sexta-feira, 10 de setembro de 2010

As Cataratas do Iguaçu - lado argentino

Você só fará uma visita completa as Cataratas do Iguaçu se visitar o lado argentino. Posso dizer isso com convicção, pois na primeira vez em que estive lá, há cerca de 10 anos, visitei apenas o lado brasileiro. Achei a visão linda, mas o que me impressionou mesmo foi quando cheguei pertinho da Garganta do Diabo, no lado argentino desta segunda vez. A trilha argentina faz com que você veja a Garganta do lado de cima e ali você consegue ter a noção exata da quantidade de água que cai. E é muita, como se pode observar na foto ao lado.

Mas vamos do início. Para chegar ao lado argentino, você pode contratar algum passeio em Foz ou optar pelo ônibus de linha. A vantagem de optar pelo passeio particular é que você não precisa se preocupar com nada: não precisa trocar reais por pesos, não precisa descer na fronteira para fazer a entrada na Argentina, não precisa trocar de ônibus e ainda tem a vantagem de ser acompanhado por um guia que sabe das manhas para não ser atropelado por milhões de pessoas e pegar as melhores fotos. Fizemos o nosso passeio com o Roberto (e-mail: crsmaha@hotmail.com). Ele leva apenas grupos pequenos de até 6 pessoas e faz o passeio completo: Parque das Cataratas argentino, Porto Iguaçu com o marco das 3 fronteiras e, ainda, parada no Free Shop de Porto Iguaçu na volta.

Se optar pelo ônibus de linha e você estiver hospedado em um dos hotéis da Av. das Cataratas, pode pegá-lo ali. O ônibus também passa pela Av. Juscelino Kubitschek, aquela que fica próxima ao TTU. O conforto nem se compara ao ônibus que vai para o Paraguai. Tem ar condicionado, poltronas confortáveis e até balinha oferecida pelo motorista. Ele passa de 30 em 30 minutos e você precisa cuidar apenas o último horário de retorno que é às 18h30min. Vai precisar também descer na fronteira e levar sua carteira de identidade original e sem rasuras ou passaporte. Não vale carteira de motorista, nem aquelas carteiras de conselhos profissionais, como da OAB. O custo em agosto de 2010 era de R$ 3,00.

Esse ônibus lhe deixa na estação rodoviária de Porto Iguaçu. Lá mesmo, você pega outro ônibus que vai direto ao parque. Esse ônibus passa em intervalos de 15 minutos. É importante trocar reais por pesos quando chegar a Porto Iguaçu ou antes de sair de Foz, pois não são aceitos reais para pagamento da entrada do parque. Dentro do parque, nas lanchonetes, são amplamente aceitos.

Dentro do parque argentino, a locomoção é feita através de um trem. São três estações: Cataratas, Central e Garganta. Aconselho a pegar o trem na Estação Central. É mais rápido caminhar pela trilha que leva até esta estação do que esperar para pegar o trem na estação Cataratas e descer na Central. São cerca de 700m e você caminha por uma trilha com calçamento que passa no meio de um bosque.

Conselho que para nós deu muito certo: vá primeiro na Trilha da Garganta do Diabo. Pegue o trem na Estação Central e procure ser dos primeiros a descer. Se não for dos primeiros, é mais negócio esperar uns 15 minutos no bar antes de entrar na trilha. Como conseguimos descer primeiro e somos rápidos, conseguimos boas fotos. Depois da descida do trem, você vai precisar caminhar cerca de 1Km pela trilha até a Garganta. A trilha é toda em passarela suspensa com estrutura de metal. O chão é todo "furado".

O parque todo é muito bonito e todas as trilhas oferecem bonitas visões sob diferentes ângulos, mas a Garganta realmente impressiona pelo volume de água. A água é tanta que, dependendo do volume, forma uma névoa que torna difícil enxergar lá embaixo.

De volta ao trenzinho e desembarcando na estação central, você pode percorrer as outras duas trilhas que não exigem barco: o Circuito Superior e o Circuito Inferior. Como o nome diz, a primeira é um circuito que vai passando por diversos saltos, todos pelo seu lado superior. A segunda, que possui várias escadas, vai passando por vários saltos pelo seu lado inferior. Essa trilha também leva até o passeio de barco que chega pertinho das quedas. Esse passeio também é oferecido no Brasil, mas dizem que o passeio argentino é mais emocionante. O meu atual estado de saúde não me permitiu fazer esse passeio (ele tem algumas restrições, como grávidas e cardíacos, porém, é liberado para crianças de qualquer idade), mas o Juliano fez e adorou.

As outras três trilhas do parque são na Isla San Martin que é uma ilha dentro do próprio parque. No entanto, o acesso se dá apenas por barco (sem custo) a partir da trilha do circuito inferior. Esse barco se toma no mesmo local das saídas para o passeio do Macuco. O trajeto é curtinho, mas tem um porém: a ilha passa a maior parte do tempo fechada. Se as águas sobem um pouco, eles já fecham. Nós não conseguimos fazer essas trilhas por isso. E o pior é que não tem um aviso bem visível na entrada do parque alertando sobre isso.


Dicas Finais:

  • Conselho importantíssimo: chegue cedo ao parque, de preferência antes das excursões se quiser aproveitar e tirar boas fotos. O parque argentino é bem mais movimentado que o brasileiro.
  • Às mulheres: Nem pense em usar qualquer coisa de salto que você não vai conseguir andar nas passarelas. Elas são parecidas com a foto ao lado.
  • É proibido alimentar os quatis e você deve tomar muito cuidado para se alimentar ao ar livre, na presença deles. Vi um quati pular em uma senhora para roubar sua empanada e um grupo de quatis roubarem um pacote de salgadinho. Apesar da cena engraçada isso é um perigo para os bichinhos: além de não ser o tipo de alimentação mais recomendada para estes animais, eles se tornam obesos e  ficam sem forças para fugir dos predadores naturais.

domingo, 5 de setembro de 2010

Trilha do Poço Preto no Parque das Cataratas

Ainda no lado brasileiro do Parque Nacional das Cataratas há um passeio relativamente leve e bastante interessante de ser feito para quem gosta de apreciar a natureza: a Trilha do Poço Preto.

O início do passeio é na primeira parada do ônibus que circula por dentro do Parque Nacional brasileiro. O ingresso é a parte e ele só pode ser feito com guia. Primeiramente, percorrem-se 9Km de trilha por dentro da mata até o Rio Iguaçu. Essa trilha pode ser percorrida a pé ou de bicicleta (fornecida por eles) e é bem leve,
quase que totalmente plana ou com descida. Existe uma pequena subida de pouco mais de 1 Km apenas lá pelo Km 5.

Optamos por percorrer de bicicleta e não nos arrependemos. A trilha é na verdade uma estradinha de chão e o passeio de bicicleta foi mais divertido do que caminhar 9Km. Além do mais, caminhando levaríamos quase 2 horas, enquanto de bicicleta, levamos 1 hora e 15 minutos. E fomos devagar.

No final dessa trilha, embarcamos num pequeno barco para um passeio pelo alto do rio Iguaçu, passando pelo Arquipélago das Taquaras. Não  gosto muito de passeios de barco, pois enjoo bastante, mas esse foi ótimo. O rio nesse ponto é calmo e nesse dia, pela ausência de vento, estava ainda melhor. Conseguimos observar vários pássaros e jacarés (foto ao lado). Descobrimos, ainda, porque a trilha tem esse nome. De barco, alcançamos um ponto chamado de Poço Preto, um buraco redondo, na verdade uma falha geológica, mas que parece um poço mesmo dentro do rio, com 27m de profundidade e que torna a água naquele ponto mais escura.

Depois disso, o passeio oferece ainda a possibilidade de você remar num caiaque por cerca de uns 800m (acho) no Rio Iguaçu, até o ponto em que o barco atraca. Não se preocupe, pois o barco e o guia permanecem por perto durante todo o tempo. Por fim, atracamos no ponto da Trilha das Bananeiras e percorremos mais uns 1.200m na mata até o ponto do ônibus.

Ficamos sabendo que ali que, embora improvável, é possível, inclusive, avistar onças. Um grupo que passou por ali dias antes viu uma dupla. Os biólogos dizem que são irmãos e que um deles está com algum tipo de problema físico, de modo que o outro de certo modo o protege, o que é incomum com onças, que são animais solitários.

Nosso guia nos dá ainda um conselho caso nos deparemos com uma: jamais correr, pois o animal está acostumado a perseguir a presa em movimento, é nessa situação que ele é melhor. O conselho é ficar parado com os braços para cima, para parecermos maiores e gritar. A onça não reconhecerá os gritos como os de nenhum animal a que ela está acostumada e provavelmente fugirá.

De bicicleta, o passeio todo durou pouco menos de 3h. Se fosse a pé duraria mais de 4h, segundo o guia. Enfim, é uma atividade interessante, divertida, e, sem ser nada radical, ainda agrega conhecimento sobre a natureza.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

As Cataratas do Iguaçu - lado brasileiro

Questão polêmica é qual o lado das cataratas deve ser visitado: o brasileiro ou o argentino? Sabe-se que a maior quantidade de saltos pertence a Argentina, mas o Brasil gaba-se de oferecer a melhor visão. Discordo em parte dessa visão. Realmente, para fotos panorâmicas, o lado brasileiro é melhor. Mas o lado argentino é belíssimo também e oferece as melhores trilhas. Então, se tiver a oportunidade, visite os dois lados.

Para chegar ao Parque Nacional das Cataratas de ônibus, você deve tomar a linha "Parque Nacional/Aeroporto". O parque é o ponto final da linha de ônibus. Se você optar por ir de carro, terá que deixá-lo no estacionamento da entrada do parque e ainda pagar um adicional ao preço do ingresso pelo estacionamento. O valor do ingresso em agosto de 2010 é de R$ 22 para brasileiros.

O meio de transporte utilizado no parque é um ônibus de dois andares. Ele aparece de 15 em 15 minutos ou até menos, basta ele estar lotado ou quase lotado. Para fazer a trilha das cataratas você deve descer na terceira parada. Quem não quiser caminhar e preferir diretamente a visão da Garganta do Diabo deve descer na quarta parada. A grande maioria das pessoas desce na terceira parada, percorre a trilha e pega o ônibus na quarta para voltar, não retornando pela trilha. Como gostamos de caminhar, preferimos ir e voltar. Não é uma caminhada longa, mas há uma placa avisando logo na entrada que são 504 degraus. Não contei, mas achei a estimativa um pouco exagerada. Se são mesmo 504, não senti, pois na maioria das vezes, os degraus são espaçados.

A trilha das cataratas brasileiras é bem fácil de ser percorrida. O caminho todo é semelhante a foto ao lado. A maior dificuldade para algumas pessoas são os degraus mesmo. Mas vi gente de bengala e, inclusive, uma mulher com um bebê de colo que não deveria ter mais de dois meses.

O ponto alto é perto do final da trilha, quando você passa por uma passarela e chega pertinho das quedas (foto ao lado). Você vai precisar de capa de chuva, pois respinga bastante água e ela é bem gelada. Quem for no verão, talvez dispense a capa para se refrescar.

Depois desse ponto em que se chega pertinho das quedas, continuando pela trilha, você chegará perto de um elevador panorâmico. Nesse ponto, você fica tão pertinho da queda que é possível tocá-la, se esticar o braço. O elevador é bacana também, mas se a fila estiver muito grande você não vai perder muito se dispensá-lo. A vantagem é que saindo do elevador você também está no final da trilha, o que, para quem estiver cansado de caminhar pode ser uma boa pedida.

No final da trilha, há banheiros e uma praça de alimentação, com lanchonete e restaurante. Os preços não são exatamente baratos, mas também não são absurdos. Você pode preferir levar o seu lanche e fazer um piquenique, mas terá que cuidar os quatis. Eles realmente pulam no seu colo e roubam a comida. No dia em que fomos no parque brasileiro, eles se esconderam de nós, mas no lado argentino vimos muitos.

Caminhando na volta, fomos brindados com o animalzinho da foto ao lado. Não sabemos ao certo se é um esquilo, pois foi o único similar que vimos por lá, mas parece ser.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Foz do Iguaçu

Fizemos uma viagem de seis dias por Foz do Iguaçu. Voltamos com várias dicas que pretendo compartilhar nos próximos posts. Espero que sejam úteis e que ajudem outras pessoas a não passarem por alguns dos nossos percalços.

Como chegar:
Existem basicamente duas opções: avião ou ônibus. TAM e Gol oferecem vários voos, quase todos com conexão em Curitiba ou São Paulo. A Trip tem dois voos diários e diretos Porto Alegre-Foz do Iguaçu. Conseguimos passagens promocionais na TAM, com conexão em Curitiba. Perderam a nossa bagagem, que foi encontrada no dia seguinte. A melhor parte foi a piada da moça que aceitou nosso formulário de reclamação. Caso não encontrassem a bagagem depois de 24 horas, receberíamos uma ajuda emergencial de R$ 50 para comprar roupas para duas pessoas para passar uma semana em Foz. Achei melhor acreditar que era piada para não estragar a viagem.

Na outra vez fui de ônibus de linha. A Unesul opera o trajeto Porto Alegre-Foz e tem um horário que possui ônibus leito (se for sexta-feira ou véspera de feriado). A viagem dura umas 14 horas.


Onde ficar:
Os melhores hotéis ficam na Av. das Cataratas, entre o aeroporto e o centro de Foz. Existe também um albergue que fica em uma rua perpendicular a Av. das Cataratas. Ficamos no Viale, localizado a 8 km do aeroporto e a uns 3,5km do centro. E ele é um dos mais próximos do centro. Existem outros: Carimã, Bourbon, Panorama, San Juan, só para citar alguns. O hotel era muito bom, mas como na maioria dos hotéis lá, você encontrará algumas dificuldades. Por exemplo, para ir jantar no centro, terá que tomar um táxi ou o ônibus. Os taxistas cobram em torno de R$ 10 para percorrer os 3Km até o centro. A outra opção é tomar um chá de banco esperando o ônibus. Existe a opção de jantar no hotel, mas os preços são bem salgados.

No centro, existe o Continental Inn, que é bem próximo da avenida principal, o Rafain e o Bella Italia.

Transporte em Foz do Iguaçu:
Todos os atrativos ficam distantes uns dos outros, então você vai precisar de transporte, seja ele público ou não. Se optar por táxi, saiba que os taxistas em Foz não sabem o que é taxímetro. Eles combinam com você o preço antes da corrida. Comparados com os preços de táxi em Porto Alegre são bastante caros. Na chegada, nos cobraram R$ 30 para percorrer cerca de 8Km entre o aeroporto e o nosso hotel, em período de bandeira 1.

O transporte público também não é dos melhores. A maioria dos ônibus tem apenas bancos de um lugar ao invés dos de dois lugares que estamos acostumados. Imagino que seja para que caibam mais pessoas em pé. Durante o dia, o tempo médio de espera é de 20 minutos, mas a partir das 7 da noite é terrível. Você pode esperar até uns 45 minutos na parada/ponto de ônibus. O valor da passagem é baixo (R$ 2,20 em agosto/2010). A boa notícia é que é possível fazer todos os passeios de ônibus.

Para ir ao Paraguai e ao lado argentino das cataratas também existem ônibus, estes com horários bem mais previsíveis do que os de Foz. Os que vão para o Paraguai são bem frequentes. Sobre eles, falo quando mencionar os passeios.

Se você escolheu um hotel que fica na Av. das Cataratas e chegou através do aeroporto, é fácil chegar nele de ônibus, pasta pegar, no aeroporto, a linha Aeroporto/Parque Nacional no sentido "TTU-Centro" (isso fica escrito na frente). Diga o nome do hotel para o cobrador e peça para ele lhe avisar quando chegar.

Comer em Foz:
A comida é cara em comparação a Porto Alegre. Aliás, com exceção do transporte público, achei Foz uma cidade cara, até mesmo para tomar sorvete. Disseram-nos que, para jantar, os restaurantes de Porto Iguaçu (na Argentina) são melhores, mas não experimentamos. Realmente a aparência deles é melhor, mas não dá pra cruzar a fronteira só pra jantar. E por incrível que pareça o Burguer King de Cidade de Leste tinha o banheiro público mais limpo que encontrei por lá. Aliás, os preços do Burguer King do Paraguai são em média 30% mais baratos que os nossos.

Dicas para os passeios (os links serão completados nos próximos dias):
Compras no Paraguai
Cataratas do Iguaçu (lado brasileiro)
Trilha do Poço Preto
Cataratas do Iguaçu (lado argentino)
Passeios em Itaipu

Outros passeios

sábado, 14 de agosto de 2010

2 dias em Maceió

Normalmente é mais vantajoso viajar ao nordeste através de algum pacote turístico que, via de regra é de 7 dias. Só as passagens saem mais caras que esses pacotes se você quiser viajar por conta própria. Em algumas situações, no entanto, essas minhas dicas podem valer a pena. De repente você pode ir estar lá a trabalho ou por algum congresso da sua profissão e aproveitar o final de semana ou, como no meu caso, usufruir das milhas adquiridas anteriormente para viajar.

Sobre a cidade
Maceió é uma das capitais mais calmas do nordeste, um lugar onde ainda é possível desfrutar com tranquilidade das praias, mesmo as da própria cidade, que ainda não são poluídas e sem o perigo de ter que se preocupar com os batedores de carteira, como em outras capitais maiores do nordeste.

Onde ficar
Procure por um hotel na orla. As praias mais centrais são a Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca. Se conseguir um hotel ou pousada em uma delas você está bem localizado. Fiquei no Hotel Sete Coqueiros, na Pajuçara. Não era um hotel de luxo, mas era bem confortável, com quartos com ar condicionado, TV, frigobar. O hotel também tinha piscina e um agente de viagens de uma das operadoras de turismo para informações e agendamento de passeios.

O que fazer em 2 dias
1) Caminhar pela orla
Eu amo caminhar, então caminhava todos os dias de manhã da Pajuçara até a Jatiúca. Acho que dava uns 8Km de ida e volta. A vista das praias é linda e existe um calçadão bem conservado pela orla que facilita bastante a caminhada. Quem estiver com calor ainda pode parar em algum ponto e dar um mergulho de mar. Claro, se você é daqueles que gosta de ficar na praia mesmo, com guarda-sol, pertinho de um quiosque com todos os aperitivos possíveis, também vai encontrar seu lugar nessas praias.

2) City tour com Praia do Francês
Certamente alguma operadora de turismo vai lhe oferecer esse passeio que é, na minha opinião, obrigatório. A Praia do Francês fica a cerca de 20 Km do centro da cidade e é uma das praias mais movimentadas. A praia é bonita, o mar é convidativo e, se você fizer o passeio com alguma operadora, certamente eles vão parar próximos a algum restaurante que possui mesas com cadeiras e guarda-sol. A única coisa que realmente não gosto nessa questão de fazer o passeio com o ônibus de turismo é o fato de você ter que se adaptar aos horários deles. O sol do nordeste é bem forte pra quem vem do sul do país como nós e normalmente você permanece na praia mesmo ao meio-dia, o que pode lhe render belas queimaduras do sol.

No nosso caso, ficamos na Praia do Francês até umas 14h e depois fizemos o City Tour. Ele é bastante rápido, pois Maceió ainda é uma cidade relativamente pequena e o trânsito não pareceu ser caótico. Passa por alguns prédios históricos como a sede do governo, a assembleia legislativa, a catedral. Também paramos numa parte mais alta da cidadde, com mirante, onde pudemos ver parte da cidade e as praias (foto ao lado).

3) Andar de jangada e apreciar as piscinas naturais da Pajuçara
O passeio às piscinas de Pajuçara é feito através de jangadas, que levam dez minutos para atravessar 2Km entre a praia e os recifes. Na maré baixa, você conseguirá ver os chamados aquários naturais com seus peixinhos coloridos, sem necessidade de nenhum equipamento de mergulho. O detalhe é que você só conseguirá fazer o passeio em períodos de lua cheia ou crescente, quando a maré fica baixa durante o dia. Os pescadores tentam convencê-lo a fazer o passeio mesmo com maré mais alta, mas não é bom, não.

Se você tiver mais tempo, talvez prefira apreciar as piscinas naturais na praia da Paripueira. O passeio é feito em lanchas, dura cerca de duas horas e inclui snorkel. Mas provavelmente você vai precisar de mais de 2 dias na cidade para este passeio que leva também um dia inteiro.

4) Praia do Gunga
Foi a praia que mais gostei, tinha ares de ilha particular. Existem passeios por operadoras que levam ao Gunga, mas nesse caso, como eu não dispunha do dia inteiro, dividi um táxi com mais 3 turistas que também estavam hospedados no hotel. O taxista fez preço fechado e ficou lá conosco durante toda a manhã para nos levar embora no horário que desejássemos. O preço saiu bom, mas acho que se for apenas um casal sai caro. Para 4 pessoas é talvez quase empate com o preço do passeio de ônibus.

A praia do Gunga fica localizada 33Km ao sul de Maceió, na cidade de Barra de São Miguel. A praia fica dentro de uma fazenda de cocos particular e podendo ser acessada por uma estrada que corta a plantação, ou através de barco. Nosso taxista parecia ser conhecido do pessoal da fazenda e conseguimos passar de carro até a praia sem problemas. Não sei dizer se é assim pra todo mundo.

As águas são bem calminhas e, se vai no mirante, você só vai enxergar coqueiros e águas... parece mesmo uma grande praia deserta. Muito bonita.


5) Feira de artesanato da Pajuçara
Ficava bem em frente ao hotel em que me hospedei. Grande variedade de artesanato típico da região a bons preços. Um excelente programa para o início da noite, antes do jantar.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O pesadelo da gestão das pessoas

Se tem um assunto que evito abordar é trabalho. Tenho uma etiqueta pessoal que diz, que se já passo o dia inteiro em determinado lugar, ele não merece ocupar o meu tempo e o meu pensamento quando chego em casa. Escrever sempre foi uma espécie de terapia e falar de trabalho não faz parte dela.

Mas eis que meu amigo ForInti, cuja identidade manterei em segredo, tem um blog que fala sobre simplicidade em TI (Tecnologia da Informação). Num dia de muita inspiração, ele escreveu sobre IT Nightmares, texto que recomendo e que merece algumas reflexões.

Acredito e tenho fé que o grande problema das empresas é a falta de bons gestores de pessoas. Empresas subvalorizam o tema. E não estou falando só de empresas de tecnologia, que normalmente são formadas por dois sócios: um nerd sabe-tudo e um bom-papo que sabe vender. Estou falando de empresas em geral, sejam elas públicas ou privadas. As pessoas passam anos estudando técnicas de gestão de orçamento, de projetos, de motivação, mas não sabem como lidar com gente. Na prática, existem dois tipos de chefes: o frouxo amigão, que não tem controle de equipe e o durão que impõe medo. Engana-se quem pensa que o primeiro é amado e o segundo é odiado. Na prática os dois são odiados, porque nenhum dos dois sabe lidar com seus subordinados.

Pessoas são complexas e são diferentes. Algumas gostam de ser cobradas, gostam que o chefe veja o que elas estão fazendo, precisam disso pra produzir. Outras, são tão responsáveis que se um chefe agir desse modo, irá diminuir sua produtividade. Afinal, elas já passaram do jardim de infância e trabalham bem sozinhas. Há pessoas que gostam de contar seus problemas pessoais para o chefe e esperam que ele entenda. Há pessoas que detestam que ele saiba da sua vida particular e esperam que ele respeite. Mas talvez o maior erro seja tratar pessoas como "recursos". Pessoas não são microcomputadores ou impressoras que agem segundo instruções pré-definidas. Ok, talvez os indianos sejam. Mas não nós, latinos.

Já passei por inúmeros processos de implementação de técnicas de gestão e de qualidade nas empresas pelas quais trabalhei: ISO 9000, Reengenharia, CMM, PMI, COBIT, ITIL, só pra citar algumas. Muitas siglas. Todas esperam motivar os "recursos" através da implementação de padrões de documentação, de qualidade, de organização corportativa. Nenhuma enxerga a singularidade de cada membro desse time. Todas veem pessoas como recursos substituíveis. E elas pecam por isso. Ninguém gosta de saber que é substituível, mesmo o mais relapso dos funcionários. Os gestores precisam aprender a "perder tempo" ouvindo o que os seus subordinados tem a dizer e não simplesmente fazer aquela avaliação periódica de forma automática, suspirando e olhando no relógio. Aliás, a pior coisa pra um funcionário é perceber que está sendo cobaia de uma técnica de gestão motivacional.

Não, nenhum chefe é capaz de resolver todos os problemas. Provavelmente não conseguem resolver nem a metade. Mas todo mundo tem algo pra dizer. E como dificilmente as empresas vão encontrar um analista de fora pra relatar seus erros, a disponibilidade para ouvir é o primeiro passo para aprender a tratar as pessoas e aprender sobre os seus próprios erros. Sem técnicas. Só conversa.

sábado, 31 de julho de 2010

O antimarketing

Creio que as ações de marketing e de venda ativa precisam ser modernizadas. Não consigo entender como alguém pode achar que ligar para uma pessoa no final de semana, através de uma URA (uma máquina que faz ligações automáticas), que faz você esperar uns 20 segundos até passar a ligação pro operador (porque se desliga, você não sai do sistema e vão ligar novamente), para então esse operador tentar lhe vender alguma coisa como se estivesse recitando um texto decorado num teatro, seja uma boa estratégia de venda.

Será que alguém analisa vendas reais x número de ligações x o custo pra pagar os coitados que trabalham no telemarketing? Todas, mas absolutamente todas as pessoas que eu conheço rechaçam essas ligações e nunca estão interessadas, o que me leva a duas conclusões: ou meus amigos são chatos não-consumistas ou realmente mais de 90% das ligações não resulta em venda, de modo que me parece improvável que se justifique um número elevado de pessoas em venda ativa.

Ao invés de receber uma ligação da minha operadora de celular toda a vez que eu ultrapasso em R$ 2 o valor do meu plano, me sugerindo um novo plano com o dobro de minutos que, segundo eles, me vai ser altamente benéfico e vai me custar o dobro do meu plano atual, eu preferiria que esta pessoa que me liga estivesse resolvendo problemas de pessoas que ligam porque tem problemas com a operadora. Ser bem atendida quando eu preciso rende mais pontos positivos no conceito da empresa do que ser incomodada quando eu não preciso. Será que gestores não conseguem enxergar uma coisa tão óbvia?

Aliás, será que a população brasileira é tão burra que acredita mesmo que ter mais minutos pra falar no celular pagando o dobro do preço atual é uma vantagem? Não creio. Mas acredito que ações desse tipo são prova de que o antimarketing existe.

Mas não só os profissionais de marketing de venda que precisam se reciclar. Profissionais de marketing político também. Na minha cidade, há um candidato a deputado que fez um jingle enjoativo e repetitivo, alugou uns três carros de som e passa o dia circulando com os carros pela cidade tocando o jingle repetitivo. É de enlouquecer. Só me faz ter uma certeza: não voto nesse infeliz. E estou fazendo marketing boca-a-boca pra ninguém votar nele. Já tenho várias adesões.

domingo, 25 de julho de 2010

O voto obrigatório

Sou veementemente contra o voto obrigatório. E por mais que eu seja pisoteada e xingada por afirmar o que vou afirmar, é meu ponto de vista e garanto que é um ponto de vista consciente de quem já votou pelo menos em 8 eleições. Eis minhas razões, para serem julgadas por quem quiser julgar.

1.Se fosse feita uma pesquisa, se verificaria que pelo menos 80% da população prefere ler sobre o próximo capítulo da sua novela ou sobre qualquer fofoca de artista do que sobre política. Mesmo com a internet e todos os meios modernos para averiguar a assiduidade às sessões e o quanto gastam seus deputados, senadores e afins, ninguém se dá ao trabalho de olhar. Isso significa que mais da metade das pessoas vota no candidato de mais renome ou naquele que seu pai ou seu patrão indica. Ah, se o candidato for ex-jogador de futebol, ex-locutor de rádio ou artista, já é meio caminho andado.

2. Existem argumentos que dizem que se o voto fosse facultativo só se elegeriam aqueles candidatos corruptos que compram votos com favores. Corrupção existe em qualquer lugar do mundo, seja o voto obrigatório ou facultativo. Votariam pessoas que estão pagando favores, assim como ocorre hoje, mas votariam os conscientes também. E se excluiriam os milhões que não entendem nada de eleição e nem sabem o que estão fazendo.

3. Prega-se muito por aí que o voto é um direito e um dever. Se é algo que eu não estou a fim de fazer, para mim é só dever. Direito é eu poder escolher se quero usar o meu final de semana para votar ou para ir para a praia. E garanto que se eu tiver um bom motivo pra votar, vou usar meu direito. Do contrário, não.

4. O custo de uma eleição no Brasil é o mais caro do mundo. Outros países já vieram aqui olhar nossas urnas eletrônicas, mas não as adotam por uma questão bem simples: encarecem a eleição. Os contribuintes de países ricos não estão dispostos a gastar rios de dinheiro em eleições. Honestamente, eu preferiria que uma terça parte do dinheiro que gastamos fosse investido em saúde e educação.

5. Se o voto não fosse obrigatório, políticos não gastariam rios de dinheiro em carros de som e panfletos que espalham a poluição sonora e visual, além de transformarem sua tranquila caminhada na redenção no sábado em um inferno, com pessoas lhe atacando. Cabe lembrar que parte do dinheiro dos partidos é pago por nós, contribuintes. O tal fundo partidário recebe dotação orçamentária pública.

6. Há quem argumente que o voto é o maior exercício de cidadania e uma grande responsabilidade. O engraçado é que um jovem de 16 anos pode votar. No entanto, o mesmo jovem de 16 anos não é civilmente, nem penalmente capaz para os mesmos congressistas que aprovaram o voto aos 16 anos. Se eles achassem mesmo que o voto fosse algo, assim, "tão importante" deixariam um relativamente incapaz votar?

7. Há quem diga que o voto tem que ser obrigatório enquanto a população não estiver com a consciência política devidamente desenvolvida. Ora, educação e conscientização não vão resolver o problema das pessoas não se interessarem por política. Mesmo em países com alto nível de educação como Alemanha ou Finlândia, em que o voto é facultativo, a população votante não passa de 50%.

Apesar de todos esses argumentos, vou votar na próxima eleição. Não porque acredite em qualquer desses que se candidatou. Mas porque infelizmente eu não tenho outra opção.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Divulgação: Caminho de Itupava, caminhada e acampamento

O John Gasparello está organizando um grupo para a trilha do Caminho de Itupava, com direito a acampamento. Ele convida a todos os interessados. Abaixo está o folder de divulgação e os contatos. Ele usou algumas fotos aqui do blog, o que me deixou bem orgulhosa.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pra espantar turista

Toda cidade que quer ser turística tem que aprender, antes de mais nada, a tratar bem do turista. Apesar de na maioria das vezes sermos muito bem recebidos, todo mundo já passou por algumas situações que são pra espantar turista. Abaixo relato algumas das nossas aventuras.

1. Tenho o hábito de colecionar imãs de geladeira. Então, sempre que viajo pra um lugar novo, procuro trazer um da cidade que visitei. Em Barcelona, parei numa banca de revistas que também vendia cartões postais e imãs. Eles estavam pregados no alto, em um lugar onde eu não alcançava. Olhei para um que gostei e pedi para o vendedor me alcançar para dar uma olhada. Quando já estava com ele na mão, enxerguei outro que achei mais interessante e pedi para ele me alcançar, pois tinha me decidido pelo outro. O vendedor, muito bravo, rosnou: então, por que pediu esse se queria levar o outro?

2. Ainda falando de vendedores: uma amiga relatou que estava em Roma, em uma loja com um balaio de roupas femininas em liquidação. Passou algum tempo olhando as roupas (e obviamente "pegando") como a gente faz no Brasil. Quando se decidiu, perguntou para a vendedora se poderia experimentar a peça. Muito mal-humorada, a mesma respondeu que peças na liquidação não poderiam ser experimentadas e nem trocadas depois. E complementou: vai levar ou não?

3. Quando fiz intercâmbio em Vancouver, no Canadá, fui jantar, certa noite com amigos brasileiros. Assim como fazemos no Brasil, sentamos, pedimos, comemos com bastante calma e depois de comer ficamos algum tempo conversando, sem muita pressa. Algum tempo depois, percebemos que a garçonete e a moça da recepção nos olhavam de um jeito estranho, mas não nos importamos muito. Descobri depois, falando com canadenses, que não é costume deles você ficar sentado, num restaurante após consumir. Deve chegar, pedir, comer e, se não estiver consumindo mais nada, ir embora.

4. Todo mundo comenta que franceses não gostam de pessoas que não falam francês. Eu não falo nenhuma palavra. Então, sempre pedia desculpas na hora de solicitar informações e perguntava se a pessoa falava em inglês. A um jovem, perguntei onde era a estação de metrô mais próxima. Ele me mandou para a direção oposta da estação, em uma vizinhança não muito amistosa, o que percebi cerca de três quadras depois.

5. A melhor de todas aconteceu em São José dos Ausentes: vimos uma placa de um restaurante/pizzaria no centro da cidade e resolvemos jantar lá. Não lembro exatamente o que pedimos, tenho a impressão que foi ala minuta ou algo assim. O restaurante era pequeno, mas arrumadinho. Fomos atendidos por uma senhora que era quem também preparava a comida. Sua neta de aproximadamente 8 anos também estava lá.

Só haviam duas mesas com fregueses. A comida era boa e levou o tempo normal pra ser servida. Até aí tudo bem. O problema começou quando começamos a comer. A menina ficou o tempo inteirinho com os bracinhos grudados na nossa mesa, perguntando de quando em quando se já havíamos terminado. Às vezes, ela alternava e ficava ao lado do pessoal da outra mesa, Mesmo com algumas "indiretas" deles, a menina não se tocava de ir dar uma volta e tampouco a avó, que estava ocupada assistindo a novela, a chamava.

Enfim, chegou uma hora em que finalmente terminamos. Enquanto aguardávamos a conta, pudemos perceber que, então, ela foi espantar o grupo de jovens que estava na outra mesa.