedrinhas pra elas.

Cerro Del Toro

Esse é o segundo cerro de mais fácil acesso. Recebe este nome porque na sua entrada existe uma fonte de água que jorra da estátua de um touro. Exige uns 20 minutos de subida por uma trilha de nível médio. A caminhada não é longa, mas como existe subida através de pedras em alguns pontos, não é todo mundo que se arrisca.

O visual lá em cima compensa. Como diz um dos bons sites sobre a cidade: "En la cima un cuadro maravilloso de luz y sombra, de verde y de agua, de azul y de arena impregna nuestra retina de majestuosa poesía."

Cerro Pan de Azucar

O nome deve estar lhe lembrando algo, não ? Honestamente, não sei se o nome foi imitação ou homenagem ao nosso Pão de Açúcar. O que sei é que alguém teve a idéia de construir uma torre no alto do cerro. Torre esta, na qual você pode inclusive entrar e subir os quase 100 degraus que levam ao topo.

Sobre o cerro que abriga a torre, con 389 metros é o terceiro em altura de todo o país, dá pra acreditar? E eu que achava que no RS é que não existiam grandes altitudes.

Para escalar o morro, leva-se cerca de 3 horas (ida e volta), considerando-se, obviamente, pessoas normais, que não vão nem muito lentas, nem muito rápidas. Não é necessário nenhum tipo de equipamento especial e a trilha é bem sinalizada, com setas pintadas nas pedras, no entanto, subir não é para qualquer um, exige fôlego e, sobretudo, muito cuidado pra não escorregar nas pedras.

A visita ao Cerro Pan de Azucar foi um dos pontos altos da nossa viagem por várias razões. Primeiro, porque a vista realmente é linda. Segundo, porque realmente é uma trilha pra quem gosta de aventura. E terceiro, porque quando estávamos lá em cima o tempo começou a enfeiar. Bom, começamos a descer, com todo o cuidado, porque pedra molhada é pedra lisa. Parece que o nosso anjo da guarda estava por lá, porque no exato momento que terminamos a descida despencou o maior aguaceiro que vi no ano. Jorrava água e mesmo no plano, nós ainda tínhamos no mínimo 1Km pra caminhar. Esse Km foi mais longo que toda a trilha, peixinhos poderiam nadar nos meus tênis depois disso. Mas aventureiro que se preze tem que aguentar né...

Abaixo a colagem das fotos da aventura.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Piriápolis - I

Como Punta del Este estava lotada de gente (era final de dezembro) e os preços estavam um pouco além do nosso orçamento, decidimos ir até Piriápolis, procurar algum lugar para passar os próximos 3 dias da nossa viagem. Eu havia passado rapidamente por lá uma vez há alguns anos e tinha achado um lugar bastante simpático e mais aconchegante que Punta. Eu não estava errada.

Quando chegamos lá, fomos direto ao Centro de Hotéis da cidade. Lá, fomos super bem atendidos, dissemos o que estávamos procurando e mais ou menos o quanto queríamos gastar e fomos encaminhados pro Hotel Budapest, uma hosteria 3* na qual pagamos 800 pesos (R$ 80) pela diária, com café da manhã. O lugar é um hotelzinho pequeno, mas bem familiar, somos atendidos pelo proprietário e sua irmã que são super simpáticos e atenciosos.

Imagino que Piriápolis já tenha vivido no passado dias melhores. Quando Punta se tornou "o point" perdeu glamour. Digo isso, porque existem várias construções antigas na cidade. Ela fica a aproximadamente 40 Km de Punta, em direção ao sul, por uma estrada mão-dupla super bem conservada. O prédio que mais chama a atenção é o Gran Hotel Argentino, construção de 1930. Logo que chegamos, fiquei bastante curiosa a respeito da história do hotel. O próprio hotel que paramos descobrimos depois, é bastante antigo, pertenceu ao avô do atual proprietário.

A história do balneário é bem interessante. Um desses visionários do passado, Francisco Piria, chegou àquela região onde nada havia, comprou (ou usucapiu) as terras e loteou-as pra revender em Buenos Aires e Montevideo como terrenos de veraneio. Tudo isso no início do século XX. Não contente com isso, foi criando infra-estrutura para que o local se tornasse mesmo um balneário. Construiu dois hotéis, o maior deles esse hotel que ficou pronto em 1930 e até hoje parece ser a maior construção da cidade, linha de trem e etc.

Piria reservou um lote, mais afastado do Rio de La Plata para sua família, onde construiu um castelo para ser sua residência de veraneio. Infelizmente, quando Piria faleceu, velhinho, com mais de 80 anos, ninguém manteve o que ele havia construído em Piriápolis. O filho mais velho, seu natural sucessor foi assassinado logo em seguida e os outros três filhos não tinham o menor interesse no lugar. O castelo acabou, depois de muita briga, nas mãos de sua amante que ele havia registrado como filha antes de falecer (Piria era viúvo, então). Só que quando isso ocorreu ele já havia sido completamente saqueado.

Esse castelo é hoje um museu aberto à visitação, com muitos documentos sobre a história do lugar. Ele foi reconstruído na medida do possível, porém, fala-se que era um lugar muito rico com pisos de mármore e estátuas de bronze e, obviamente, essa riqueza não foi recuperada.


Voltando para o presente, hoje Piriápolis é um lugar tranqüilo e agradável pra quem deseja passar alguns dias de férias. A praia é de rio, porém está tão próxima do mar que o gosto já é salgado (os mapas do início do século passado atestavam que ali era Oceano Atlântico... sabe como é, as pessoas chegavam lá, provavam a água e era salgada, então era mar).

Não encontramos muitos brasileiros por lá. Os freqüentadores são, em sua maioria, os próprios uruguaios. É comum a praia encher lá pelo final da tarde, depois das 6h. E as pessoas ficam até após o pôr-do-sol, que em dezembro ocorre em torno das 9h da noite. Aliás, o pôr-do-sol de Piriápolis é lindíssimo !

Um post apenas não é suficiente pra contar tudo, de modo que no próximo falarei mais sobre os lugares pra visitar e as trilhas.