domingo, 4 de julho de 2010

São José dos Ausentes - parte II

Vamos ao que interessa: o que fazer em um final de semana em Ausentes.

Monte Negro
Já comentei aqui que o Monte Negro é o ponto culminante do RS, com seus 1.400m. Chega-se de carro até aproximadamente 300m do cânion que divide RS de SC. Uma pequena caminhada e, num dia claro, você verá a paisagem ao lado. Se tiver fôlego pra uma subida mais íngreme, sem trilha definida, chegará no topo do monte e poderá se vangloriar de ter "escalado" o ponto culminante do nosso estado.

Trilha do Cachoeirão do Rodrigues
Você chega de carro até a Pousada Cachoeirão do Rodrigues. Ali, estaciona e atravessa uma porteira, seguindo por uma trilha que acompanha o Rio Silveira. É possível agendar guia e três tipos de trilhas que passam pelo Cachoeirão, mas também é possível conhecê-lo sozinho, embora sem cruzá-lo. Essa foi a nossa opção.

O Cachoeirão do Rodrigues é um dos principais pontos turísticos do município. É formado por uma sucessão de grandes quedas, a maior com aproximadamente 28m de altura.

Serra da Rocinha
Por ela passa uma estrada que liga Ausentes a Timbé do Sul, em SC. A estrada, obviamente, é ruim e de chão, mas você não transitará muito tempo por ela. Irá apenas até um mirante, um pouco mais acima do posto fiscal. A visão panoramica é linda em um dia de sol.

Os cânions do município
Ausentes possui vários cânions, não tão famosos quanto o Itaimbezinho e o Fortaleza, mas também muito bonitos. Você consegue ter a visão de um deles no Monte Negro, mas se deixar o carro próximo à sede da Pousada Fazenda Monte Negro e estiver disposto a caminhar um pouco, vai visualizar outros e também algumas cascatas. Existe, ainda, uma trilha que pode ser percorrida a cavalo se você estiver hospedado nessa pousada.


Pesca e cachoeira
No Sítio Vale das Trutas, existe um pesque e pague de trutas. Qualquer criança é capaz de pescar, é tão fácil que às vezes perde a graça. Você paga pelos peixes que pesca que ainda podem sair limpos par ser assados, pois o sítio oferece também esse serviço. Além disso, o local é muito bonito e bem próximo há uma cachoeira, onde é possível se refrescar no verão.

Olhar para o céu à noite
A noite de São José dos Ausentes, especialmente, se você estiver hospedado em uma das pousadas rurais é apaixonante. Estivemos lá no invernão, com muito frio, mas céu bem aberto. Longe das luzes da cidade, você consegue ver um céu tão claro de estrelas que dá pra entender porque nossa galáxia é chamada de Via Láctea. Você chega a ver o rastro leitoso de estrelas no céu.

Para informações sobre como chegar e hospedagem, veja a parte I.

domingo, 27 de junho de 2010

São José dos Ausentes - parte I

São José dos Ausentes é o município mais frio do estado do Rio Grande do Sul. É um lugar bem rústico, sem a infra-estrutura turística de Gramado/Canela, mas com belas paisagens naturais. O município é extenso, você
anda muitos quilômetros nas estradinhas de terra, mas a população pequena, cerca de 3 mil habitantes. Ah, até bem pouco tempo não existia acesso asfaltado até São José dos Ausentes, o que em grande parte também explica as paisagens inexploradas (quando fomos ainda não tinha).

Como chegar

Existe um caminho por Cambará do Sul, mas não recomendo porque o estado da estrada de chão é bem ruim. Você sai de Porto Alegre pela BR 116, logo após Novo Hamburgo entra na RS 239, até a cidade de Taquara (também épossível ir a Taquara por Gravataí) e pega a RS 020 até a São Franscisco de Paula. Passa pela cidade e retoma a RS 020 até Tainhas. Lá toma-se a RS 453 em direção a Cambará do Sul. Em Cambará atravessa-se a cidade até encontrar uma estrada de chão, por onde se segue mais 50 Km de estrada de chão até São José dos Ausentes (Distância: 250 km).

Existem dois caminhos alternativos, o primeiro pela BR 101, até o acesso da cidade catarinense de Ermo. Da BR 101 até Ermo são 7 Km. O acesso fica à esquerda, no km 427. De lá rodamos mais 8 Km até chegarmos em Turvo. Andamos mais 21 Km até Timbé do Sul, ainda território catarinense. Daí para frente o percurso é de 36Km  por estrada de chão (Distância: 313 Km). Não sei dizer se a estrada é boa, mas parece mais distante e complicado.

Se você procura caminho asfaltado, o melhor parece ser por Bom Jesus. Siga pela BR 116 até Vacaria. Rode até a RS 285, onde dobramos a direita, no sentido de Bom Jesus. Seguindo na RS 285 temos mais 45 Km de estrada, agora asfaltada até Ausente. A distância é bem maior. São 240 Km até Vacaria e depois mais 100Km até São José dos Ausentes.  Não tenho a informação de se esses 100Km já estão totalmente asfaltados, mas creio que uma boa parte está.

Onde ficar

Existem várias pousadas, todas no interior do município e não muito próximas umas das outras. A maioria oferece diária com as três refeições exatamente por isso. Imagine só você sair para jantar à noite e ter que andar uns 20 Km em estrada de chão. A maioria das pousadas também oferece um programa próprio de atividades como trekking, passeios à cavalo e pesca. Abaixo algumas sugestões de hospedagem, com as características de cada uma:

Vale das Trutas

Localiza-se na estrada entre São José dos Ausentes e Cambará do Sul. Se o seu desejo é pescaria fácil, é o
lugar ideal. Existe um lago com um pesque-pague. Possui cabanas com dois quartos, sala/cozinha e banheiro e, ainda, lareira. 

Pousada Fazenda Monte Negro

Esta é bem afastada, bem próxima dos cânions. Possui hospedagem na casa ou em chalés. Na casa, são suites ou quartos com banheiro compartilhado. Os chalés possuem fogão à lenha. A pousada oferece trilhas de um ou dois dias, parte a cavalo, parte a pé.

Pousada Fazenda dos Ausentes

Possui quatro quartos com banheiro, mesa e aquecedor e três chalés para quatro pessoas. Oferece como
atividades passeio a cavalo, pesca em açudes e trilha ecológica na fazenda.

Pousada Fazenda Cachoeirão dos Rodrigues

Bem próxima ao Cachoeirão dos Rodrigues, uma das principais atrações de São José. Oferece quartos com banheiro privativo e coletivo. Oferece três tipos de trilhas: Varando o Rio (a pé ou a cavalo), Trilha do Puma (com mini cânion) e Trilha Radical (mais difícil).

Pousada Fazenda Potreirinhos

Oferece quartos com banheiro privativo ou coletivo, caminhadas ecológicas, passeios a cavalo e acompanhamento das lides campeiras. No verão, banho de cachoeira.

Pousada Fazenda das Araucárias

A pousada oferece comodações para grupos no sótão, um quarto com banheiro privativo e quatro quartos com banheiro coletivo. Também oferece área de camping com água, luz e banheiros. Realiza trilhas pela região com acompanhamento de guia local.

Pousada Flor de Açucena

Localiza-se a a 16km da sede do município. A pousada tem bar com carta de vinhos, TV por satélite e DVD, aparelho de musculação e bicicleta ergométrica. Oferece caminhadas guiadas e cavalgadas.

Outras opções de hospedagem você encontra no site Ausentes Online.

No próximo post, dicas do que fazer em 2 dias em São José dos Ausentes.

domingo, 20 de junho de 2010

Boa sorte, má sorte

Ando meio sombria nesses dias frios e chuvosos de inverno, então quero reproduzir aqui uma história que li dias atrás e que pode ser bem aplicada a essas zebras que andam acontecendo na Copa do Mundo (e na minha vida também).

No tempos medievais vivia na China um velho camponês que tinha um cavalo fraco e cansado no qual atrelava o arado para trabalhar no seu pequeno pedaço de terra. Um dia o cavalo doente fugiu para as montanhas. Os vizinhos se solidarizaram: "Que má sorte!", repetiam lamentando. "Má sorte? Boa sorte? Quem pode dizer?", respondia o velho camponês.

Uma semana mais tarde, o cavalo voltou acompanhado de outros cavalos selvagens das montanhas. Os vizinhos apareceram para ver e, reunidos em torno do camponês, dessa vez se alegraram com sua boa sorte. A resposta, no entanto, foi a mesma: "Boa sorte? Má sorte? Quem pode dizer?"

Algum tempo depois, enquanto tentava domar um dos cavalos selvagens, o único filho do camponês sofreu uma queda e quebrou a perna. Todos consideraram um sinal de má sorte. "Má sorte? Boa sorte? Quem poderá dizer?", repetia o ancião.

Semanas mais tarde, o exército do imperador marchou pelo vilarejo convocando todos os homens jovens e saudáveis para se alistar, mas o filho do camponês, na cama com a perna quebrada, foi deixado para trás. Boa sorte? Má sorte? Quem poderá saber?

O budismo nos ensina que, em vez de querer rotular os fatos consumados como bons ou ruins, o mais importante é encará-los e se preocupar principalmente com a qualidade da resposta que vamos dar a eles. As coisas são como são, é a nossa reação que vai perpetuar ou minimizar as causas de sofrimentos futuros. Se não temos controle sobre o que chega a nós, temos escolha sobre o que lançamos no mundo.

Reprodução de: http://claudiacollucci.blog.uol.com.br/arch2009-09-01_2009-09-30.html

segunda-feira, 14 de junho de 2010

E se você não gosta da Copa

A cada copa que presencio (e esta é a sétima da qual me lembro) fico impressionada com o fato do país literalmente parar durante o mês do evento. Você olha os sites de notícias e só vê fotos enormes de jogadores de futebol, como se nada mais estivesse acontecendo. Durante os jogos do Brasil, bancos e repartições públicas fecham mais cedo e, mesmo na iniciativa privada, instalam-se telões para que os empregados possam assistir aos jogos. Até o mais capitalista dos empresários entende que, no Brasil, mais vale um empregado parado durante o horário do jogo do que o custo do acidente de trabalho que vai provocar se ele estiver trabalhando com o ouvido em outro lugar. Imagino que isso deve causar estranheza em outros países.

Não vou entrar no mérito da questão "ópio do povo", porque tenho a particular opinião que todo mundo precisa de alguma diversão. E afinal, assistir futebol pela TV aberta é de graça. Mas não é por isso que o país para. Se você analisar a questão sob o ponto de vista econômico, descobre que a previsão é de que sejam criados 400 mil postos de emprego temporário durante a copa em todo país, a maioria em bares e restaurantes. A previsão ainda é de que o setor de bares fature sozinho R$ 840 milhões a mais que em um período normal.

Mas os números não param por aí. No setor de vendas de televisores, a expectativa é que as vendas aumentem em 30% e em lojas de esportes entre 10 a 15% a mais. Em maio deste ano, um mês antes da partida inicial, os sites de eletroeletrônicos receberam 77,78% mais usuários do que no ano passado, segundo estudo do Serasa Experian Hitwise.

Até mesmo as lojas de artigos de R$ 1,99 ganham com a copa. Afinal, para fantasiar a torcida em casa, nada melhor do que aquelas quinquilharias: baratas e que fazem efeito. Também não dá pra esquecer que para assistir aos jogos da seleção brasileira, muitos torcedores não dispensam uma boa comida acompanhada de bebidas geladas. Pois bem: para o setor de bebidas, ano de Copa do Mundo é como se tivesse um mês a mais de lucro.

Quer dizer, por mais que você odeie a Copa, não pode negar que as paradinhas para assistir aos jogos "se pagam". Então, relaxe. Em um mês tudo isso passa.

domingo, 6 de junho de 2010

Um lugar para lagartear ao sol

Os leitores que não residem no sul do Brasil dificilmente saberão o que lagartear significa. Mas esse é um dos programas preferidos de nove entre dez pessoas no inverno gaúcho: lagartear ao sol comendo bergamota. Explicando, lagartear significa deitar-se ou sentar-se ao sol em um dia frio. Já a bergamota é mais conhecida como tangerina ou mexerica no centro e norte do país. Aqui no sul é bergamota, da mesma forma que farol é sinaleira e o doce de beijinho é chamado de branquinho. Traduzindo, o título do post significa ficar sem fazer nada ao sol comendo tangerina. Péssimo, lagartear ao sol é, no mínimo, mais poético.


Pois bem, para quem cresceu em uma casa com quintal cheio de laranjeiras e bergamoteiras e hoje mora em um apartamento no qual raramente bate sol no inverno, lagartear ao sol é praticamente uma necessidade. Porto Alegre tem muitos parques, mas eles ficam cheios nos finais de semana, de modo que encontrar um local mais sossegado para a prática fica bem difícil. Felizmente, descobri agora que existe pelo menos um lugar bem calmo, onde você pode ficar por horas sentado ao sol em um dos bancos ou estender sua toalha pra deitar. É a Praça do DMAE na Av. 24 de outubro. Passamos lá boa parte da tarde do feriado e, lógico que passaram outras pessoas por lá, mas nada de barulho exagerado.

Coincidência ou não, a Praça do DMAE é o lugar que o Clube de Nadismo elegeu para os encontros em Porto Alegre. Creio que entendo as razões da escolha.

domingo, 30 de maio de 2010

5 Trilhas Fáceis para Iniciantes

Todo praticante de trekking que se preze tenta encorajar mais gente. Só que pra quem nunca fez trekking na vida, é complicado iniciar em uma trilha de oito horas com pedras, subidas e descidas. As trilhas abaixo são bem simples, para serem feitas sem guia e descobrir se essa é a sua praia.

1. Trilhas do Vértice e do Cotovelo no Parque Nacional dos Aparados da Serra (Cambará do Sul)

As duas trilhas localizam-se no Parque Nacional dos Aparados da Serra, em Cambará do Sul. O parque é o ponto de visitação mais fácil para o Itaimbezinho. No ponto de chegada dessas duas trilhas se tem uma linda visão do cânion, se você der sorte do dia não estar enevoado.

A Trilha do Vértice é a mais fácil. Existe até um caminho calçado em um bom pedaço dela. Com 20 minutos de caminhada, você já consegue chegar em um mirante, em que se vê a Cascata das Andorinhas e da Cascata Véu de Noiva formada pelo arroio Preá.

A trilha do Cotovelo é um pouco mais longa. São 6,3Km de caminhada por uma estradinha de chão, que leva até um mirante natural com o que eu considero a melhor visão do cânion. Leva-se aproximadamente uma hora para ir e uma hora para voltar, mas a caminhada é fácil. Eu considero a melhor trilha para quem quer ter realmente a sensação de que está fazendo trilha, mas tem medo de se aventurar em algo mais forte.

Sobre como chegar ao parque, já comentei aqui no passado.

2. Trilha do Rio Caí no Parque da Ferradura (Canela)

O Parque da Ferradura possui quatro trilhas: do Pórtico, das Cutias (fácil, passeio para observar a natureza e os quatis), da Pinguelas (fácil, voltada para a bela vista do Vale da Ferradura) e essa última, a do Rio Caí, que é a principal. Não é uma trilha tão fácil quanto as do Itaimbezinho, mas a maior dificuldade não são pedras ou travessias e sim, a volta.

Em primeiro lugar, a trilha é de fácil acesso e bem demarcada com placas de sinalização em todo seu percurso. São 350m de trilha, iniciando a 750m de altitude e terminando a 400m de altitude, no pé da cascata do Arroio Caçador e às margens do Rio Caí, em uma área plana, onde você pode sentar e descansar. O mais difícil aqui, na minha opinião, é a volta, pois a subida é bastante íngreme, exige algum condicionamento físico. Mas como não é uma trilha longa, você pode ir subindo e parando aos poucos.

Ainda assim, se você achar que a trilha do Rio Caí não é para você iniciar, pode tentar as outras. São muito fáceis.

Como chegar no parque: Saia de Canela em direção à Cascata do Caracol, siga à direita na entrada do parque do caracol e acesse a estrada de terra, existem placas indicativas em todo o trajeto, são 6 km. Há uma taxa de entrada que você pode consultar no site oficial.

3. Trilha do Parque da Cachoeira (São Francisco de Paula)

Não confunda com o Parque das 8 Cachoeiras, pois são parques diferentes. Naquele há 8 trilhas com uma dificuldade um pouco maior, pois você passa por pedras úmidas em quase todas. Esse Parque da Cachoeira é outro parque com bastante estrutura para esportes radicais. Você pode praticar rapel, pêndulo, cabo aéreo, entre outros. Há uma trilha no parque que leva até a Cachoeira Escondida. A caminhada tem duração média de 1h e, apesar de ser pela mata, é bem fácil. Você passa primeiro por uma cachoeira que fica na área central do parque (a do Rio Caraá) e vai seguindo até a Escondida, onde a trilha termina.

Como chegar no parque: o melhor é parar na entrada de São Francisco de Paula, onde há um ponto de atendimento ao turista e pegar um mapa. O parque fica no interior do município, por estrada de chão, como se estivesse indo para Canela.

4. Ecoparque Sperry (Gramado)

O parque é privado, você pode obter informações sobre valores no site oficial. O diferencial é que as trilhas são todas auto-interpretativas, com boas orientações indicativas, o que facilita para quem está iniciando.

Como chegar no parque: pela rótula de saída de Gramado para Canela, entrando a direita entre o posto Shell e o Hotel Cavalinho Branco, descendo o vale do Quilombo, 5 km.

5. Trilha do Monte Negro (São José dos Ausentes)

Chegar ao município de São José dos Ausentes é o mais difícil, pois não há estrada asfaltada. Por qualquer dos caminhos você terá que enfrentar uns bons 30 km de estrada de chão bem ruinzinha. O Monte Negro é o ponto culminante do estado do RS, com seus 1.400m. Chega-se de carro até aproximadamente 300m do cânion que divide RS de SC. A trilha que leva ao cânion e ao pico do Monte Negro é fácil. Se o dia estiver limpo, pode-se ver até o litoral de lá. Se você gostar da caminhada e quiser mais, pode ainda subir no pico do Monte Negro. Não é tão fácil, pois não há uma trilha demarcada, mas a caminhada é leve. Em 20 minutos se está lá e o pior é a ida. Na volta é só descida.

domingo, 23 de maio de 2010

A felicidade não se compra

Ultimamente, tenho gostado de assistir aqueles filmes clássicos do Telecine Cult. Sem tecnologia e com efeitos especiais bem limitados, eram filmes bem mais criativos e que apostavam muito mais em uma história bem desenvolvida do que em barulho e visual.

Se você nunca assistiu "A felicidade não se compra" (It's a wonderful life), deveria. Muito do que se fez em cinema e até mesmo em novelas depois pode ter origem remota no filme. Ele narra a história, desde a infância de George Bailey, um cara que sonhava conhecer o mundo, mas sempre pensou demais nos outros, então, acabou ficando na cidadezinha em que nasceu e administrando o pequeno banco do pai. Por nunca ser ganancioso ou egoista, George nunca enriqueceu. Pior, perdeu muito dinheiro e tentou o suicídio. Então, surge seu anjo da guarda e lhe mostra como seria a vida de todos ao seu redor se ele não existisse.

O filme é uma fábula de uma ingenuidade que já não se vê mais. Talvez fosse enquadrado como fábula infantil se produzido hoje. E é isso que encanta. Frases como "o homem mais rico da cidade é aquele que tem amigos" ou o próprio título em português parecem lições de uma moral que poucos têm ou procuram ensinar aos seus filhos. Com certeza pensar que "felicidade não se compra" está fora de moda. Mas acho que vou preferir ficar fora de moda. E continuar assistindo as minhas velharias.

sábado, 15 de maio de 2010

Morro do Osso

Quando foi a última vez em que você teve uma absoluta sensação de felicidade? A minha eu lembro bem. Foi há mais ou menos duas semanas, em um final da tarde de céu azul, olhando a zona sul de Porto Alegre de cima, lá no mirante do Morro do Osso. São desse dia as fotos que ilustram o texto. Não conheço muita gente que more em Porto Alegre que já tenha ido até lá. E nem é tão longe assim.

O Morro do Osso localiza-se na zona sul de Porto Alegre e grande parte dele está dentro de uma reserva preservada, o Parque Natural do Morro do Osso, que existe desde 1994. O objetivo é preservar uma área de 127 hectares, mas até o momento só 57 foram desapropriados. O parque tem guarita de segurança e fica aberto diariamente das 9h às 18h. Podem ser agendadas visitas orientadas por instituições de ensino e pesquisa.

Existem lá espécies arbóreas sob possível ameaça de extinção, como a canela preta e a corticeira-da-serra. A fauna também é diversa, avista-se lá cerca de 65% das espécies de aves existentes no município. Incrivelmente, no entanto, o que as pessoas mais gostam de procurar lá é a visão que se tem da casa do jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho.

Chegar lá também não é difícil. Basta pegar a Av. da Cavalhada e dobrar a direita na Av. Adão Juvenal de Souza, que é uma avenida bem larga. Depois é seguir as placas até a Rua Irmã Jacobina Veronese. A rua termina no parque. Para chegar no mirante, basta seguir por uma trilha bastante fácil uns 15 minutos.

E cá pra nós, Porto Alegre merece preservar um lugar como esse.

sábado, 8 de maio de 2010

O atropelamento da professora

Fato que me entristeceu na semana foi o atropelamento daquela professora do Colégio Rosário, Maria Paula Leal, em plena faixa de segurança na Av. Benjamim Constant, logo após auxiliar um deficiente visual a atravessar a faixa.

A primeira coisa que vem à mente é que o mundo é um lugar injusto. Por que uma pessoa conhecida pela bondade e disponibilidade, que plantava sementes de preocupação social em jovens, como mostrou a matéria do Diário Gaúcho, tem que deixar esse mundo de uma forma tão sórdida?  Não seria mais justo um motoqueiro irresponsável, que foge após atropelar um ser humano, deixar o planeta?

Pode parecer um pensamento simplista, mas se pudesse escolher o momento da minha morte, ficaria feliz de saber que foi em função de um ato de generosidade. Em um mundo em que cada pessoa só se preocupa com o próprio nariz, consumindo recursos do planeta sem nenhuma preocupação em repor, me traria satisfação saber que fui diferente, mesmo em uma vida não tão longa.

Eu cresci acreditando em finais felizes, mas quanto mais eu vivo (e advogo), mais acredito que não existe justiça terrena. O que existe é um preço que cada um paga para cada ato bom ou mau que pratica. Esse preço se paga aqui. Não sei se existe um céu. Mas é provável que o inferno seja esse mundo. E faz bem à alma pensar que pessoas boas são chamadas mais cedo para um lugar melhor do que aqui, já que devem ser mais úteis por lá.

Afora qualquer divagação, tenho uma certeza: realizar algo notável (e ser generoso nos nossos dias é algo notável) sempre foi e sempre será uma das formas de se chegar mais próximo da imortalidade.

domingo, 2 de maio de 2010

O poder de um crachá

Poderia ser um twit, porém, é meio extenso para tanto. Mas foi o melhor texto que recebi na última semana. Então, sem tempo, por ora, para escrever algo mais inteligente segue minha homenagem a algumas pessoas que conheço...

Um oficial do DEA (Drug Enforcement Administration) vai a uma fazenda, no Texas e diz ao dono, um velho fazendeiro:
"Preciso inspecionar sua fazenda por plantação ilegal de maconha!"
O fazendeiro diz: "Ok, mas não vá naquele campo ali." E aponta para uma certa área.
O oficial diz indignado: "O senhor sabe que tenho o poder do governo federal comigo?" e tira do bolso um crachá mostrando ao fazendeiro:"Este crachá me dá a autoridade de ir onde quero....e entrar em qualquer propriedade. Não preciso pedir ou responder a nenhuma pergunta. Está claro? me fiz entender?”
O fazendeiro todo educado pede desculpas e volta para o que estava fazendo.
Poucos minutos depois o fazendeiro ouve uma gritaria e vê o oficial do governo federal correndo para salvar sua própria vida perseguido pelo Santa Gertrudes, o maior touro da fazenda.
A cada passo o touro vai chegando mais perto do oficial, que parece que será chifrado antes de conseguir alcançar um lugar seguro. O oficial está apavorado. O fazendeiro larga suas ferramentas, corre para a cerca e grita com todas as forças de seus pulmões:
"Seu Crachá, mostra o seu CRACHÁ!"

(adaptado de um desses emails que circulam pela web)