segunda-feira, 2 de março de 2009

Pausa para divagação

Eu tenho uma tese de que toda e qualquer pessoa tem ao menos uma oportunidade na vida pra sair da sua condição de pobreza (de bolso ou de espírito) e transformar a sua vida em algo que valha a pena. Por esse motivo, sempre rejeitei as teses sociais que dizem que quem rouba, trafica e mata o faz porque não teve nenhuma oportunidade na vida.

Talvez por isso eu tenha gostado do filme "Quem quer ser um milionário?". Tudo o que Jamal (o garoto que participa do programa de TV - Show do Milhão da Índia) tinha ao participar do programa, era a esperança de que a menina que ele amava desde criança e da qual fora separado o assistisse. O filme é muito menos sobre como um favelado se torna um milionário e muito mais sobre como não desistir nunca do seu objetivo, mesmo que você tenha apenas uma chance em um milhão de alcançá-lo.

Coincidência ou não, os dois filmes que mais gosto de rever também falam de sonhos impossíveis: o primeiro deles, um clássico que adoro desde a primeira vez em que o vi e que me faz chorar todas as vezes é "Um sonho de Liberdade" com o Tim Robbins e o Morgan Freeman. O segundo não é tão conhecido: chama-se Gattaca, com o Ethan Hawke e o Jude Law e fala de alguém que sonhou ser astronauta num futuro próximo em que o destino das pessoas depende do quão abençoadas geneticamente são.

O que esses filmes e os sonhos têm em comum? Pode parecer uma idéia romântica da vida, mas o que me parece certo é que cada um de nós, em algum momento da sua existência, tem um dia de sorte. E pra que possamos agarrar com unhas e dentes esse dia de sorte, precisamos estar preparados. Precisamos estar no lugar certo e na hora certa. Ou, como diria o velho ditado "a sorte acompanha os bons".

Acho que não são muitos os que lembram, mas há algum tempo, quando sorteavam pessoas para participar do Big Brother, uma mulher, chamada Mara foi sorteada. Essa mulher era pobre, como quase todo mundo que vive nesse país, e tinha uma única filha, que sofria de paralisia cerebral. Ela ganhou R$ 1 milhão. Sorte? Sim, sorte. Sorte de ser sorteada. Azar de ter uma filha com uma anomalia que nem mesmo R$ 1 milhão podem curar.

Tenho uma amiga, que sonha há muitos anos em ser médica. Conheço um menino que passa metade dos seus dias jogando futebol de botão e que tem certeza de que será jogador de futebol. O meu sonho, o mais imediato, é passar na OAB. Realizar um sonho desses, para cada um de nós seria muito mais do que ganhar um milhão. Assim como imagino que a saúde de um filho vale muito mais do que R$ 1 milhão para uma mãe. E o dinheiro, por si só, não pode torná-los realidade. É preciso algo mais.

Nem sempre nós conseguimos as coisas no exato momento em que queremos. Às vezes, nós morremos as desejando, como o meu avô que sonhava ganhar na Loto. Mas, parafraseando a fase final do filme do momento: talvez esteja escrito. E quem não estiver lutando, nunca saberá.

2 comentários:

Cássia disse...

bacana isso, ane. e o mais importante creio que seja a gente não confiar só no fato de que "pode estar escrito", mas fazer por onde.
saudade de ti!

Alvaro Ferreira disse...

Eu li e reli o que você escreveu. Muito bacana você ter comparado o valor de saúde à dinheiro, pois hoje em dia as pessoas relativizam tudo em cima do dinheiro, sem perceber que isso as enfraquece.

Ninguém entende direito os mistérios da vida, do nosso papel neste mundo, mas o sonho é uma linguagem poderosa e talvez chegue o dia em que todos percebam que só com um grande sonho comum, poderá ser realizado o sonho de todos.

Lutar é viver a vida!